quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sexta-feira, 12 de fevereiro – Agora sim, uma verdadeira cidadã ganense

Desde que eu me conheço por gente, de todas as situações pelas quais já passei no meu dia a dia, ficar sem água estava dentre as piores. Situação que, no Brasil, pelo menos na região em que moro, raramente acontece e quando acontece dura somente poucas horas, mas o suficiente para causar nossa irritação. E é esse desconforto que tive de encarar como realidade e planejar meus incertos dias sem água. Como a vida continua e no trabalho temos água, decidi que tudo seria mais fácil. Primeiro, como não queria lavar louças em casa sem ter água na torneira, comprei um sachê de café com leite e biscoito/bolacha (agradando paulista, mineiros e cariocas) de leite para comer no trabalho mesmo. Almoçamos no mesmo restaurante, só que hoje senti que a quantidade de arroz realmente me afeta: é muito! Ao longo do dia, apesar de a bateria do meu celular ter acabado, meu chefe ter voltado e eu ficar pensando toda hora que hoje começaria o carnaval no Brasil, consegui manter meu humor. Talvez tenha sido o e-mail lindo que meu namorado mandou no meio da tarde – mesmo de longe, ele sempre sabe me agradar.

Quando chegamos do trabalho, um riso sarcástico invadiu nossa casa: estávamos sem energia! Como tínhamos que nos aprontar rápido porque Mike estaria nos esperando em uma hora e meia do outro lado da cidade para o jantar das mulheres, só nos restou tomar banho com potinhos e nos trocar e nos maquiar a luz de velas. Para que a situação não se tornasse trágica, lembramos de duas latas de Heinekken na geladeira, que ainda estavam geladas, e brindamos a nossa nova realidade. É, mais do que nunca queríamos sair. Peguei o carregador do meu celular e pensei “vai ser lá mesmo que vou recarregar”.

Pegamos um táxi, compramos bebida (a única coisa que o Mike pediu para o jantar era que cada uma levasse um vinho) e encontramos Tânia por perto: todas juntas rumo à casa de Mike. Depois de estarmos um pouco perdidas, mesmo tendo estado lá há menos de uma semana, chegamos. Petra, da Romênia, e Hanna, dos Países Baixos, já estavam lá. Só faltava Trace, dos EUA. Restou-nos admirar todo o cuidado com que Mike preparou a mesa: tive que tirar foto! Como admirar só não seria nosso forte nesse dia “diferente”, fomos para a varanda fumar (eu não, mas todas as outras), beber vinho e comer petiscos. Antes de me juntar às demais, coloquei meu celular para carregar e pedi, ainda, para acessar a internet para que eu pudesse conferir meu e-mail: pela primeira vez eu e Pedro não nos falamos diretamente (respondi, mas ele não me retornou mais) e eu, triste, resolvi informá-lo do meu dia atípico.

A conversa na varanda estava boa. Dentre os assuntos tratados, descobri que a situação em que estávamos passando (sem luz e água) é uma espécie de “boas-vindas” e que, agora sim, poderia me considerar em Gana. Trace se juntou a nós mais tarde e, exceto Mike, os homens da casa iam nos cumprimentar e ao mesmo tempo se despedir porque eles foram dispensados da ocasião especial. Fiquei boa parte do tempo trocando ideia com Trace, ela realmente é muito gente boa.

A fome batia e Mike finalmente nos chamou para o jantar tão esperado. Foi incrível! Ele só entrava na sala de jantar para servir, ele não se sentou com a gente. Confesso que foi estranho, mas entendi que sua única intenção ali era fazer com que nós, mulheres, apreciássemos cada detalhe do que ele havia providenciado na noite. E como ele nos fez feliz: batata assada com molho branco especial, legumes cozidos, salada, purê e pernil. De sobremesa: sorvete de creme com calda de framboesa e cobertura de chocolate, chocolate com castanha e ferrero rocher. Para me fazer esquecer de vez minha rotina ganense, Petra preparou-nos CAFÉ! Puro, forte... delicioso!

Mas todas essas delícias não fizeram com que as mulheres ficassem satisfeitas a ponto de a noite acabar por aí e Mike nos levou até a casa de Bob (o que foi muito bom, porque estávamos muito perto de casa). Lá, bebemos mais vinho, conversamos e, enquanto todos já planejavam uma “próxima parada”, resolvi aceitar a carona de Mike para casa: só eu, ele e Hanna desistimos por aqui, porque os demais queriam mesmo encerrar a noite no Duplex. Chegando em casa: a energia havia voltado! Menos mal. Resolvi mandar e-mail de novo avisando sobre o ocorrido antes de dormir.
PS: Na foto da mesa, estamos (em sentido horário) eu, Hanna, Tânia, Aga, Petra e Trace.
PS 2: Na última fotos, fica claro o aperto do carro, com o Mike de motorista e as seis mulheres.

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