Quando chegamos do trabalho, um riso sarcástico invadiu nossa casa: estávamos sem energia! Como tínhamos que nos aprontar rápido porque Mike estaria nos esperando em uma hora e meia do outro lado da cidade para o jantar das mulheres, só nos restou tomar banho com potinhos e nos trocar e nos maquiar a luz de velas. Para que a situação não se tornasse trágica, lembramos de duas latas de Heinekken na geladeira, que ainda estavam geladas, e brindamos a nossa nova realidade. É, mais do que nunca queríamos sair. Peguei o carregador do meu celular e pensei “vai ser lá mesmo que vou recarregar”.
Pegamos um táxi, compramos bebida (a única coisa que o Mike pediu para o jantar era que cada uma levasse um vinho) e encontramos Tânia por perto: todas juntas rumo à casa de Mike. Depois de estarmos um pouco perdidas, mesmo tendo estado lá há menos de uma semana, chegamos. Petra, da Romênia, e Hanna, dos Países Baixos, já estavam lá. Só faltava Trace, dos EUA. Restou-nos admirar todo o cuidado com que Mike preparou a mesa: tive que tirar foto! Como admirar só não seria nosso forte nesse dia “diferente”, fomos para a varanda fumar (eu não, mas todas as outras), beber vinho e comer petiscos. Antes de me juntar às demais, coloquei meu celular para carregar e pedi, ainda, para acessar a internet para que eu pudesse conferir meu e-mail: pela primeira vez eu e Pedro não nos falamos diretamente (respondi, mas ele não me retornou mais) e eu, triste, resolvi informá-lo do meu dia atípico.
A conversa na varanda estava boa. Dentre os assuntos tratados, descobri que a situação em que estávamos passando (sem luz e água) é uma espécie de “boas-vindas” e que, agora sim, poderia me considerar em Gana. Trace se juntou a nós mais tarde e, exceto Mike, os homens da casa iam nos cumprimentar e ao mesmo tempo se despedir porque eles foram dispensados da ocasião especial. Fiquei boa parte do tempo trocando ideia com Trace, ela realmente é muito gente boa.
A fome batia e Mike finalmente nos chamou para o jantar tão esperado. Foi incrível! Ele só entrava na sala de jantar para servir, ele não se sentou com a gente. Confesso que foi estranho, mas entendi que sua única intenção ali era fazer com que nós, mulheres, apreciássemos cada detalhe do que ele havia providenciado na noite. E como ele nos fez feliz: batata assada com molho branco especial, legumes cozidos, salada, purê e pernil. De sobremesa: sorvete de creme com calda de framboesa e cobertura de chocolate, chocolate com castanha e ferrero rocher. Para me fazer esquecer de vez minha rotina ganense, Petra preparou-nos CAFÉ! Puro, forte... delicioso!
Mas todas essas delícias não fizeram com que as mulheres ficassem satisfeitas a ponto de a noite acabar por aí e Mike nos levou até a casa de Bob (o que foi muito bom, porque estávamos muito perto de casa). Lá, bebemos mais vinho, conversamos e, enquanto todos já planejavam uma “próxima parada”, resolvi aceitar a carona de Mike para casa: só eu, ele e Hanna desistimos por aqui, porque os demais queriam mesmo encerrar a noite no Duplex. Chegando em casa: a energia havia voltado! Menos mal. Resolvi mandar e-mail de novo avisando sobre o ocorrido antes de dormir.PS: Na foto da mesa, estamos (em sentido horário) eu, Hanna, Tânia, Aga, Petra e Trace.
PS 2: Na última fotos, fica claro o aperto do carro, com o Mike de motorista e as seis mulheres.


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