quinta-feira, 1 de abril de 2010

Segunda-feira, 8 de março - Adeus, Ada!

Acordo cedo com Laura e Ana se arrumando para partir e volto a dormir. Não durmo mais que uma hora e resolvo acordar, mesmo sendo apenas 8h. Coloquei meu biquíni, porque hoje eu queria nadar, já que não veria água tão cedo em Acra. Lá fora, na varanda, estão Rustom, Mounib e Romain e, com certeza, um belo dia, ainda mais silencioso que os anteriores na ausência de metade do grupo. Preparo um nescafé e como nuts libaneses (castanhas, nozes, amêndoas e pistaches) enquanto não temos café da manhã. Lorena acordou logo depois e se juntou a nós. Vieram as pizzas libanesas e pães sírios sabor queijo ou alho: uma delícia. Kate se levantou e já estava bem melhor, mas ficou no suco.

Eu e Kate nadamos um bocado, enquanto Lorena ficou um pouco mais com os rapazes. Depois se juntou a nós e ficamos conversando à sombra: nada de sol depois de ontem – todas vermelhas ou quase. Das cadeiras em que estávamos perto da varanda, avistamos uma rede no meio da areia: lógico que fomos deitar e ficamos conversando. Incrível como em pleno feriado pela independência de Gana, nosso assunto fluiu sobre o nacionalismo encontrado aqui: nada mais compreensível, mas também complicado em uma nação onde a discrepância de riquezas é visível porque não existe um classe média, mas extremos (vide local em que estamos e a situação de pobreza pelas ruas de Acra – Kate, por exemplo, morou durante duas semanas em um quartinho que dividia com mais uma pessoa numa “vila” que tinha mais uns cinco quartinhos como este e apenas um banheiro comunitário, o qual não possuía vaso sanitário, mas um buraco no chão) – esse assunto rende pano para manga e prefiro me dedicar a ele num post exclusivo.

Antes de chegar a hora de ir embora, preferi nadar: Kate me acompanhou por uns instantes, mas depois fiquei sozinha: que silêncio gostoso, na água fresquinha (mais ao fundo, porque no raso era quente), em meio à natureza com direito à brisa em plena segunda-feira – amo feriado, onde quer que eu esteja! Como ficar sozinha por muito tempo é muito “estranho”, resolvi sair da água e os rapazes falaram que era melhor nos arrumar. Parti direto para um banho, arrumei rapidinho minhas coisas (duas bolsas, porque não levei mala menor para esse tipo de viagem) e ficamos esperando na “sala” todos ficarem prontos. Achei que não almoçaríamos, mas uma bela salada estava à nossa disposição em poucos minutos (uma delícia, apesar de o Pedro insistir em chamar de “mato” e fazer cara feia).

Por incrível que pareça, não via a hora de voltar para casa. Para isso: lancha até a casa principal, carro até a casa de Rustom, onde Mounib nos daria carona até um ponto mais central para pegar um táxi. Mas, ainda em Ada, o carro foi parado pela polícia e quem estava dirigindo era o Mounib, porque Rustom estava com problema no joelho (consequência do Donut no dia anterior), e Mounib estava sem a licença. Após alguns minutos de negociação, fomos liberados para seguir viagem. Outro imprevisto foi que o carro de Mounib, estacionado na casa de Rustom, estava com problemas e ele não conseguia ligá-lo de jeito nenhum. Restou o Rustom conceder-lhe o carro para nos levar e Mounib providenciar conserto para o seu. No final, eu não precisei pegar táxi, porque ele mora em Osu, bem próximo de casa – menos mal.

Como ainda eram menos de 16h, combinei com Lorena de checarmos o que estava passando no cinema e irmos numa sessão que começasse entre 18h e 19h – até mesmo porque depois eu ainda queria conversar com o Pedro. Ficou combinado Alice in Wonderland, às 18h35. Antes de começar a me arrumar, coloquei minhas coisas para secarem ou para lavar e fiz uma limpeza “por alto” na minha parte da casa – precisa ver a quantidade de pó que acumula em dois dias aqui.

O combinado com o táxi foi ¢5 até o shopping, viagem que demorou quase meia hora porque o tráfego estava tenso. Só sei que eu fiquei preocupada com o meu horário, mas quando cheguei lá e liguei para a Lorena ela ainda estava esperando táxi. Restou-me comprar o ingresso dela também, além de não resistir e comprar pipoca e coca-cola. Lorena chegou lá às 18h55 e entramos com o filme já rodando. O cinema é muito bom, mas fui de vestido e o ar condicionado estava “no talo” - saí quase levando um choque térmico depois. Quanto ao filme... PERFEITO! Tirados os meus problemas de compreensão (o fato de conhecermos a história previamente ajudou e muito), cada detalhe do longa e a atuação de Johnny Depp fizeram matar a saudade da telona e esquecer que gastei quase ¢30 (incluindo táxi).

Antes de ir embora, passei no Shoprite (hipermercado daqui, localizado no próprio Accra Mall) com a Lorena que queria comprar ingredientes para cozinhar para seu colega de apartamento que estava com malária – malária está virando uma doença comum para mim depois de menos de dois meses, mas ainda não a quero e tomo comprimido semanal que inibe 50% das chances de contágio. Lorena me convidou para ir ao Frankie's, mas eu já havia combinado com o Pedro de acessar a net e continuei no táxi.

Chegando em casa, descobri que ele não poderia ficar muito tempo comigo porque ele precisava resolver um problema o computador da namorada do irmão, a não ser que eu o esperasse para conversarmos depois. Até que não esperei muito para ver a janelinha dele piscando: enquanto resolvia lá, conversava um bocado comigo no MSN. A bateria do notebook dele estava no fim e fiquei no vácuo de repente. Como havia me prometido estar ON de 15 a 20 minutos depois (tempo que levaria de lá até sua casa) e ele não ficava, não aguentei esperar e fui dormir, afinal já eram quase duas da matina e, querendo ou não, dia seguinte eu tinha que trabalhar.
 
PS: Já ia me esquecendo de agradecer ao Pedro e à minha Tia Regina pelas homenagens recebidas no Dia Internacional da Mulher. Nessa agitação, eles foram os responsáveis por me lembrarem da data.

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