segunda-feira, 26 de abril de 2010

Sábado, 27 de março – À caça de energia

Hoje foi dia de faxina – obviamente que eu não fui a responsável por ela. Mary chegou às 8h30 e eu voltei a dormir até o momento em que o ventilador parou. Como fica sem condições dormir sem ventilador nesse calor, resolvi sair fazer comprar para o almoço que Mary havia prometido para esse final de semana. No supermercado comprei filé de frango, tempero pronto e arroz. Em frente a ele, comprei vagem, cenoura, pimentão, tomate, cebola, manga e abacaxi (para fazer suco natural). Quando cheguei em casa, me toquei que teria de comprar fósforos (porque o fogão é elétrico) e desistir do suco de abacaxi porque não teria como ligar o liquificador – esperta!

Como a energia não voltava a situação ficou feia: além de estar morrendo de calor sem ventilador, a bateria do meu note só foi suficiente para mandar mais uma versão do freela pedida e a bateria do meu celular ficou vazia. Meu desespero começou a apertar e comecei a pensar os possíveis lugares que poderia pedir abrigo para recarregar minhas baterias – levando em consideração que eu saberia chegar sem pedir indicação e correndo o risco de não encontrar ninguém e ter de voltar atrás.

Por falta de energia, não pude confirmar se Aga e Ryan viriam almoçar em casa como havíamos combinado no dia anterior, portanto a quantidade preparada foi pensada para três pessoas: no final, não vieram e sobrou comida até, que com certeza seria requentada depois. Para completar, ela havia pedido para comprar um quilo de carne e não usou tudo: dinheiro perdido.

Barriga cheia e faxina encerrada, parti para a casa da Ana. No caminho, ainda em Osu, encontrei com Heather e perguntei se ela tinha energia, já que ela mora na mesma região e descobri que também não tinha. Segui rumo à Ana e depois de 10 minutos em frente ao portão do prédio, um dos funcionários apareceu para abrir. De mala e cuia [notebook, celular, comida – para deixar na geladeira], bati no quarto da Ana e... ela estava lá! Foi um alívio. Ela teria um jantar e sairia às 18h, mas deu para assistir The Mentalist e o início de um filme, enquanto recarregava meu celular e meu note. Dada a hora de ela partir, fui com ela até o Accra Mall, onde ela jantaria, e segui no táxi sozinha para casa.

Tentei ligar o note para enviar e-mail para o Pedro antes de sair, mas ele não havia carregado. Restou-me partir para o Frankie's (Fast Food bastante conhecido aqui), em Osu mesmo, pois havia combinado com o Jeff, meu amigo norteamericano, de irmos juntos conhecer já que ele iria embora na quarta-feira seguinte. Como descobrimos que o hambúrguer é razoavelmente grande e também caro (¢12, inclusa uma porção de batata frita), dividimos. Como ele estava com máquina, ainda tiramos foto na frente do estabelecimento – após várias tentativas frustradas de pedir para alguém tirar conforme queríamos [com a escrita ao fundo].

Como é comum de um morador da LC House, Jeff não tomava banho há dois dias. Eu não tinha luz, mas tinha água e ofereci essa possibilidade, já que minha casa é bem perto de onde estávamos. Enquanto ele tomava banho, liguei para o Pedro daquele jeito rápido de ser, informando minha situação – odeio ficar sem falar com ele direito. Assim que o Jeff terminou, fomos ao Duplex, onde rolava o aniversário do Nader, libanês namorado da Mariska: com direito a bexigas e bolo com velas “discretas”. Não aguentei curtir a festa por muito tempo e, como Lúcia estava comovida com minha falta de água e me convidou para dormir na casa dela, acabei indo embora assim que ela cogitou a possibilidade – passando em casa antes para pegar minhas coisas. A parte ruim é que o Duplex é extremamente perto de casa e a casa dela é perto do meu trabalho, mas na falta de energia, está valendo! Assim que chegamos lá, lanchamos e fomos dormir.
 
PS: Fico devendo a bendita foto em frente ao Frankie's - Jeff não me repassou ainda.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sexta-feira, 26 de março – Finalmente Melcom!

Sem ter madrugado noite afora pelos bares da vida, eu perdi a hora. Na verdade, eu havia acordado, mandado mensagem falando para Mr. James me ligar quando estivesse chegando em casa – como de costume – e dormi de novo. Quando ele ligou, estava dormindo e seria IMPOSSÍVEL ficar pronta há tempo: o informei que iria mais tarde – morrendo de vergonha, obviamente. Lá vai a Jaqueline pegar táxi para ir ao trabalho: menos ¢4.

Durante boa parte do dia, sem demandas, fiquei fazendo upload de fotos no Orkut até que no meio da tarde um design de jornal me foi repassado e, através deste serviço, aprendi todo o processo da pré-impressão. O recado ao final do expediente é que no dia seguinte poderia acompanhar o trabalho sozinha – só não me toquei de que o dia seguinte era sábado, mas nem me preocupei porque eles sabem que não trabalho aos sábados.

Assim que chegamos em casa, nos deparamos com um apagão: sem eletricidade! A nossa sorte é que Ryan nos havia convidado para ir à sua casa beber e beliscar algo. Incrível, mas com a ausência de luz nos tornamos muito mais rápidas, ainda mais quando a ausência de luz implica em ausência de ventilador, portanto: forno!

Pegamos um táxi para North Industrial Area e no caminho descobrimos que era melhor passar e algum lugar para as compras: eis que conheço o famoso Melcom (rede de lojas de variedades bastante conhecida em Gana). Estava toda feliz que os produtos eram mais em conta e aproveitei para comprar leite e pasta de dente, além da garrafa de whisky, energéticos, coca-cola e batata “tipo Springles” para a noite – com direito a um picolé de creme com casca de chocolate com amêndoas... babei! Porém, como diria o ditado: felicidade de pobre dura pouco. Assim que pagamos e eu aguardava a Aga em frente à loja, minha sacola arrebentou e, além das minhas compras pessoais, a garrafa de whisky se foi, quebrada em pedaços. O que nos deixou mais inconformadas é que era a última-de-marca-boa-e-preço-mediano: só dá eu esperando a Aga comprar outro whisky que, pela pobreza de trainee, foi da marca-ruim-de-preço-barato.

A noite foi boa, descontraída: conversa enquanto eles fumavam, enquanto eu, como sempre, bebia e comia. Tudo com direito à música no notebook do Ryan. Como estava na onda de novas-músicas-no-meu-notebook, fiz questão de copiar umas para meu pendrive. Na hora de ir embora, obviamente Aga ficaria e Ryan me deu carona até o cruzamento “mais movimentado” próximo à sua casa, onde eu peguei táxi até Osu: dia seguinte seria mais um dia que começava cedo, porque Mary viria de novo.
 
Fiquem com uma das músicas selecionadas de hoje:

Quinta-feira, 25 de março – Quando parece que vai andar...

Mais uma vez vou sozinha ao trabalho, mas desta vez eu teria algo com o que trabalhar assim que Aga chegasse. Adwoa realmente cumpriu o combinado e nos ensinou todos os procedimentos relacionados a vendas. Para mim, foi ainda mais interessante porque praticamente sei todas as etapas da produção gráfica. Agora sim, como me foi indicado, preenchi o orçamento para enviar ao cliente de Philippa, mas infelizmente não tínhamos internet, portanto o envio ficou por conta de Adwoa assim que a internet voltasse. Encerrada minha etapa de vendas, voltei ao designing para mostrar o serviço que haviam me passado no dia anterior e descubro que era apenas um teste – relevo porque realmente preciso ser testada antes de assumir maiores responsabilidades. Pedi mais serviço, mas Khartik estava ocupado demais para isso.

Assim que cheguei em casa, me arrumei para ir jantar com o pessoal no Melting Moments, pois mais uma vez Bobi viajaria para casa (Romênia) – que vida chata, não?! Para ir, peguei carona com ele e Petra que moram bem próximo de casa. Chegando lá, me deparei com preços muito bons diante da aparência do local e da variedade de opções no cardápio. Após ler e reler umas três vezes, fiz meu pedido – que fora modificado mais uma três vezes, porque as refeições que havia escolhido não “estavam disponíveis”. Macarronada ao molho branco, com cogumelo e frango, seguida de frapê de capuccino com whisky (lembrei do frapê de capuccino do Habib's e não resisti pedir... ainda mais com whisky): uma delícia! De lá, migramos para o Duplex, onde fiquei apenas para uma cerveja porque queria falar com o Pedro.

Pela primeira vez decidi ficar com a roupa que havia saído, mais arrumada. Ajeitei a iluminação da webcam e esperei. Como ele não aparecia online, resolvi ligar: infelizmente, ele não entraria, porque estava com problemas na internet. Para não ficar triste, decidi fazer upload de fotos no Orkut, afinal meus álbuns estão bem atrasados – detalhe que Aga e Ryan passaram em casa para ela pegar suas coisas e ir para a casa dele... e eu ali, de volta mais cedo, sem Pedro, fuçando no Orkut... c'est la vie!
 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Quarta-feira, 24 de março – Plano A e B? (Saudade XIII)

Logo de manhã, de cara, começo triste: Aga iria mais tarde para o trabalho porque iria comprar suas passagens de volta para casa – ainda tem mais de um mês, mas o tempo sem contagem regressiva é menos pior. Assim que chego, decidi pedir serviço para o Khartik direto e ele me passa um mais complexo: deveria preparar um prato para impressão com dois cartões de visitas, um ticket e um flyer frente e verso, possuindo a mesma quantidade para cada um.

Quando é chegada a hora do almoço, Philippa me informa que não voltará a empresa antes de segunda-feira devido à licença médica e me repassa um orçamento para fazer e enviar ao cliente junto com Adwoa, que me ensinaria. Porém durante a tarde Adwoa não estava na empresa, assim como Khartik não estava por perto para conferir se o que eu havia feito estava correto. No meio da tarde, Mavis, a recepcionista, me encaminhou um cliente “do nada” e eu pedi a Alice que o atendesse, já que ainda não havia recebido as instruções burocráticas de atendimento. Alice fez uma cara de “poucos amigos” e atendeu.

Mavis soltou uma “vocês não podem reclamar que não estão trabalhando” e eu fiz questão de levantar e ir até o balcão de atendimento explicar que eu estava com dois assuntos pendentes e aguardava informações suficientes para um atendimento de qualidade e não “meia boca”. O problema é que nenhuma das duas pessoas que deveriam me ajudar estavam presentes e fiquei uma hora “à espera” - entrei no MSN como ocupado e me deparei com o Pedro ON no Yahoo, aproveitei para conversar um bocado.

Restando meia hora para o final do expediente, Adwoa chegou e me informou que estava ocupada e que me auxiliaria e nos ensinaria no dia seguinte assim que chegássemos na empresa. Além disso, assim que Alice concluiu o atendimento, me chamou informando que no dia seguinte de manhã deveríamos [eu e a Aga] procurá-la para ela nos ensinar o processo. Diante das circunstâncias parece que agora sim aprenderíamos para começar a trabalhar.

No final da tarde, Aga não vai comigo embora porque gostaria de buscar fotos com Barthek em Kaneshi (ele está para ir embora na semana que vem) – diferente de mim, ela foi rápida, dando tempo de chegar em casa para ir comigo à salsa. Quando chegamos à salsa, as aulas já haviam acabado, porque começam cedo, mas deu para dançar um bocado. Lá encontramos Ana, Jeff, Bea, Stefania e mais dois amigos – para variar, não sei o nome. Assim que deram 22h, resolvi partir, pois havia marcado de falar com o Pedro às 22h30. Como estava morrendo de fome, pedi ao taxista que parasse em algum lugar em que eu pudesse pedir comida e ele parou num lugar bem bacana praticamente a caminho de casa: eram dois pedaços de frango e batatas fritas garantidos (detalhe que quando cheguei em casa, ele queria me cobrar mais por isso!).

Por conta dessa minha parada, dei uma atrasadinha de uns quinze minutos, mas o Pedro me entendeu... e ficamos conversando até três da manhã, entre risadas, lembranças, vontade de estar junto... muita saudade. No MSN também me fizeram companhia a minha priminha querida, Karen, a Grace e a Aline, bem como o Gabriel da Aiesec JF, se atualizando de tudo o que acontece por aqui.
 
Minha prima linda de quase todas as férias

Terça-feira, 23 de março - Agora sim, útil!

Logo de manhã cheguei disposta a mandar ver no departamento de Designing enquanto ninguém me dá atenção – drama! E eu recebi um desafio de cara: preparar a pré-impressão de um manual de celular. Foi engraçado e revoltante esse processo, porque fiz umas três vezes o design. Primeiro porque ele havia me mostrado um manual de 24 páginas e foi o que eu fiz. Mas quando o levei para ele checar, ele me disse: “Mas e agora, se eu preciso de uma manual de 20 páginas?” Voltei para meu notebook de novo. Quando desenhei uma nova possibilidade, ele disse que era para caber mais UPs em uma mesma folha e percebeu que havia me passado as medidas erradas. Volta a Jaqueline para o notebook de novo. Até que finalmente deu certo – com pequenos ajustes finais.

Por conta desse vai-e-vem, o dia passou rápido, mas o problema é que o dia das “ladies” estava mais longo do que nunca e ficamos esperando por DUAS HORAS. Quando completamos um pouco mais de uma hora, resolvemos que precisávamos de uma cerveja gelada. Cacei um lugar para comprar na esquina da rua onde trabalho e quando voltei, James estava indo embora e disse que poderia nos dar uma carona. A minha sorte é que havia combinado com a Ana de ir na casa dela copiar fotos do nosso passeio por Acra e de Ada, portanto poderia beber com eles lá. Fui até metade do trajeto com o motorista da empresa, depois desci e peguei um táxi até a casa de Ana. Acho que paguei mais do que deveria, porque não tive muita noção de distância para barganhar um preço justo, mas estava lotada de coisas e cansada de esperar, então acabei nem ligando de pagar um pouco mais.

Chegando lá, estavam Ana, Nick e Bea, esperando Stefania para juntos comprarem comida para jantar. A Stefania demorou tanto que deu tempo de beber uma das duas cervejas que havia levado. Apesar de o local onde fomos comprar comida ser muito perto, Nick pegou seu carro para irmos. Mas o local que eles mais pedem já não tinha tanta opção de comida (restos), então partimos para outro local, que, apesar de ter demorado uma hora para preparar nosso pedido, nos preparou a melhor comida barata que já comi aqui: arroz, salada e tiras de carne vermelha com legumes – quase lambi a embalagem da “marmita” (não aquelas de alumínio, mas de isopor). Logicamente, pedimos umas cervejas para acompanhar.

Apesar da ideia inicial ter sido um jantar tranquilo entre amigos, o clima pesou com a insatisfação de Stefania com o trabalho – detalhe: ela completara uma semana aqui e estava reclamando de tudo. Ficamos os demais tentando mostrar como lidar com as situações e como aproveitar essa experiência mesmo diante de circunstâncias não tão agradáveis – inclusive, citando exemplos que aconteceram/acontecem conosco. Ao final da conversa, percebemos que ela não estava melhor do que antes, mas pelo menos tentamos – incrível como é difícil para algumas pessoas se adaptarem à cultura local ou pelo menos aceitarem, tentarem entender (segundo Nick, esse comportamento “reclamão” é típico dos europeus orientais e, parando para pensar nas pessoas que conhecemos aqui que são de lá, acabei concordando em parte. Em contrapartida, Nick opinou que o comportamento brasileiro é o mais empolgado, do tipo: “Está ruim? Vamos dar risada, dançar, beber e ser feliz! Para quê piorar?” – fato!).

Assim que acabamos de comer, fui mostrar os arquivos que havia preparado para o Nick, que pediu umas correções. Em seguida, copiei as fotos da Ana com direito a novas músicas – para completar as poucas que trouxe em meu note. Fiquei muito feliz, porque agora tenho músicas daqui também, incluindo o hit African Lady! Adoro!



Na hora de ir embora, Nick me ofereceu carona, mas deveria esperá-lo finalizar a cerveja. Fiquei um pouco preocupada porque combinei com o Pedro que, assim que chegasse, o ligaria para falarmos na internet e já eram onze horas – de qualquer forma, seria ruim achar um táxi naquela região àquela hora sozinha. Quando cheguei em casa, outro imprevisto: a Aga havia esquecido a chave na porta de casa e eu não conseguia abrir. Foram mais de 20 minutos ligando, batendo na porta, acendendo a lanterna do meu celular na janela do quarto dela e gritando seu nome, até que “graças a Deus” ela abriu. Liguei para o Pedro, mas já era uma da manhã e a única coisa que me disse é que amanhã a gente se falaria – é, vacilei.

Segunda-feira, 22 de março - Um pouquinho de design e... só!

Acordei mais cedo para tentar terminar o freela antes do trabalho, mas não foi cedo o suficiente. Fui sozinha para variar e chegando, pensei em concluir no trabalho mesmo, mas não queria abusar. Enquanto isso, Philippa não me chama, então resolvo pedir para Khartik algo com o qual eu pudesse trabalhar. E ele me dá dois cartazes para finalização durante o dia. Não foi o mais produtivo, mas pelo menos fiz algo.

À noite, pude mais uma ver desfrutar da minha conversa por webcam com o Pedro, exceto quando o moço estava comendo – sempre desliga na minha cara! De qualquer forma, adoro ficar adivinhando qual é a refeição da vez. A frustração foi quando descobri que era miojo – e eu bem pensando que poderia ser algum prato preferido nosso que comentamos em nossos e-mails pergunta-resposta. A parte boa (ou seria ruim?) é que me lembrei do sukiaki do meu pai e fiquei espantada quando descobri que meu namorado não conhece yakisoba ou sopa de feijão – delícias que ele perde... ainda vamos experimentar juntos!

PS: Ele que faz o print (obviamente, porque meu coração está tosquíssimo) e eu que divulgo (editado para ver só nossas caras de felizes).

Domingo, 21 de março - Webcam!!! (Saudade XII)

Acordo morrendo de calor às 8h. Percebi que meu ventilador estava desligado. Ligo e durmo de novo até ouvir alguém batendo na porta: Mary chegou às 8h30 como prometido. Tentei dormir mais, mas o calor era demais e resolvi acordar e esquentar água para fazer café: foi quando me lembrei que Mary havia desencaixado o tubo para poder levar o bujão para fora da casa e limpar, e não conseguiu encaixar direito depois. O melhor: ela não sabia e Moroe não estava em casa, portanto não poderia pedir para ele conferir o que havia de errado.

Aga chegou no final da manhã e me chamou para ir a um jardim botânico a pouco mais de uma hora de Acra com ela, Ryan e Parshiv, mas eu queria ficar em casa falando com o Pedro (adoro domingos, por isso!) e trabalhando um pouco mais com o freela. No final, ela também não iria, porque Parshiv desistiu e estava em cima da hora para viajar sem ser de carro. Como já chegava a hora do almoço e eu não tinha gás direito para cozinhar em casa – mesmo tendo ingredientes –, perguntei se a Aga queria almoçar em algum lugar e acabamos indo ao Mamma Mia comer pizza: uma delícia! O bacana de lá é que as pessoas que frequentam são estrangeiras e é fácil encontrar famílias felizes com suas crianças fofinhas – por ser domingo, esse clima familiar parece maior... já que não tenho minha família por perto, gosto de ver famílias alheias juntas e felizes.

Saudade de sair com os pais num programa família

Aga foi direto de lá para a casa do Ryan e eu voltei para casa. Foi quando me toquei que eram quase duas horas da tarde e Mary não havia comido nada desde que chegou. Sugeri que cozinhasse o macarrão que eu tinha se ela conseguisse encaixar o gás e depois eu comeria no jantar ou ainda poderia levar para o trabalho no dia seguinte. Mas ela encerrou menos de uma depois e disse que cozinharia numa próxima vez para mim – não era exatamente para mim, mas tudo bem, pelo menos eu teria um almoço caseiro garantido. Sozinha em casa e com meu namorado enrolando (maneira de falar, porque ele me avisou que estava na casa de um amigo e entraria mais tarde) para entrar na internet, fiquei numa tarde de beleza – de vez em quando é bom como sempre digo.

Fui falar com ele lá pelas sete da noite e ele estava almoçando (esse meu namorado almoça tarde, do tipo: ele almoça enquanto eu janto e são apenas três horas de diferença – coisas de Pedro!). Desta vez, porém, nossa conversa foi bem melhor porque a espertinha aqui aprendeu a ajustar a webcam de maneira que seja possível ver além do meu sorriso e uma tela preta! Foi muito bom, mas ao mesmo tempo difícil. Incrível como a saudade quadriplicou podendo vê-lo... parece que está ali tão perto e ao mesmo tempo sabemos que estamos longe, muito longe. Foi bem difícil.

As horas voaram e ele precisava ir ver o jogo do Flamengo – a disputa por atenção é grande! Esses torcedores roxos... (pelo menos no primeiro tempo eu venci com uma forcinha da chuva em Petrópolis. Já fazê-lo perder o segundo tempo é sacanagem!). Assim que ele saiu, tentei concluir o freela ainda hoje, mas o sono foi maior e desisti: terminaria amanhã!

Sábado, 20 de março – Faxina de acordo, finalmente!

Coloquei o relógio para despertar cedo: 7h – afinal às 8h deveria me encontrar com Mary, que limparia minha casa hoje (a mesma que limpa a casa de Ryan). Peguei táxi, porque marquei no Koala e estava morrendo para chegar há tempo lá. Cheguei em ponto na hora marcada e fiquei esperando. Passaram-se 15 minutos e nada dela. Foi quando me deu um estalo: eu estava no ponto de encontro errado! Na verdade, eu deveria estar esperando por ela em frente ao Papaye. Como já estava super atrasada, peguei táxi de novo até lá. Nisso já havia gasto ¢2,50. Pior: nada de Mary! Tentei ligar para a Aga que estava na casa do Ryan, já que Mary não tem celular, e ela não me atendeu. Como não queria desistir de esperá-la, resolvi tomar meu café da manhã por ali: comprei pão doce com manteiga e uma coca-cola – seria café, mas na rua não é todo mundo que faz. Quando o relógio já marcava 9h, Aga me ligou informando que Mary estava na casa de Ryan, porque o apê estava alagado por conta de problema de encanamento e que ela não sabia que horas Mary iria para nossa casa. Pedi que me ligasse, porque eu não poderia ficar esperando na rua por um tempo indeterminado – além da uma hora que já havia esperado.

Meio brava por ninguém ter me avisado antes, comecei a voltar para casa. No caminho, alguém me chamou. Olhei e era um garoto e eu nem dei bola. Foi quando ele perguntou se eu não lembrava dele. Olhei de novo e vi que o conhecia de algum lugar. Foi quando ele disse: “Lembra que eu te mostrei como chegar no internet café?” Puts, exatamente! Como estava indo a pé para casa e não era longe dali, ele foi me acompanhando. Foi engraçado, porque ele veio perguntando um monte de coisa, contando sobre a família dele, enfim. Só sei que quando fui chegando na esquina de casa, eu já comecei a me despedir: “Bom, eu preciso ir agora, tá?! Tchau!”.

Já que eu estava acordada àquela hora, resolvi trabalhar com o freela até dar a hora de ir encontrar Mary. Quando eram 11h30, resolvi comprar meu almoço e já ir esperá-la – desta vez no posto da Shell, mais perto de casa. Para variar, comprei meu almoço no Master's. Quando cheguei no posto, fiquei sentada esperando nos degraus em frente à loja de conveniência. Como estava muito calor, comprei um FanYogo – tipo geladinho sabor iogurte de morango, vendido a ¢0,50 por ambulantes nas ruas ou em lojas de conveniência, supermercados (tem outros nomes, sabor chocolate e sabor baunilha, ou ainda Tampico em saquinho por ¢0,40). [Para quem não entendeu minha explicação, só acessar a página de produtos da FanMilk]

Bem poderia ter sido uma espera tranquila, até que dois vendedores se aproximaram: um com colares e outro com pulseiras com as cores de Gana personalizadas com seu nome. No início, queriam vender, depois um deles começou a querer saber meu nome, meu país, até namorado perguntou se eu tinha – isso porque eu estava no meu modelito shorts de lycra com uma babylook e chinelo. Além disso, ganhei um colar, que eu tentei recusar de todo jeito falando que não ia pagar, mas ele insistiu em dar. O pior é que não podia sair de lá, porque Mary já havia me ligado avisando que estava a caminho. O que me deixou mais revoltada, e me deixa, é que por mais que eu diga aqui que tenho namorado, o fato de ele estar no Brasil não significa que eu não possa ter um namorado em Gana. Será que é porque sou obruni (branca, em twi), eles acham que sou “saidinha”? Povo doido. Só sei que no final das contas, depois de me falar que eu tenho um “corpão” (que raiva!!!), o carinha me pediu dinheiro para comprar arroz. Expliquei que eu não tinha dinheiro. Aí ele pediu para comprar um FanYogo, igual ao que eu tinha na mão. Falei para ele que, para quem queria arroz, um sorvete era bem diferente. No final das contas, começou a querer dinheiro mesmo e disse que havia me dado um colar. Eu peguei o colar e dei de volta falando que eu não queria. Depois de um tempo de ele me enchendo o raio da paciência, resolvi dar ¢1 para ele e ele ainda me disse que não ia dar o colar de volta. Eu, revoltada, falei objetivamente: “Quem disse que eu quero? É para você esse ¢1 porque não quero mais falar com você” - sim, às vezes eu acho que sou tonta demais e eu juro que tento ser grossa com as pessoas, mas não consigo. Ainda bem que Mary chegou e pudemos ir embora – mas antes de irmos perguntou se o cara era meu amigo. Nem comento.

Chegando em casa, almocei, twittei, li e escrevi e-mails, trabalhei mais com o freela. Enquanto isso, Mary fazia O faxinão: no final do dia eu já conseguia ver os vidros das minhas janelas, que antes eram puro pó preto – nem sei quantos meses aquele negócio nojento estava lá, porque quando cheguei já estava assim. O serviço era tanto, que ao final da tarde Mary falou que iria embora e voltaria no dia seguinte porque estava cansada. Detalhe que começou a chover horrores bem na hora e ela acabou ficando mais. Passada a chuva, ela se foi e voltaria no dia seguinte às 8h30 – tudo bem que seria domingo, mas minha vontade de ver a casa limpa era maior do que qualquer coisa.

No final da tarde, consegui falar com o Pedro pelo MSN e ele pelo Yahoo. Foi bom, porque hoje eu sairia à noite em uma festa na casa do Paul como despedida do Giovani – na verdade, ele vai embora daqui a um mês, mas daria para juntar com mais outras duas pessoas que também estão indo e fazer uma festa maior. Só sei que combinei de ir na festa mais tarde para ter tempo de falar com ele um pouco antes: a festa começava às dez e marquei de ligar para a Lorena às onze – teria uma hora desde a hora que o Pedro chegasse em casa.

Fui encontrar a Lorena com o pessoal no The Honey Suckle, porque eles estavam terminando de jantar lá. Mas quando cheguei e entrei, não havia ninguém conhecido. Como não achei que era possível eles terem ido sem mim, pensei em ligar para a Lorena, mas a bateria do meu celular acabou. Como última alternativa, entrei e saí duas vezes, até que comecei a desistir e procurar por um táxi para ir sozinha direto. Foi quando os vi em frente a um restaurante bem próximo, na mesma “rua” (porque aquilo não é uma rua definitivamente!): eu havia entendido errado!

Da galera que estava jantando (seis pessoas), apenas Lorena e Cristian iriam para a festa. Eu havia anotado as orientações para chegar ao local no papel, porque ninguém sabia como ir, mas quando Lorena viu falou que era explicação demais e o taxista não entenderia... pensei: “Então por que o Giovani havia mandado pelo Facebook e ela havia pedido para anotar?”. Só sei que ela ficou ligando para o Giovani para seguir instruções dele para ir e eu com o papel na mão. Teve uma hora que a gente estava quase chegando e ela não sabia onde virar. Foi a Jaqueline tentar ler o papel no escuro: li e falei como chegar antes que ela ligasse de novo. E achamos! - sabia que meu papel inútil era útil afinal.

O local era bacana, com uma boa área aberta e estava cheio de gente, sendo que eu conhecia metade – sensação estranha de quem está ficando velho na cidade. O melhor da noite se resumiu a novas amizades, incluindo a brasileira que havia chegado no meio da semana. Eu já havia encontrado Stefania e Beatriz no jantar na casa do Bobi, mas desta vez eu conversei melhor com elas: morarão aqui um ano e estão no mesmo “prédio” em que Ana e Nick moram. Já Tatiana, a brasileira, a vi pela primeira vez hoje e já descobri várias coisas em comum: é jornalista, geminiana e tem um namorado a esperando no Brasil. As diferenças? Já fez um intercâmbio antes daqui (na Romênia), já está no mercado de trabalho (ela tem 28 anos) e vai ficar um ano por aqui (e eu achava que namoro à distância de seis meses era o maior problema).

A conversa da noite, porém, foi com outra jornalista, Mariska. Tudo começou porque ela me perguntou se trabalho na Grafitec e me informou que ela trabalhou como trainee por quatro meses anteriormente. Foi incrível como eu estou vivenciando os mesmos problemas que ela viveu e que a fizeram desistir de tentar continuar ali. Ela voltou para a Holanda (seu país) antes do planejado e começou a procurar emprego. Como ela não conseguia e ainda havia deixado seu namorado em Gana (Nader, que é libanês e mora aqui), decidiu começar a procurar emprego aqui mesmo. Voltou e está trabalhando como jornalista na Enjoy, revista “concorrente” da What's On. Quando a informei da minha situação no trabalho, cogitou a possibilidade de eu tentar trabalhar em outro lugar, mas a expliquei que ficaria pouco tempo aqui e acharia complicado sair do meu internship.

Após fotos e troca de números de celular, dançamos (na verdade, eu deixei a Mariska livre para namorar um bocado, né?! Fui dançar no grupo das solteiras e “sozinhas”). A determinada hora, eu estava morrendo de fome – até mesmo porque não jantei e, de tanto conversar, perdi as pizzas que chegaram para o pessoal da festa –, então aproveitei que a Petra e o Bobi estavam indo ao Duplex para ir com eles – só pensando que era perto de casa e que eu poderia me dar ao luxo de pedir uma pizza pela primeira vez lá.

Chegando, Bobi e Petra também queriam comer, então rachamos uma. Na verdade, eu comi mais que eles – esfomeada – e eles mais beberam do que comeram. Aos poucos toda a galera que estava na festa foi chegando e o Duplex “bombou”. O mais engraçado é que havia bebido, mas nem tanto. Teve uma hora que eu estava conversando com o Bobi próximo ao bar e, quando olhei para trás, Brenda estava trocando blusa com Mike, dançando no “meio da pista” – e depois as brasileiras que são “saidinhas”. Uns minutos mais tarde, resolvi que era hora de partir – vai que a bebedeira pega, né?! Ainda bem que não dependia de ninguém nem de táxi e pude ir a pé mesmo, rapidinho.
 
PS: É difícil essa minha vida sem máquina! Nada de fotos...

Sexta-feira, 19 de março - Hoje é sexta-feira!

Sabe o que é um dia completamente à toa? Se não, eu sei! Digamos que só não liguei porque era sexta-feira e eu já estou cansada de caçar coisas para fazer. É aquele pensamento: “segunda-feira eu terei energias para isso”. Neste mesmo dia de tédio, percebi que realmente estou no exterior: online no Skype e no Facebook durante o dia. Além disso, escrevi um e-mail gigantesco para o Pedro, porque não falaria com ele nem hoje nem amanhã (provavelmente, porque tenho festas nos dois dias e ele trabalha de sábado). Enquanto isso... Philippa e Karthik? Esqueceram de mim.

Para melhorar nosso dia, ficamos esperando mais de uma hora para ir embora, sendo que as “ladies” já estavam prontas e não tiveram boca e perna para subir nos avisar – porque a Aga já as havia alertado. Como tínhamos um jantar polonês e romeno na casa de Bobi, pedimos para John, nosso motorista, passar na loja de bebidas próxima ao Koala para que pudéssemos comprar vinho – e as “ladies” que esperassem.

Bobi!!!

Chegando em casa, no meio da nossa “arrumação”, ficamos sem energia e definitivamente queríamos ir logo para a casa de Bobi, porém quando chegamos lá, como esquecêramos de imaginar, Bobi estava sem energia também, afinal ele vive em Osu. A parte engraçada é que a Aga precisava preparar a salada e ele e Petra cozinhar, mas à luz de velas não rolava. O jeito foi abrir o vinho e beber na área da casa – porque o calor era de matar.

Mike, Giovani, eu e Tânia

Mike chegou na escuridão ainda, mas alguns minutos mais e a luz voltou. Eu e Aga preparamos uma bela de uma salada – eu lavando e cortando os ingredientes e ela preparando o tempero. Ao mesmo tempo, Bobi e Petra cozinhavam. Mais tarde do que esperávamos a comida estava servida em duas mesas com todas as cadeiras e sofás na parte externa da casa, afinal havia uma boa galera por lá: além dos mencionados e cinco que não recordo o nome, Ryan, Tânia, Avi, Brenda, Lorena, Beatriz, Stefania, Cristian, Maria, Saulus, Giovani, Willian, Barthek e Cris (o novo polonês na área que irá substituir Barthek, prestes a partir). 

  
Estava tudo muito bom, mas ao término do jantar que foi servido às onze, eu só pensava em ir dormir e aproveite que Aga e Ryan estava indo embora para “pegar uma carona” (na verdade, tê-los como companhia em parte do trajeto). No final, conseguimos uma carona com Mike, pois mesmo morando perto ele não queria que eu fosse sozinha (afinal os dois pegariam um táxi e eu não). Chegando, capotei sem pensar na ausência de energia – ainda bem, porque dormir sem ventilador aqui é um sacrilégio.

Quinta-feira, 18 de março - Novas experiências, velho costume

A partir de ontem, independente de reunião com o pessoal do Marketing, eu tinha algo para fazer e passei meu dia trabalhando com design, na verdade: aprendendo e recapitulando o ensinado. Definitivamente me lembra muito o detalhismo do Departamento de Qualidade de quando trabalhei na Acesso.

No meio da tarde, recebi uma ligação da Ana perguntando sobre os planos para o dia de hoje, como estava completando dois meses de namoro, expliquei que pensei em ir no Ryan's e depois voltar para casa ficar namorando. Mas havia algo diferente em sua voz: ela não estava bem porque seu rolo não era mais rolo e precisava muito da minha companhia para “beber muito”, emendando Duplex no Ryan's – o que significava “não ter hora para ir embora”. Como eu gostaria que me desse atenção se acontecesse o mesmo, mandei um e-mail para o Pedro avisando o imprevisto.

No final do expediente, Philippa resolveu me chamar e me perguntar o que eu havia aprendido sobre a impressão digital e se eu tinha dúvidas. Foi bem diferente das outras vezes, porque ela não estava somente falando comigo, mas olhando algo em seu computador, portanto nem deu as alfinetadas de costume ou lançou uns olhares de reprovação. Ao final da conversa, que durou um pouco mais de dez minutos, explicou quase “muda” (o tom de voz dela é super baixo) que seríamos [eu e Aga] testadas amanhã para trabalhar com vendas e de segunda a quarta-feira ficaríamos por conta das vendas tanto da Grafitec quanto dos anúncios da What's On – só vivendo para saber se esse plano seria cumprido.

Assim que cheguei em casa, Ana me ligou falando que eles planejavam fazer um esquenta antes de tudo na casa dela, mas eu preferi ficar em casa e ir direto para o Ryan's por quatro motivos: 1) não seria uma boa ideia para mim ficar bêbada em plena quinta-feira de aniversário de namoro; 2) o freela ainda existia e foram requisitadas algumas alterações, que me tomariam tempo e que não poderiam ser feitas no trabalho; 3) o Ryan's é perto de casa; 4) a promoção de beber pela metade do preço vale até às nove, portanto perderíamos a promoção – de qualquer forma, este item foi praticamente descartado, porque não chegaria antes das nove lá, devido ao freela.

Ana me ligaria assim que estivessem saindo para o Ryan's, mas já eram nove horas e nada. Então resolvi ligar e, como fiquei sabendo que eles demorariam meia hora, fui antes para lá. Chegando, encontrei Hussein, mas não encontrei Heather, que Ana havia comentado que já estaria por lá. Como não havia mais ninguém conhecido, fiquei com ele, o Josh (a causa do problema de Ana) e um amigo, e como já havia passado a promoção resolvi pedir um drink – me recuso a pagar ¢5,50 em uma cerveja que normalmente é ¢3 u ¢4 nos bares. Escolhi Rum Runners, por ¢7 e, apesar de delicioso, parecia mais uma mistura de sucos: doce e fraquinho de álcool.

Ana não chegava de jeito nenhum e eu estava cansada de ficar ali “do nada” com os meninos, então assim que acabou meu drink migrei para o Duplex. Só havia o Bob e o Bobi quando eu cheguei (descobri que o Bob Ciprian na verdade é Bobi com “i” e o dono do Duplex que é verdadeiro Bob). Pedi uma cerveja e rachei uma pizza, enquanto aos poucos o bar enchia. A Ana mesmo com o pessoal chegou mais de meia hora depois, alegrinha, e ainda foram “dar um pulo” no Ryan's, enquanto eu fiquei só aguardando o momento em que de fato eu faria diferença como companhia. Ela voltou uns vinte minutos depois e, quando havíamos dançado um bom tanto e eu havia bebido quatro cervejas, decidiram partir para o Bella Roma.

Só visualizando para entender como vamos a tantos lugares em pouco tempo

Como não estava no clima do esquenta ["felizinha"], resolvi ir embora vinte minutos depois, afinal a razão me lembrava de que amanhã ainda era dia de trabalho. Antes de dormir, ligo para o Pedro, que fala para eu entrar na net. Eu, como não resisto, entrei, só que minha energia durou um pouco mais de 20 minutos (quando digo minha energia é a minha mesmo, do meu corpo... sim, dormi no note de novo: está virando moda).

Quarta-feira, 17 de março - Plano B

Quando acordei percebi que Aga não havia voltado para casa e fui para o trabalho sozinha. Chegando lá, sabia que seria mais um dia à espera de Philippa, mas no meio da manhã Karthik me pergunta se tenho interesse em saber como finalizar designs para impressão e, logicamente diante da minha super ocupação, aceitei o desafio, que começaria depois do almoço.

Foi bem bom saber como funciona a pré-impressão: me fez visualizar o outro lado dos serviços das agências de comunicação e entender cada cuidado necessário na finalização de uma arte para a gráfica. O dia passou rápido e, já entretida com outros assuntos, minha “chefe” resolveu me avisar no final do expediente que nossa reunião seria amanhã – será que ela se tocou que eu posso trabalhar de vez em quando?

Chegando em casa definitivamente precisava dormir, porque senão dormiria depois conversando com o Pedro: durmo das 19h às 22h40 – é, realmente estava com sono. Foi bom ter dormido porque não fiquei com sono, mas ele estava cansado e restou me despedir dele um pouco mais de duas [com dor no coração se não fosse ele ter “gritado” gol do Flamengo – é, ele não é tão perfeito assim e vai ficar bravo comigo por eu ter falado isso].

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Terça-feira, 16 de março – Não é legal, mas não me dão alternativa (Saudade XII)

Como havia me programado, assim que cheguei na empresa, fui procurar Mr. Nabil para tirar minhas dúvidas do material digital. Como não era muita coisa o que ele tinha de me passar, passei o resto da minha manhã pesquisando termos da impressão gráfica e digital, tanto em inglês quanto em português. Mas depois do almoço, minha paciência já havia se esgotado e resolvi ficar navegando à toa na internet, na maior cara dura mesmo. E foi bom, porque entrei no MSN e encontrei, além da Gi e do Renan, o Pedro online – foi quando descobri que é feriado em Petrópolis, pelo aniversário da cidade. Passei um bom tempo falando com eles, só parando para buscar os cartões de visitas que ficaram prontos (para entregar não sei para quem ainda, até mesmo porque nem e-mail da companhia temos) e ir cotar um preço com meu chefe porque a Philippa pediu.
Eu, turista - Homenagem à Petrópolis!

O fim do expediente chegou comemoradamente e eu só queria saber de sair beber um bocado. Como para variar o motorista teve que esperar mais pelas “ladies” do que pela gente, chegamos em casa apenas com tempo para tomar banho e trocar de roupa, pois mais uma vez iríamos ao The Honey Suckle – com Petra e Bob. Desta vez o jogo da noite era Chelsea x Internazionale, que venceu por 1 a 0. Além de ver o Júlio César atuando, pude conferir o Luís Fabiano na TV ao lado, no jogo do Sevilla: ADORO!

Hoje estava faminta e nem pensei em pedir salada: mandei ver num lanche de frango com bacon, acompanhado de batata frita – já Aga e Petra pediram salada. Ryan e Parshiv se juntaram a nós mais tarde. Depois do jogo, Aga, Bob e Petra queriam ir ao Duplex, mas Ryan e Parshiv haviam acabado de chegar e eu, para variar, queria falar com o Pedro. Como o Duplex é pertinho de casa, peguei carona com eles até lá e acabei topando tomar uma cerveja com eles antes de partir, já que havia conversado um bocado com o Pedro durante a tarde.

Meu irmãozinho "comigo" na formatura! Saudade!

Assim que cheguei em casa, tentei novamente ligar para o meu irmão (estou tentando desde antes de ontem, porque recebei um recado no Orkut tão fofo para os padrões Hiro, que não resisti!). Finalmente consegui falar com ele e foi muito bacana, mas para variar não controlei o gasto dos créditos e encerrei a ligação sem me despedir adequadamente – nem me preocupei porque meu irmão é “de boa”. Em seguida, fiquei namorando até umas 2h30, tentando esquecer que estamos tão longe... quando infelizmente tive que me despedir (maldito fuso!).

Segunda-feira, 15 de março – Facebook, eu me rendo!

Fui sozinha para o trabalho hoje pois Aga foi comprar suas passagens para voltar à Polônia, portanto chegaria mais tarde. Chegando lá, fui direto falar Armand na impressão digital. Ele havia feito nossas amostras, mas não havia feito as correções. Sentou-se comigo para fazer as correções. Em seguida, procurei Nasser para saber as alterações no material offset que eu havia produzido e ele me encaminhou para Mr. James, responsável pelo setor da impressão offset, porque eu havia cometido vários pequenos erros por se tratar de um assunto muito técnico. Poderia ter ficado desanimada, mas foi bem interessante a maneira direta com que James me explicou todos o processo de produção e me falou que não era necessário me ater a pequenos detalhes.

Aga chegou no meio da explicação e, assim que ele concluiu, subimos juntas de volta para nosso “local de trabalho”, onde expliquei tudo de novo para ela o que eles haviam me passado. Já que Philippa não nos chamava, fiquei fazendo as correções sugeridas em meus documentos, enquanto a Aga digitava o processo explicado por James. Depois do almoço, ainda tentei esclarecer umas dúvidas de materiais com Karthik e, depois, com Mr. Nabil, que não estava em seu escritório – esclareceria no dia seguinte pela manhã. Só sei que na falta do que fazer, fiz meu perfil no Facebook (Aleluia!) e descobri o quanto realmente eu precisava dele – meus amigos não param de aparecer, tanto pela quantidade de convites pendentes que havia recebido anteriormente, quanto pela quantidade de amigos estrangeiros que fiz aqui e só têm Facebook.

À noite, só queria saber de internet mesmo e nada mais e, assim que conectei, vi minha mãe online no yahoo. Foi engraçado tentar chamar sua atenção para o bate-papo, porque ela não está acostumada a isso, até que resolvi ligar. Conversamos um bom tempo por lá e ela me contou as novidades da formatura do meu primo, Renan, e que eles [meus pais] emagreceram. Como já chegava a hora que havia combinado com o Pedro de conversarmos, me despedi e pedi que ficasse atenta nas próximas vezes porque eu poderia estar ON e conversar com ela através do e-mail.

Tomei banho, preparei uma sopinha Herbalife (motivada também pelas boas novas dos meus pais) e fiquei conversando com o Pedro na internet, mas meu cansaço não me permitiu ficar muito mais tempo: me despedi antes de uma da matina – depois de fazer mais planos para quando eu voltar (tantos planos...).

Domingo, 14 de março – Feitas as pazes, jantar coletivo e... susto

Acordei quase meio dia e preparei meu almoço (sopa da Herbalife! Mais prático e tinha em casa). Como pretendia falar com o Pedro à tarde, emendei no freela que o Nick me encaminhou ontem. Terminei rápido até e enviei, mas como não sabia exatamente se era o design que eles queriam (na verdade não criei, estou copiando porque eles não têm o arquivo digital), não contei como acabado. Um pouco mais de duas da tarde entrei na net e, enquanto não via o Pedro ON, fiquei conversando com o Renan sobre meus problemas (para variar) e com o Álvaro, que acabara de postar um vídeo no Café Blasé – blog de sua autoria (recomendo!).


Assim que o Pedro ficou ON, foi inevitável não focar toda minha atenção em nossa conversa – por mais que eu ficasse desviando a atenção no início, porque ainda estava com um “ressentimentozinho”. Como esperado, não brigamos, mas conversamos e o que era tristeza se transformou em vontade de matar a saudade – não sei se vocês entendem, mas relacionamento à distância ou é constante cobrança ou é constante atenção e qualquer um dos dois vem da saudade e causa essa contagem regressiva interna para a distância acabar (meu problema ontem foi porque estou acostumada com atenção constante e foi estranho cobrar). Feitas as pazes de algo que não era exatamente uma briga, o tempo voou e a Ana me ligava: eram mais de quatro horas e nosso jantar de hoje na casa dela, combinado ontem, tinha que sair e eu seria responsável pelas compras.

Conversei até às 18h e parti me arrumar já que havia de encontrar com a Lorena em frente ao Koala. Foi engraçado porque nunca havia comprado em grande quantidade aqui, muito menos queijo e carne moída – itens caros da alimentação local. Além disso, nosso plano incluía, além da macarronada à bolonhesa, caipirinha. E vocês, brasileiros, cairiam de costas quando soubessem que eu comprei os últimos seis limões thaiti por mais de ¢9 – mas a caipirinha já havia sido prometida. Acabadas as minhas compras, passei na loja de bebidas logo ao lado para comprar duas garrafas de vodka – não, não seria a legítima caipirinha. No final dessa aventura, restou-me no bolso o suficiente para pagar o táxi e ficar com uns quebrados... saí rezando para que todos os presentes fizessem a gentileza de me pagar, afinal gastei quase ¢60 (drama)!

Além de Lorena, Cristian também veio a eu encontro e juntos partimos no mesmo táxi para a casa de Ana. Chegando lá, o motorista quis cobrar o dobro do combinado e eu fiquei muito brava, explicando que era injusto me cobrar o dobro. Mas Cristian falou para eu pagar que eles ajudariam e eu, já estressada, falei que não precisava e paguei tudo – é duro ser pobre perto de quem ganha um salário de verdade e ao mesmo tempo não queria parecer uma coitada, pelo amor de Deus, né?!

Chegando lá, estavam Mathew, Ana, Josh, Heather e Nick. Ana partiu comigo para a cozinha para prepararmos a comida e comecei a perceber que cometi gafes: havia comprado polpa de tomate e não molho pronto – sendo que eu havia ligado para ela perguntando se ela tinha tempero ou se era necessário comprar temperado – e havia comprado apenas seis limões e não seria suficiente – mas eram os últimos e estava tarde, portanto não acharia alguém vendendo na rua. Pelo menos havia tempero lá e Ana se virou e ficou uma delícia o molho. Quanto aos limões, até tentamos pedir para Jeff que ainda não havia chegado, mas nem limão e nem refrigerante eles [Jeff, Kate e Roy] trouxeram, restou-nos [a Nick, Josh e eu] buscar refri mais tarde num posto (detalhe: em Osu!) – na verdade, Nick estava mais interessado no ChocoMilk (viciado, ele precisa beber um todo dia... um dia vou experimentar para entender o que tanto o atrai numa bebida de leite com chocolate).

Estava tudo muito bom, mas era domingo, o dia seguinte era segunda e eles moram em um lugar onde é complicado pegar táxi, principalmente de noite – e já passavam das onze. Acertadas as contas, iria aproveitar que Lorena e Cristian também queriam ir, mas eles fingiram que não me ouviram se despediram de todos e estavam indo. Como não queria ser estraga prazeres, resolvi sentar e esperar uma próxima oportunidade. O mais engraçado é que um minuto depois Nick perguntou se eu não queria ir com eles, porque seria mais fácil, aí eu disse que não sabia se eles queriam que eu fosse e eu poderia esperar. Em alguns segundos ele me chama para ir também porque ele [Nick] nos levaria. Heather aproveitou para se juntar a nós também (ela mora em Osu assim como eu).

Estava tudo resolvido e voltávamos com ele para nossas casa, mas chegando em Osu, próximo à minha casa, o policial o parou e pediu sua licença. A surpresa é que ele não tinha e o policial queria levá-lo para o escritório dele, reter o carro e... um rolo! Ficamos mais de dez minutos tentando convencer o policial de que isso não se repetiria e que poderíamos resolver da melhor maneira possível. Passei um aperto e, no final, o policial aceitou ¢10 que Nick o ofereceu – mais tarde descobriria que isso é super normal aqui (cada país com seus “negócios”). Mudamos nossa face do stress para o riso, afinal, apesar de apreensivo, foi engraçado.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Sábado, 13 de março – Hey, Accra!

Ana havia comentado de irmos à praia esta manhã e, em seguida, fazermos um tour por Acra – que ainda não conheço além de Kaneshi (onde fica a LC House), Osu (região onde moro) e North Industrial Area (onde trabalho). Mas pela noite de ontem foi claro notar que eu ficaria apenas com a segunda parte do plano: assim que ela me liga, recuso o convite para praia. Sahil também manda mensagem convidando para nos reunirmos antes de pegar seu voo, no mesmo bar em que nos reunimos com Peter, quase em frente ao aeroporto, mas infelizmente tenho que dividir atenções e o tour de hoje seria guiado por um ganense e de carro: oportunidade rara!

Uma das coisas inesperadas que você pode encontrar pela cidade - só prestar atenção!

Dormi até quase a hora do almoço, me recompus e parti para o Master's comprar meu almoço. Assim que acabei parti para o apartamento da Ana onde esperamos por Sena, seu colega de trabalho que nos guiaria.
Mas ele estava preso em uma reunião de trabalho e, após esperar por duas horas, resolvemos pegar um táxi até o Art Centre (Centre for National Culture), local bastante conhecido por oferecer tecidos, acessórios e souvenirs africanos. Adivinha com o que eu saí de lá? Dois tipos de pulseiras e dois pares de brincos: tudo por ¢28. Ana também comprou dois braceletes e um par de brincos. Ainda bem que Sena chegou para parar nosso espírito consumidor.

De lá, partimos para nosso tour. Conheci primeiro o Kwane Nkrumah Mausoleum & Memorial Park, onde havia um casal de noivos tirando fotos pelos jardins e onde eu tirei minha foto para a promoção da W100.


Passamos em frente ao Supreme Court e ao Usher Fort.

Depois fomos à Independence Square, onde há ainda The Independence Arch e um memorial para um soldado desconhecido (Unknown Soldier).

Em seguida, fomos ao Stadium, onde pisamos no gramado e assistimos um pouco de uma competição de karatê.

Logo depois, fomos ao The National Theatre, ao redor de onde havia um grupo de garotos treinando skate.

Por último tiramos uma foto em frente a uma igreja Mormon – detalhe: igualzinha à que há em Sousas – Campinas (foi quando deduzimos que seria uma construção universal).

Já a State House e uma igreja que a Ana adora ficaram para um próximo tour noturno, porque, segundo ela, essas construções são bem mais bonitas à noite – já que ela é a arquiteta, não discuti.


Sena deixou Ana em casa e, como mora perto da minha, também pôde me dar carona. Chegando perto de casa, descobri que um bar próximo ao Lara Mart (supermercado) é de um amigo seu e que a comida de lá é boa – mas só indo lá para dizer se é mesmo ou se é só porque é amigo dele (de qualquer forma é mais uma opção de lazer noturno por perto). Estava bastante cansada, mas como era sábado queria sair um bocado. Ana havia me convidado para ir ao Champs com ela, o Nick e o Mathew, mas depois da noite de ontem queria um programinha básico de maneira que eu voltasse para conversar com o Pedro. Assim, liguei para Lorena: ela estava jantando com Tânia e as duas pretendiam sair. Foram até a casa de Bob, onde pegaram carona com Petra e passaram em casa para irmos a um lugar por perto.

Na verdade, quando comecei a reparar para onde estavam indo, vi que nem era tão perto assim, mas de qualquer forma, o local estava fechado porque não havia eletricidade nessa região. Então partimos para o Bella Roma – particularmente adorei, porque é pertíssimo de casa. Hoje não queria beber cerveja, mas um drink diferente, até mesmo porque não ficaria muito tempo. Ao ler o menu de drinks quase morremos de rir e acabei pedindo um drink que não quero repetir o nome (sabe aqulas bebidas de Rodeio/Exposição com nomes do tipo “Suor de Virgem”? Exatamente esses tipos de nomes que eu encontrei, só que em inglês). Mais tarde, Cristian e mais dois conhecidos, cujos nomes não lembro para variar, se juntaram a nós. Acabado meu drink, parti – e nem estava muito empolgante: o pessoal estava meio mal humorado, sei lá.

O que eu não esperava é que, chegando em casa e conectando-me à internet, eu não encontraria Pedro online – na verdade, ele me enviou um e-mail avisando que entraria mais tarde, por conta de um aniversário de última hora que surgiu, mas eu não havia visto antes. Até aí tudo bem, porque aproveitei para conversar com meus amigos. O problema é que a hora marcada estava passando... e pela primeira vez fiquei chateada com ele. Chateada porque liguei uma vez e a ligação estava ruim, liguei uma segunda vez e ele não atendeu – sendo que na primeira ouvi que ela não estava se sentindo bem – e, por fim, liguei uma última vez e acertamos que não nos falaríamos hoje. Restou-me mandar um e-mail sobre e dormir – dormir e esquecer.

Sexta-feira, 12 de março – Dia parado, noite agitada

Se queríamos trabalhar com vendas, precisávamos ser testadas. E no meio da manhã Philippa me chamou de um lado, Adwoa chamou a Aga do outro, para isso. No meu caso, foi bastante interessante o resultado: tudo que ela me perguntava eu sabia – tão boa a sensação. Voltei para meu posto e ela me pediu para me empenhar na impressão digital para saber tudo sobre ela também, com direito a amostras de cada material usado – até me entregou uma caneta especial para escrever nos materiais. Logo antes de ir almoçar, fomos as duas [eu e Aga, já que ela também deveria fazer o mesmo] caçar alguém da impressão digital que pudesse nos ajudar – aproveitei e deixei o material que havia digitado sobre os dois tipos de impressão (com máquinas, suas funções, materiais usados, materiais produzidos e sua utilidade) a Armand, responsável pela impressão digital, e Nasser, um dos funcionários da offset.

Como estavam ocupados, deveríamos voltar na segunda para pegar os materiais corrigidos e nossas amostras da digital ficariam pronta ainda hoje, no final da tarde. Como nossa função delegada era apenas isso, depois de almoçarmos pão com salada (ainda bem que tínhamos o jantar de despedida do Sahil à noite para compensar nossa super refeição), ficamos ociosas. Mas hoje não queria nem saber, não mesmo – até voltei no final da tarde para buscar nossas amostras, mas elas ainda não estavam prontas, até mesmo porque ele tinha coisa mais importante para fazer, aí vamos pegar tudo na segunda.

A noite de hoje seria dedicada à galera reunida para se despedir de Sahil, que viajaria amanhã à tarde de volta à Índia, com a possibilidade de retornar em breve se seu novo emprego em Tema for oficializado. E reunimos uma boa quantidade de pessoas no Monsoon, tanto que tivemos de esperar vagar uma mesa [mais de quatro, na verdade]. Estávamos eu, Lisa (alemã), Willian (norteamericano), Anne (francesa), Mike (italiano), Lorena e Brenda (mexicanas), Bartek e Aga (poloneses), Bob e Petra (romenos), Avi, Parshiv e mais dois amigos (indianos) e obviamente Sahil. Enquanto esperava meu pedido, demorado como costuma ser aqui, fui na rua comprar crédito para ligar para o Pedro mais tarde – como havia prometido, se fosse ou não entrar na net. Comi sushi, quatro com salmão e quatro com camarão: muito bom! Como eu e Tânia estávamos com muita fome e estávamos do lado de Sahil, que comeu apenas um terço do seu macarrão (que estava uma delícia), “filamos” o restante e de hashi – foi bem engraçado!

Na mesa ao lado, havia avistado César e seu amigo (sempre esqueço o nome) – que eu e Lorena conhecemos em outra ocasião no Monsoon –, mas não os havia cumprimentado. Depois de comermos, reparei que Lorena foi até lá e achei melhor não ser mal educada. Para variar, fizeram questão de que pedíssemos um drinque com eles. Como ninguém estava bebendo cerveja, resolvi experimentar pela primeira vez mojito (vergonha de mim): gostoso, mas prefiro nossa boa e velha caipirinha. Nem terminei de beber, porque o pessoal da nossa mesa já estava fechando a conta e partindo para nossa próxima parada: Champs. Lorena ficou com a promessa de que eles iriam mais tarde. Fui no carro de Parshiv junto com Sahil.

Pagamos nossos ¢5 cada (convertidos em consumação) e entramos: estava lotado já. Como disse Tânia: lotado de crianças – até que não achei, mas ela é uns sete anos mais velha que eu, né?! A ideia de hoje era “bebemorar”, afinal Sahil estava animado por reunir todos e ao mesmo tempo queria uma despedida “de acordo”, tanto é que pagou várias rodadas de shots para a galera. Assim que deram dez horas, saí para falar com o Pedro: realmente não iria embora tão cedo de lá, afinal dependia de carro para ir e acabáramos de chegar. A conversa por celular com ele sempre é boa, mas, como esperado, voa e procuro não abusar, porque vira e mexe acabo ligando para ele – com meu salário de trainee aqui, melhor evitar gastos elevados em ligações. Voltei para dentro e bebemos, dançamos, rimos, bebemos, dançamos, rimos, bebemos! A noite foi longa, mas não lembro a hora que saí de lá. Só sei que cheguei em casa e fui direto dormir: trocar de roupa para quê? [Sim, de vez em quando me permito beber um pouco mais da cota]

PS: A primeira foto é da despedida do Peter, mas aproveitei para fazer uma homenagem a Sahil aqui, já que ele está bem à vontade.
PS 2: Na segunda foto, "Tequilas" do Champs... perigo!

Quinta-feira, 11 de março – É... por que não trabalhamos?

Se não fosse meu modem, eu teria morrido de tédio nesse lugar. Sim, confesso que resolvi cruzar os braços hoje e aguardar meu chefe nos chamar para nos colocar em atividade. Ele nos chamou sim, mas no final da tarde. Enquanto isso não aconteceu, fiquei conectada no MSN e pude conversar sobre tudo isso com o Renan, meu companheiro de aventuras na África, além de grande amigo e colega intercambista da Aiesec JF. Sempre acho bom trocar experiências com ele: definitivamente ele me entende e, inclusive, pode me dar dicas mais específicas sobre como proceder diante dos obstáculos de um internship como o nosso.


A reunião com Mr. Nasser, incluiu Phlippa, Adwoa, Aga e eu – o engraçado é que ele nos chamou para conversar um pouco depois de o Pedro estar ON no Yahoo e conversar comigo um bocado... Lei de Murphy. A questão que meu chefe perguntou para as duas era: “por que elas ainda não estão trabalhando com vocês?” Segundo Philippa, pelo menos, era porque ainda não estamos em rede com o Marketing and Sales Department. Segundo Mr. Nasser, nós podemos começar. As duas acenaram com a cabeça. Minha cara e da Aga era de “Será que agora vai?!”.

Quinta à noite é dia de Ryan's. É aquele papo de pagar metade do preço até às nove. Melhor ainda é saber que é pertinho de casa e dá para voltar a tempo de namorar. Foi estranho hoje por lá, porque geralmente encontramos um monte de gente conhecida sem combinar e eu e Aga não víamos ninguém. Só não fiquei tão preocupada porque sabia que Ana e Lorena apareceriam por lá. Ana chegou com Josh em nossa mesa e Giovani, nosso amigo cubano, apareceu em seguida (aproveito a oportunidade para dizer que vários nomes que já mencionei no meu blog eu descobri serem escritos diferente através do Facebook – ainda bem que aqui nós só falamos com as pessoas, portanto o que importa é a pronúncia semelhante!). Lorena? Ligou minutos depois para falar que havia dormido e não sabia se iria – perdeu a hora!

Passado nove horas da noite, migramos para o Duplex. Engraçado que, quando chegamos, havia apenas eu, Aga e Bob (dono do bar). Pedimos uma cerveja, nos serviu amendoim (é tradição no bar, servir amendoim como cortesia da casa) e ficamos ali ao som [sempre igual, mas bom] do bar. As pessoas começaram a chegar aos poucos e, em minutos, o bar estava lotado – agora, sim, com pessoas conhecidas. Faltavam 5 minutos para às onze, horário combinado com o Pedro, e eu ainda estava na metade da cerveja. Então resolvi mandar uma mensagem avisando o atraso – mensagem que mais tarde [descobri] que resultou sua impressão de que sou alcoólatra (nem comento!).

Acabada a cerveja, me despedi do pessoal e parti – na verdade nem foi um partir tão direto, porque tentaram me impedir de voltar para casa em plena quinta à noite com o bar “bombando”, mas não me deixo influenciar (prefiro curtir um pouco meu lindo!). A conversa rendeu até a Aga chegar, quando me toquei [e o Pedro já havia me alertado] de que eu precisava ir dormir também: nem era tão tarde (um pouco mais de uma da matina), mas depois de dois bares e antes de ir “trabalhar” cedinho, dormir era a melhor decisão.

Quarta-feira, 10 de março – Dia inútil e... um novo bar na lista! (Saudade XI)

As cópias continuaram até metade da manhã, quando as entreguei e Philippa não me delegou mais nada. Para não ficar sem o que fazer, continuei a redigir sobre os procedimentos da Grafitec – pelo menos no final de tudo terei feito mais alguma coisa que, na minha opinião, será útil para a empresa (mesmo eles não dando a mínima). Como minha paciência do esperar estava se esgotando, pedi reunião para o chefe assim que o encontrei no corredor no final do expediente. Segundo ele, “amanhã nós conversamos”. Mais uma vez tentaremos.

À noite, Bob convidou a mim e a Aga para conferir Manchester United contra o Milan no The Honey Suckle (esse pub e o Champs são conhecidos por exibirem jogos internacionais de futebol). Tomamos banho, trocamos de roupa e partimos para lá sem muita enrolação porque começaria às sete e para variar nosso motorista saiu da empresa quase uma hora mais tarde por causa das “ladies” (sim, não sei o nome delas e nem faço questão – aquelas grossas!).

Pagamos ¢10 cada para entrar, valor que seria revertido em consumação. O bar estava lotado e no início nem lugar para sentar tínhamos direito. Depois de alguns minutos em pé um casal ofereceu lugar em sua mesa e, então, pudemos pedir algo para comer. Enquanto Aga e Bob pediram hambúrguer, pedi salada (neste momento posso imaginar a cara de desgosto dos meus companheiros de bar em JF, que estão acostumados a rachar comigo uma porção de fritas – às vezes com carne ou lingüiça –, mas ao mesmo tempo os faço recordar de que costumo comer as tiras de tomate, pimentão e cebola que a compõe): o prato veio caprichado e foi suficiente, por incrível que pareça – pena que eu tive de pagar ¢5,50 (mais de R$6), valor inadmissível na minha vida de universitária/recém-formada no Brasil.

A noite não foi boa para o time de Bob: 4 a 0 para o Manchester. Como disse para ele, se fosse meu time eu estaria chorando de raiva – é, eu admito, costumo ser passional assistindo jogos do São Paulo. Nesta hora, me deu saudade de ver o Campeonato Paulista, mesmo sabendo que meu time é um fracasso no estadual comparado ao Brasileirão: ainda bem que, pelo menos, os ganenses adoram futebol e a Copa do Mundo está chegando.

Os dois foram para o Duplex, mas eu fui direto para casa “namorar”, afinal todo dia que eu posso, como o povo daqui é animado para sair, emendo a saída no MSN – tudo bem que quando cheguei tivemos que ficar no Yahoo, mas diante das circunstâncias sempre digo que o importante é ter um software de conversas instantâneas à disposição, não importa qual.
Mesmo sem webcam e sem microfone funcionando com minha super internet, conseguimos matar a saudade e, por incrível que pareça, estamos sabendo lidar com todos esses obstáculos. Uma coisa é certa: quando chegar no Brasil quero jejum disso tudo (agora entendo o que o meu cunhado sentia, em seu um ano de namoro à distância com minha irmã, quando boa parte das vezes queria mandar o Skype para o espaço – apesar de eu ainda os invejar por não poder usar o Skype adequadamente).
 
Mais ou menos isso... tenso!

Terça-feira, 9 de março – SUPER função! Será que eu aguento?

Alguém aqui havia pedido trabalho e ele apareceu. Pena que foi a partir de uma reunião que infelizmente não nos incluiu: Mr. Nasser se reuniu apenas com Philippa e Adwoa, que deveriam delegar tarefas do setor para mim e para a Aga respectivamente. As tarefas? Similares às de estágio de primeiros períodos da faculdade: “caçar” documentos de arquivo, tirar duas cópias de cada, perfurar, entregar uma cópia para a “chefe” e colocar a outra cópia em fichários correspondentes a cada cliente mencionado nos documentos.


Eu estava sinceramente perturbada com essa situação, mas acabei executando o que me pediram meio que por inércia, sem raciocinar, porque começaria a ficar brava antes da hora. Esperaria o dia seguinte para ver se a super tarefa seria rotina ou temporária. Para quem estava sem função, ser estagiária, como jocosamente conhecemos no Brasil, não era má ideia em um dia. Só espero mudar antes que eu pare para raciocinar.

À noite, nossa insatisfação [minha e da Aga] resultou em uma longa conversa. Compramos cerveja próximo à nossa casa, sentamos na sala [meu quarto] e desabafamos nossas frustrações. Parei para pensar que ela estava aqui três meses a mais vivendo talvez não a mesma coisa que vivemos hoje, mas semelhante. E o que seriam nove meses para ela, comecei a ver claramente que não seriam: seus planos, agora concretos, seriam “abandonar o barco” no início de maio. Quanto a mim: ou estava fadada a viver o mesmo tempo que ela aqui, portanto quase três meses depois de ela partir, ou adiantaria minha volta ao Brasil. Confesso que na minha situação vivida hoje – para mim, totalmente desestimulante – significava que não seria fracasso de minha parte remarcar meu “deadline” em Gana.

A conversa rendia, mas Pedro já estava a me esperar na internet e eu sentia que precisava desabafar um pouquinho com ele também – apesar de ter mandado um e-mail gigante para ele durante a tarde. Mais de meia hora depois do planejado, lá estava eu mais uma vez ON no MSN, “chorando as pitangas”. Criei uma esperançazinha de voltar antes, mas havia muito a pesquisar para isso e ainda gostaria de tentar mais uma vez que as coisas mudassem para melhor no trabalho. Já que ficar falando só de problemas pode acabar com um namoro - ainda mais virtual - esquecemos esse stress e a conversa rendeu para além das três da matina. Por incrível que pareça, eu fiquei preocupada porque ele tinha que acordar cedo para trabalhar e porque fiquei com vergonha da mãe dele perguntando se eu não durmo: melhor dormir!
 
PS: A imagem da "Vida de estagiário" retrata uma situação que eu AINDA não vivi, mas temo que está perto.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Segunda-feira, 8 de março - Adeus, Ada!

Acordo cedo com Laura e Ana se arrumando para partir e volto a dormir. Não durmo mais que uma hora e resolvo acordar, mesmo sendo apenas 8h. Coloquei meu biquíni, porque hoje eu queria nadar, já que não veria água tão cedo em Acra. Lá fora, na varanda, estão Rustom, Mounib e Romain e, com certeza, um belo dia, ainda mais silencioso que os anteriores na ausência de metade do grupo. Preparo um nescafé e como nuts libaneses (castanhas, nozes, amêndoas e pistaches) enquanto não temos café da manhã. Lorena acordou logo depois e se juntou a nós. Vieram as pizzas libanesas e pães sírios sabor queijo ou alho: uma delícia. Kate se levantou e já estava bem melhor, mas ficou no suco.

Eu e Kate nadamos um bocado, enquanto Lorena ficou um pouco mais com os rapazes. Depois se juntou a nós e ficamos conversando à sombra: nada de sol depois de ontem – todas vermelhas ou quase. Das cadeiras em que estávamos perto da varanda, avistamos uma rede no meio da areia: lógico que fomos deitar e ficamos conversando. Incrível como em pleno feriado pela independência de Gana, nosso assunto fluiu sobre o nacionalismo encontrado aqui: nada mais compreensível, mas também complicado em uma nação onde a discrepância de riquezas é visível porque não existe um classe média, mas extremos (vide local em que estamos e a situação de pobreza pelas ruas de Acra – Kate, por exemplo, morou durante duas semanas em um quartinho que dividia com mais uma pessoa numa “vila” que tinha mais uns cinco quartinhos como este e apenas um banheiro comunitário, o qual não possuía vaso sanitário, mas um buraco no chão) – esse assunto rende pano para manga e prefiro me dedicar a ele num post exclusivo.

Antes de chegar a hora de ir embora, preferi nadar: Kate me acompanhou por uns instantes, mas depois fiquei sozinha: que silêncio gostoso, na água fresquinha (mais ao fundo, porque no raso era quente), em meio à natureza com direito à brisa em plena segunda-feira – amo feriado, onde quer que eu esteja! Como ficar sozinha por muito tempo é muito “estranho”, resolvi sair da água e os rapazes falaram que era melhor nos arrumar. Parti direto para um banho, arrumei rapidinho minhas coisas (duas bolsas, porque não levei mala menor para esse tipo de viagem) e ficamos esperando na “sala” todos ficarem prontos. Achei que não almoçaríamos, mas uma bela salada estava à nossa disposição em poucos minutos (uma delícia, apesar de o Pedro insistir em chamar de “mato” e fazer cara feia).

Por incrível que pareça, não via a hora de voltar para casa. Para isso: lancha até a casa principal, carro até a casa de Rustom, onde Mounib nos daria carona até um ponto mais central para pegar um táxi. Mas, ainda em Ada, o carro foi parado pela polícia e quem estava dirigindo era o Mounib, porque Rustom estava com problema no joelho (consequência do Donut no dia anterior), e Mounib estava sem a licença. Após alguns minutos de negociação, fomos liberados para seguir viagem. Outro imprevisto foi que o carro de Mounib, estacionado na casa de Rustom, estava com problemas e ele não conseguia ligá-lo de jeito nenhum. Restou o Rustom conceder-lhe o carro para nos levar e Mounib providenciar conserto para o seu. No final, eu não precisei pegar táxi, porque ele mora em Osu, bem próximo de casa – menos mal.

Como ainda eram menos de 16h, combinei com Lorena de checarmos o que estava passando no cinema e irmos numa sessão que começasse entre 18h e 19h – até mesmo porque depois eu ainda queria conversar com o Pedro. Ficou combinado Alice in Wonderland, às 18h35. Antes de começar a me arrumar, coloquei minhas coisas para secarem ou para lavar e fiz uma limpeza “por alto” na minha parte da casa – precisa ver a quantidade de pó que acumula em dois dias aqui.

O combinado com o táxi foi ¢5 até o shopping, viagem que demorou quase meia hora porque o tráfego estava tenso. Só sei que eu fiquei preocupada com o meu horário, mas quando cheguei lá e liguei para a Lorena ela ainda estava esperando táxi. Restou-me comprar o ingresso dela também, além de não resistir e comprar pipoca e coca-cola. Lorena chegou lá às 18h55 e entramos com o filme já rodando. O cinema é muito bom, mas fui de vestido e o ar condicionado estava “no talo” - saí quase levando um choque térmico depois. Quanto ao filme... PERFEITO! Tirados os meus problemas de compreensão (o fato de conhecermos a história previamente ajudou e muito), cada detalhe do longa e a atuação de Johnny Depp fizeram matar a saudade da telona e esquecer que gastei quase ¢30 (incluindo táxi).

Antes de ir embora, passei no Shoprite (hipermercado daqui, localizado no próprio Accra Mall) com a Lorena que queria comprar ingredientes para cozinhar para seu colega de apartamento que estava com malária – malária está virando uma doença comum para mim depois de menos de dois meses, mas ainda não a quero e tomo comprimido semanal que inibe 50% das chances de contágio. Lorena me convidou para ir ao Frankie's, mas eu já havia combinado com o Pedro de acessar a net e continuei no táxi.

Chegando em casa, descobri que ele não poderia ficar muito tempo comigo porque ele precisava resolver um problema o computador da namorada do irmão, a não ser que eu o esperasse para conversarmos depois. Até que não esperei muito para ver a janelinha dele piscando: enquanto resolvia lá, conversava um bocado comigo no MSN. A bateria do notebook dele estava no fim e fiquei no vácuo de repente. Como havia me prometido estar ON de 15 a 20 minutos depois (tempo que levaria de lá até sua casa) e ele não ficava, não aguentei esperar e fui dormir, afinal já eram quase duas da matina e, querendo ou não, dia seguinte eu tinha que trabalhar.
 
PS: Já ia me esquecendo de agradecer ao Pedro e à minha Tia Regina pelas homenagens recebidas no Dia Internacional da Mulher. Nessa agitação, eles foram os responsáveis por me lembrarem da data.

Domingo, 7 de março – Diversão e... cansaço

Acordei porque a luz era inevitável na porta de vidro sem cortinas. Eram Laura já estava de pé, mas as meninas estavam capotadas. Dormi mais um pouco, enquanto todas se recompunham – fui uma das únicas que tomou banho ontem: é a bebida. Conversamos um pouco sobre o dia anterior e resolvemos curtir o dia. Quando saí do quarto em direção à sala, olhei para a grande porta de vidro aberta e vi um ensolarado dia lá fora: maravilhoso! Na varanda, sentamos, ficamos conversando e tomando café/chá enquanto o café da manhã não ficava pronto – demorou um bocado, mas valeu a pena: ovos, queijo, salsicha, três tipos de pão, feijão (sim!), sucos, inhame e plátano frito.

Com energias carregadas, ficamos tomando sole eu entrei na água. Saí pouco tempo depois, porque o pessoal se preparava para a lancha: andaríamos de donut! Como ele abrigava quatro pessoas por vez e Natália (da Polônia), Laura, Ana e Lorena foram mais rápidas, parti de lá dentro da lancha com os demais. Mas minha aventura começaria após a queda de Natália, que não queria mais “de jeito nenhum”. Foi muito bom! A queda foi a melhor parte. A pior foi subir de novo no donut depois da segunda queda: meus braços não tinham força. Uma dica é: vá na ponta – apesar do medo de como você irá cair na água, tem mais graça: no meio você só ri dos outros caindo.

Depois de revezarmos todos no Donut, exceto Mahmoud e Mounib, paramos numa praia entre o estuário e o mar. Até tentei arriscar entrar no mar, mas a água doce não tinha correnteza e me atraiu mais. Ficamos sentados deitados dentro da água conversando e bebendo. Foi ali que Natália descobriu que trabalho na Grafitec e ficou super feliz porque há um bom tempo vem procurando nosso contato e não havia encontrado: queria uma reunião com meu chefe. Mundo pequeno! As melhores conversas porém ficaram entre Ana, Kate e eu, inclusive eu e Ana defendo os homens mais novos e Kate, os homens mais velhos – nem comento!

Partimos de volta para “casa”, onde o almoço nos esperava: banku. Apesar de possíveis expectativas contrárias, o apreciei: o molho era com frutos do mar e, mesmo não curtindo muito, dava para separar o que eu não gostava “discretamente” – e, como vocês poderiam esperar, não fiquei me deliciando com o molho de pimenta.

À tarde, um amigo de Rustom apareceu em sua lancha e ele nos convidou para acompanhá-lo no windsurf e, se quiséssemos, poderíamos tentar. Eu fiquei de cara como ele manda bem. Tudo bem que ele deve ter mais de 40 anos e no mínimo uns 15 de experiência no esporte, mas era sensacional: rendeu fotos e filmes para ninguém dizer que estou mentindo. Assim que humilhou todos os presentes, perguntou se alguém queria tentar. “Claaaaro”, pensei. “Eu quero”, Ana disse. Corajosa.

Depois de algumas aulas antes de colocar a prancha especial, Ana pulou para dentro d'água e foram seis tentativas de praticar windsurf. Fiquei com medo por ela. Em todas as vezes, ela ficou em pé sobre a prancha e caiu em seguida: segundo o experiente amigo de Rustom, ficar em pé na prancha na primeira tentativa é para poucos. Resumindo: ponto positivo para Ana e olhar de reprovação para mim – sou medrosa mesmo!

Voltamos à terra firme porque haveria uma festa mais à noite em outra “ilha particular” e todas estávamos meio baqueadas do longo dia de água e aventuras. Tomamos banho e tiramos um cochilo antes de ir. Dada a hora, nos arrumamos, mas Kate não conseguia se levantar: estava passando mal de estômago – fiquei na dúvida se era a quantidade de bebida do dia anterior misturada com a aventura no Donut ou se foram os molhos de pimenta. Dada a devida atenção possível, partimos sem ela.

Quando estava para entrar na lancha, meu celular tocou. Era o Pedro, que me lembrou sobre a data especial: há 4 meses nos conhecemos. Estava tão bom falar com ele, mas quando me liga, o tempo voa ainda mais: não tivemos nem tempo de nos despedir direito e, sem crédito recarregado, me restou mandar mensagem agradecendo por esse breve momento de alegria. Senti saudades, ainda mais olhando para o céu estrelado lindo que fazia.
Imagina um céu melhor que esse...

Mas não era um bom momento para tristeza, afinal estávamos em Ada! Quando desci no local da Pool Party (apesar do nome, quase ninguém nadou), percebi que poderia encontrar um lugar ainda mais bonito: a casa do dono do Frankie's (fast food super conhecido daqui) simplesmente foi cenário para a gravação de uma das músicas mais famosas de Gana. Mesmo com todo o potencial, a festa na verdade contava com a presença do mesmo pessoal com que estávamos na casa de Rustom, mais Samir, o dono do Frankie's.
Bebi, dancei em cima da mesa com o pessoal, mas tudo na marcha lenta – faltava algo. Já que não podia parar para pensar, resolvi comer: o jantar foi kenkey (finalmente iria experimentar – a embalagem é do mesmo estilo da pamonha), peixe frito, com direito à pizza para os menos felizes em celebrar a comida ganense. De sobremesa: bolo de chocolate diretamente do Frankie's.

Minha parte Pool da Party se resumiu a deitar no cadeirão observando as pessoas dançando, na piscina ou sentadas à mesa. Parei de beber cedo e não queria dormir. Só estava cansada e saudosa demais para fazer além disso. Como no dia seguinte metade do pessoal presente teria de partir cedinho da casa de Rustom (por conta do voo da Laura), não esperei demais pela nossa partida e, chegando na casa, só queria saber de dormir.

PS: Fotos da máquina da Lorena, porque a minha estava de molho.