Coloquei o relógio para despertar cedo: 7h – afinal às 8h deveria me encontrar com Mary, que limparia minha casa hoje (a mesma que limpa a casa de Ryan). Peguei táxi, porque marquei no Koala e estava morrendo para chegar há tempo lá. Cheguei em ponto na hora marcada e fiquei esperando. Passaram-se 15 minutos e nada dela. Foi quando me deu um estalo: eu estava no ponto de encontro errado! Na verdade, eu deveria estar esperando por ela em frente ao Papaye. Como já estava super atrasada, peguei táxi de novo até lá. Nisso já havia gasto ¢2,50. Pior: nada de Mary! Tentei ligar para a Aga que estava na casa do Ryan, já que Mary não tem celular, e ela não me atendeu. Como não queria desistir de esperá-la, resolvi tomar meu café da manhã por ali: comprei pão doce com manteiga e uma coca-cola – seria café, mas na rua não é todo mundo que faz. Quando o relógio já marcava 9h, Aga me ligou informando que Mary estava na casa de Ryan, porque o apê estava alagado por conta de problema de encanamento e que ela não sabia que horas Mary iria para nossa casa. Pedi que me ligasse, porque eu não poderia ficar esperando na rua por um tempo indeterminado – além da uma hora que já havia esperado.
Meio brava por ninguém ter me avisado antes, comecei a voltar para casa. No caminho, alguém me chamou. Olhei e era um garoto e eu nem dei bola. Foi quando ele perguntou se eu não lembrava dele. Olhei de novo e vi que o conhecia de algum lugar. Foi quando ele disse: “Lembra que eu te mostrei como chegar no internet café?” Puts, exatamente! Como estava indo a pé para casa e não era longe dali, ele foi me acompanhando. Foi engraçado, porque ele veio perguntando um monte de coisa, contando sobre a família dele, enfim. Só sei que quando fui chegando na esquina de casa, eu já comecei a me despedir: “Bom, eu preciso ir agora, tá?! Tchau!”.
Já que eu estava acordada àquela hora, resolvi trabalhar com o freela até dar a hora de ir encontrar Mary. Quando eram 11h30, resolvi comprar meu almoço e já ir esperá-la – desta vez no posto da Shell, mais perto de casa. Para variar, comprei meu almoço no Master's. Quando cheguei no posto, fiquei sentada esperando nos degraus em frente à loja de conveniência. Como estava muito calor, comprei um FanYogo – tipo geladinho sabor iogurte de morango, vendido a ¢0,50 por ambulantes nas ruas ou em lojas de conveniência, supermercados (tem outros nomes, sabor chocolate e sabor baunilha, ou ainda Tampico em saquinho por ¢0,40). [Para quem não entendeu minha explicação, só acessar a página de produtos da FanMilk]
Bem poderia ter sido uma espera tranquila, até que dois vendedores se aproximaram: um com colares e outro com pulseiras com as cores de Gana personalizadas com seu nome. No início, queriam vender, depois um deles começou a querer saber meu nome, meu país, até namorado perguntou se eu tinha – isso porque eu estava no meu modelito shorts de lycra com uma babylook e chinelo. Além disso, ganhei um colar, que eu tentei recusar de todo jeito falando que não ia pagar, mas ele insistiu em dar. O pior é que não podia sair de lá, porque Mary já havia me ligado avisando que estava a caminho. O que me deixou mais revoltada, e me deixa, é que por mais que eu diga aqui que tenho namorado, o fato de ele estar no Brasil não significa que eu não possa ter um namorado em Gana. Será que é porque sou obruni (branca, em twi), eles acham que sou “saidinha”? Povo doido. Só sei que no final das contas, depois de me falar que eu tenho um “corpão” (que raiva!!!), o carinha me pediu dinheiro para comprar arroz. Expliquei que eu não tinha dinheiro. Aí ele pediu para comprar um FanYogo, igual ao que eu tinha na mão. Falei para ele que, para quem queria arroz, um sorvete era bem diferente. No final das contas, começou a querer dinheiro mesmo e disse que havia me dado um colar. Eu peguei o colar e dei de volta falando que eu não queria. Depois de um tempo de ele me enchendo o raio da paciência, resolvi dar ¢1 para ele e ele ainda me disse que não ia dar o colar de volta. Eu, revoltada, falei objetivamente: “Quem disse que eu quero? É para você esse ¢1 porque não quero mais falar com você” - sim, às vezes eu acho que sou tonta demais e eu juro que tento ser grossa com as pessoas, mas não consigo. Ainda bem que Mary chegou e pudemos ir embora – mas antes de irmos perguntou se o cara era meu amigo. Nem comento.
Chegando em casa, almocei, twittei, li e escrevi e-mails, trabalhei mais com o freela. Enquanto isso, Mary fazia O faxinão: no final do dia eu já conseguia ver os vidros das minhas janelas, que antes eram puro pó preto – nem sei quantos meses aquele negócio nojento estava lá, porque quando cheguei já estava assim. O serviço era tanto, que ao final da tarde Mary falou que iria embora e voltaria no dia seguinte porque estava cansada. Detalhe que começou a chover horrores bem na hora e ela acabou ficando mais. Passada a chuva, ela se foi e voltaria no dia seguinte às 8h30 – tudo bem que seria domingo, mas minha vontade de ver a casa limpa era maior do que qualquer coisa.
No final da tarde, consegui falar com o Pedro pelo MSN e ele pelo Yahoo. Foi bom, porque hoje eu sairia à noite em uma festa na casa do Paul como despedida do Giovani – na verdade, ele vai embora daqui a um mês, mas daria para juntar com mais outras duas pessoas que também estão indo e fazer uma festa maior. Só sei que combinei de ir na festa mais tarde para ter tempo de falar com ele um pouco antes: a festa começava às dez e marquei de ligar para a Lorena às onze – teria uma hora desde a hora que o Pedro chegasse em casa.
Fui encontrar a Lorena com o pessoal no The Honey Suckle, porque eles estavam terminando de jantar lá. Mas quando cheguei e entrei, não havia ninguém conhecido. Como não achei que era possível eles terem ido sem mim, pensei em ligar para a Lorena, mas a bateria do meu celular acabou. Como última alternativa, entrei e saí duas vezes, até que comecei a desistir e procurar por um táxi para ir sozinha direto. Foi quando os vi em frente a um restaurante bem próximo, na mesma “rua” (porque aquilo não é uma rua definitivamente!): eu havia entendido errado!
Da galera que estava jantando (seis pessoas), apenas Lorena e Cristian iriam para a festa. Eu havia anotado as orientações para chegar ao local no papel, porque ninguém sabia como ir, mas quando Lorena viu falou que era explicação demais e o taxista não entenderia... pensei: “Então por que o Giovani havia mandado pelo Facebook e ela havia pedido para anotar?”. Só sei que ela ficou ligando para o Giovani para seguir instruções dele para ir e eu com o papel na mão. Teve uma hora que a gente estava quase chegando e ela não sabia onde virar. Foi a Jaqueline tentar ler o papel no escuro: li e falei como chegar antes que ela ligasse de novo. E achamos! - sabia que meu papel inútil era útil afinal.
O local era bacana, com uma boa área aberta e estava cheio de gente, sendo que eu conhecia metade – sensação estranha de quem está ficando velho na cidade. O melhor da noite se resumiu a novas amizades, incluindo a brasileira que havia chegado no meio da semana. Eu já havia encontrado Stefania e Beatriz no jantar na casa do Bobi, mas desta vez eu conversei melhor com elas: morarão aqui um ano e estão no mesmo “prédio” em que Ana e Nick moram. Já Tatiana, a brasileira, a vi pela primeira vez hoje e já descobri várias coisas em comum: é jornalista, geminiana e tem um namorado a esperando no Brasil. As diferenças? Já fez um intercâmbio antes daqui (na Romênia), já está no mercado de trabalho (ela tem 28 anos) e vai ficar um ano por aqui (e eu achava que namoro à distância de seis meses era o maior problema).
A conversa da noite, porém, foi com outra jornalista, Mariska. Tudo começou porque ela me perguntou se trabalho na Grafitec e me informou que ela trabalhou como trainee por quatro meses anteriormente. Foi incrível como eu estou vivenciando os mesmos problemas que ela viveu e que a fizeram desistir de tentar continuar ali. Ela voltou para a Holanda (seu país) antes do planejado e começou a procurar emprego. Como ela não conseguia e ainda havia deixado seu namorado em Gana (Nader, que é libanês e mora aqui), decidiu começar a procurar emprego aqui mesmo. Voltou e está trabalhando como jornalista na Enjoy, revista “concorrente” da What's On. Quando a informei da minha situação no trabalho, cogitou a possibilidade de eu tentar trabalhar em outro lugar, mas a expliquei que ficaria pouco tempo aqui e acharia complicado sair do meu internship.
Após fotos e troca de números de celular, dançamos (na verdade, eu deixei a Mariska livre para namorar um bocado, né?! Fui dançar no grupo das solteiras e “sozinhas”). A determinada hora, eu estava morrendo de fome – até mesmo porque não jantei e, de tanto conversar, perdi as pizzas que chegaram para o pessoal da festa –, então aproveitei que a Petra e o Bobi estavam indo ao Duplex para ir com eles – só pensando que era perto de casa e que eu poderia me dar ao luxo de pedir uma pizza pela primeira vez lá.
Chegando, Bobi e Petra também queriam comer, então rachamos uma. Na verdade, eu comi mais que eles – esfomeada – e eles mais beberam do que comeram. Aos poucos toda a galera que estava na festa foi chegando e o Duplex “bombou”. O mais engraçado é que havia bebido, mas nem tanto. Teve uma hora que eu estava conversando com o Bobi próximo ao bar e, quando olhei para trás, Brenda estava trocando blusa com Mike, dançando no “meio da pista” – e depois as brasileiras que são “saidinhas”. Uns minutos mais tarde, resolvi que era hora de partir – vai que a bebedeira pega, né?! Ainda bem que não dependia de ninguém nem de táxi e pude ir a pé mesmo, rapidinho.
PS: É difícil essa minha vida sem máquina! Nada de fotos...
Jogo Estranho
3 semanas atrás

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