terça-feira, 30 de março de 2010

Quarta-feira, 3 de março – Queremos algo concreto!

O dia começou monótono. Monótono porque acordei sozinha para ir trabalhar e o trajeto pareceu mais longo do que de costume. Sem a Aga, Philippa não se reuniu com a gente e preferiu nos enviar à impressão offset novamente para conhecermos melhor os tipos de papéis. Como chegamos lá mais uma vez para encher o saco dos funcionários da gráfica, um deles se dispôs a preparar umas amostras de cada tipo de papel e suas respectivas gramaturas. Como Philippa não iria ficar feliz com essa “mordomia” e Lucette estava toda preocupada, resolvi tirar foto das máquinas para complementar o material teórico que estou preparando por conta própria. Ao final da manhã, Philippa cogitou a possibilidade de eu ir para a casa ficar com a Aga, já que não seria recomendável ela ficar sem ninguém, mas precisava aguardar a chegada do meu chefe para explicar e pedir autorização. Antes de meu chefe chegar, Lucette ligou para a Aga e ela falou estar muito melhor, então não seria necessário eu ir.

Almoçamos em um lugar bem próximo da empresa, porque nem com vontade de almoçar eu estava direito. Minha desilusão era tamanha que resolvi ligar para Gifty e pedir ajuda ao pessoal da Aiesec local: tínhamos uma reunião marcada no comitê local à noite. A boa notícia é que, logo depois do almoço, ficamos sabendo de uma reunião cujo assunto principal era a revista. Lucette, que namora com um dos diretores da companhia, sabia que eles estavam estudando a possibilidade de a revista retornar paga invés de gratuita. Na esperança de que algo novo estava começando, nós nos empenhamos em planejar esse novo viés. Mas a alegria durou a duração da reunião: Anyama (sim, a Diretora de Arte que eu pensava ter sido demitida também) disse que não houve manifestação do meu chefe sobre a possibilidade de What's On se tornar paga e ainda noticiou que ele está com a ideia fixa de tentar fechar 20 anúncios para a revista continuar – somado ao fato de que “estamos perdendo tempo”, preferi respirar fundo.

Chegando em casa, expliquei para a Aga tudo o que aconteceu durante o dia e ela resolveu ir comigo à Aiesec CUC também. Tomei banho e pegamos táxi até lá. Longe! Foi o táxi mais caro que já paguei: ¢8! Chegando lá, cumprimentamos os intercambistas presentes e subimos no terraço conversar. Resumindo: Gifty disse que, se amanhã não tivéssemos reunião e definições de plano de trabalho, ela marcaria uma reunião com a diretora de marketing, com o nosso chefe, ela, Aga, eu e Mawuli (que mediou nossa vaga com a empresa) para terça-feira – porque segunda comemora-se a Independência de Gana, portanto: feriado. A ideia, no final das contas, é deixar bem claro por que estamos aqui e o que eles devem nos proporcionar.

O táxi de volta foi muito mais fácil de negociar e conseguimos o valor de ¢6 de cara – talvez seja porque o lugar é tão longe, que quando se está lá o taxista só pensa em voltar logo para uma região movimentada e se tiver passageiro para isso, melhor ainda! Chegando em casa, só queria saber de navegar na internet. Como ando uma leitora relapsa, resolvi me atualizar nos blogs da minha lista e... comentar obviamente! E lógico que tinha que falar com meu lindo e, infelizmente me despedir por ter de dormir. Só digo que é incrível como nossa conversa flui e inevitável como ela menciona nossos planos para quando eu voltar - e não há melhor sensação em saber que esse dia vai chegar.



PS: Perfeita!

Terça-feira, 2 de março – AAAAAAAAAA (Saudade X)

O dia era de expectativa, afinal a distribuição estava concluída e agora sim minha querida “chefe” poderia se reunir com a gente para traçar um plano de ação para as vendas de anúncios. Aga não se sentia bem, pois seu rim estava doendo, mas como Philippa havia prometido a reunião pela manhã, aguentou as pontas antes de recorrer a um médico. Porém o relógio marcava 11h e nada de Philippa nos chamar, então resolvemos perguntá-la. Adivinha? A reunião seria adiada porque ela acabara de se reunir com o chefe e tinha muitas pendências para resolver. Explicado que Aga precisava ir ao médico, ela pediu que nossa reunião fosse no dia seguinte, já que Aga precisaria estar presente.

Aga arrumou suas coisas e partiu para a clínica. Eu e Lucette ficamos na internet até a hora do almoço, quando fomos ao Lips (restaurante de sempre). Lá pude respirar, mas Lucette estava igualmente descontente com nossas situação incerta que completava uma semana e diante da circunstância em que me encontrava, foi inevitável o choro – tímido, mas o suficiente para desabafar sem palavras. O clima em nossa mesa estava tão pesado, que Tânia e Saulus, que estavam na mesa ao lado, perguntaram se estávamos bem. Explicada resumidamente nossa situação, ouvimos dele “mas vai adiantar ficar reclamando? Faça alguma coisa!” e, apesar de saber que ele tinha razão, fiquei com mais raiva ainda, porque sabia que éramos impotentes.

Na volta para o escritório, resolvi escrever para o blog, que anda devagar com toda essa loucura – talvez seja por falta de motivação. Apesar de tudo, rendi um post, por sinal bem grande e cheio de fotos. Como vi que não teríamos nada para fazer e realmente precisava de recarregar meu modem, quando me restavam 20 minutos para o fim do expediente, pedi à Philippa se eu poderia ir embora. Ela deixou, mas também se não tivesse deixado, eu ia ter um troço, já que eu estava trabalhando MUITO.

Depois de negociar um táxi que fosse até a Zain de Osu por um bom preço e rápido (num horário de muito tráfego), fiquei rezando para dar tempo: mais um dia sem internet não daria certo – eu poderia ter ido para outra loja Zain no meio do caminho, mas queria conversar com o mesmo atendente de quando eu comprei o modem para negociar uma net melhor, por um preço não tão alto. O mais interessante é que não adiantava eu querer uma internet mais rápida, o máximo que eu poderia obter pagando mais era mais capacidade de download e upload. Acabei comprando crédito para 1GB mesmo por ¢30, invés de 4GB por ¢60.

Chegando em casa, descobri que o problema da Aga é muito mais sério do que imaginava a ponto de ela precisar ir ao banheiro a cada meia hora, sentindo dor e tendo sangramento a cada vez - eu não gosto nem de pensar como deve ser sentir isso em plena Gana, onde o atendimento médico deixa muito a desejar. Resultado da consulta dela: 5 dias de antibiótico, além de muita água. Como seu problema de rim é bem mais grave do que da vez anterior e já é a quarta vez que toma antibiótico em cinco meses, ela cogita seu retorno à Polônia. Apesar de eu saber que é o mais racional a ser feito (diante do fato que nossa estadia aqui é temporária e não tão rica de recursos financeiros e humanos), senti um aperto no coração imaginando que ficaria aqui sozinha antes do esperado.

Aga obviamente foi dormir cedo e eu fui ansiosa entrar na net. Depois de minutos falando sobre trabalho (inevitável), resolvi dar atenção ao que realmente me faz feliz numa terça-feira à noite em meio a essas preocupações: falar com meu namorado no MSN (infelizmente e o máximo que posso ter no meu contexto). E mesmo da lan e por pouco tempo, aliviei um pouquinho minha angústia. Dá vontade de chorar? Dá. Sinto saudade? Sinto. Mas ainda tenho muito chão pela frente e não quero deixar a peteca cair - post da Laila cabe bem aqui.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Segunda-feira, 1º de março – Trabalhar é bom também (Saudade IX)

Para não dizer que a vida anda devagar demais por aqui, hoje foi dia de muito trabalho e eu e Aga acordamos preparadas para isso, afinal a revista de fevereiro finalmente estava impressa e pronta para ser distribuída – aleluia!!! Peguei o ritmo bastante rápido e o que Lucette e Aga faziam em três dias nós conseguimos finalizar hoje com uma hora extra de trabalho.

O funcionamento do trabalho é bastante simples: temos três listas de empresas e embaixadas onde a revista deve ser entregue, com os nomes dos gerentes, diretores e responsável pelo departamento de Marketing. Há três listas diferentes, porque há três quantidades diferentes de revista a serem entregues para cada local: eles podem receber uma, duas ou três de acordo com o porte - essa parte mais detalhista do trabalho já estava preparada, já que todo mês a revista é distribuída basicamente para os mesmo lugares. Como eles não vão receber a revista “de qualquer jeito”, além da checagem de qualidade de impressão e finalização da revista, são necessários etiquetas, carimbo, envelopes, embalagens especiais dos correios e formulários de envio.

Como Lucette trabalhou no sábado, a preparação para a distribuição à lista de três revistas por empresa estava concluída. Hoje ficamos por conta das outras duas listas de uma e três revistas, o que incluiu: impressão das etiquetas, checagem das demais revistas, carimbagem, envelopamento, embalagem, contagem, verificação de dados para envio e separação dos pacotes para o transporte – função mais mecânica impossível (e o melhor de tudo é que meu nome não estará lá na distribuição, mas eu tenho uma alma caridosa... tudo bem, parei com o drama!).
Distribuir não é dífícil, é apenas mecânico e cansativo.

Durante esse trabalho super prazeroso num salão completamente quente e sem água para beber (compramos garrafa grande de água duas vezes!), nossa querida “chefe” nos fez duas visitas curiosas – para não dizer outra coisa. Uma foi logo antes do almoço, quando ela veio verificar o quanto já havíamos feito e soltou “ainda?”, sendo que Aga e Lucette falaram que nunca esse trabalho havia rendido tanto quanto hoje. A segunda vez foi no meio da tarde, quando entregaram uns pacotes impressos no salão onde estávamos e ela nos pediu para levá-los até sua sala... detalhe: eram uns seis pacotes provavelmente de revistas que não tinham nada a ver com a gente e nós estávamos trabalhando a todo vapor na distribuição da What's On porque não queríamos deixar nada para amanhã. Enquanto as meninas pegaram um pacote cada uma “numa boa”, eu fui e voltei duas vezes carregando dois pacotes por vez com uma cara nada agradável e logo sentei para continuar o serviço que realmente era de nossa competência no dia. Juro que não o faria com tamanha raiva se a minha querida “chefe” fosse educada o suficiente para pedir esse “serviço” com um sorriso e um “por favor” e, depois de feito, nos dissesse “muito obrigada” - palavras raras em seu dicionário, acredito.

A hora de ir embora com certeza foi a melhor do meu dia, que encerraria sem internet porque não tive tempo de ir comprar meu modem. Pior de tudo é que não sabia se o Pedro estava com o modem de volta, ele não atendeu minha ligação, ele não tem como responder a mensagem que enviei avisando da falta de crédito no meu modem e eu estava cansada demais para ir até uma lan house aqui. Acabei me dedicando a escrever offline para o blog e dormir mais cedo – de vez em quando é bom.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Domingo, 28 de fevereiro – Cores num final de semana cinza

Acordei desnorteada, não conseguia nem me virar direito de tanta preguiça: havia bebido demais. Pior que já eram 10h30 e a Holi Party, festa indiana promovida pelos nossos amigos indianos, começaria às 11h e eu não fazia a mínima ideia de onde era. Recebi uma mensagem de Lorena, me convidando para ir à Labadi Beach porque o pessoal da festa de ontem estaria lá, mas Sahil me mataria se eu não fosse à Holi Party, já que eu o havia prometido há mais de uma semana.
Assim, apesar de parecer assustador nos sujarmos de tinta num domingo de ressaca, resolvi acordar e partir para a festa. Liguei para a Aga para saber se iria, já que ela não havia dormido em casa: iria e também estava atrasada e não sabia o caminho. Restou-me ligar para Vivek que, no e-mail convite, deixou o seu número de celular para os perdidos.


A roupa seria completamente colorida, portanto ou colocava algo escuro ou a perderia. Resolvi colocar minha bermuda preta e a blusinha-nova-branca-que-lavei-aqui-e-ficou-rosa: se é para perder, vamos perdê-la de vez. Quando estava ajeitando minha bolsa para ir, me bateu um desespero: a bolsa era a mesma de ontem à noite e meu biquíni não estava dentro – apesar de eu não ter nadado, levei para caso passasse muito calor ou não tivesse outra alternativa (antes não tivesse levado). Como minha bolsa na verdade era um sacola de pano aberta, deduzi que poderia ter deixado cair ou na Ana ou no carro do Nick ou na festa, então resolvi ligar para a Ana. O celular dela deu caixa postal e resolvi ligar para o Nick, que atendeu mais para lá do que para cá. Por fim, me contentei em mandar uma mensagem pedindo ajuda.

Com toda essa confusão, já estava tarde e eu nem havia saído de casa. Assim, esqueci do biquíni por enquanto e, com instruções de como chegar anotadas num papel, peguei um táxi rumo ao local da festa. O lugar ficava próximo da LC House, o que para mim não seria difícil, já que seria minha terceira vez lá. O problema é que as instruções dadas a partir dali não me levaram até meu destino e fiquei perdida com o motorista, ligando para Vivek e Sahil e tentando me achar. Até que marcaram num ponto conhecido pelo motorista de alguém vir me encontrar e, juntos, chegarmos à festa.

Detalhe para a cervejinha sempre presente

Saulus foi quem me “buscou” e já estava todo colorido. Olhei para mim, olhei para ele e perguntei se ainda tinha festa: afinal, já eram mais de duas horas da tarde! Que pergunta idiota! Assim que abrimos o portão, dado o tempo de me desvencilhar de minha bolsa, as cores já faziam parte de mim: em senti uma caloura levando trote em plena África – interessante! Apesar de meio chateada no início – com ressaca, sem falar com namorado, sem biquíni e atrasada na festa -, após comer comida indiana, beber uma cerveja e rir do pessoal se colorindo e jogando água, meu humor melhorou: foram camisetas rasgadas, fotos engraçadas e uma experiência sem igual para guardar na memória. Não deixar a Holi Party de lado foi uma sábia escolha – apesar de ter colorido minha rasteirinha branca de rosa também.
Tentativa de foto com todos presentes

Fui embora antes de escurecer de carona com o big Mike e a Petra. Foi bom ir mais cedo, porque fui convidada a ir jantar com eles na casa do big Mike. Ele nos deixou em nossas respectivas casas para nos recompormos como pessoas normais, enquanto ele fazia as compras – tudo bem que com um chuveiro SUPER POTENTE com água gelada, não conseguiria tirar todas as cores; restando a Jaqueline com uns vermelhos e verdes ainda em parte das costas e nos braços (faz parte!).

Lá, Tânia, Radek, Mike e Anne (francesa que conheci hoje) se juntaram a nós para, na verdade, lancharmos. Antes de big Mike preparar tudo, eu e Anne ficamos conversando na sacada, tomando vinho: ela acabou de chegar aqui e uma das primeiras experiências em Gana foi essa loucura de festa indiana. Logo depois, Giovani se juntou a nós. O papo estava bom, mas foi melhor ainda sentarmos para comer: pão de hambúrguer, frango desfiado, salada e maionese. Estava uma delícia, exceto eu ter comido sem querer as DUAS ÚNICAS PIMENTAS que haviam no frango desfiado: chorei de tão fortes – logo eu!

Passadas duas horas lá, resolvemos partir: big Mike nos levaria de volta, mas Radek estava de carro e nos deu carona. O dia foi longo e cansativo e não tinha meu namorado online, mas resolvi ficar na net. Fiquei até meus créditos acabarem: hoje completei um mês com modem. Dá-lhe eu me virando para comprar os créditos na Zain antes das 17h durante a semana. Não quis pensar nisso e dormi.

Sábado, 27 de fevereiro – Eu tento, mas não rendo

A ideia era ir ajudar no trabalho, mas acordei 9h, exatamente o horário em que Lucette estaria em Osu (região que moro), onde poderia me dar carona para irmos juntas à Grafitec. Liguei para ela mesmo assim, porque poderia me arrumar rápido e ir no pique, mas como pediu para encontrá-la no Franks, “fast-food” (porque em Gana nada é rápido) localizado há uns 20 minutos de casa: não ia dar tempo! Cheguei a cogitar mentalmente a possibilidade de ir de táxi, mas parei para pensar: "Eu vou pagar no mínimo ¢8 para trabalhar três horas na distribuição, que nem é minha área, sendo que fiquei horas e horas durante a semana sem o que fazer? Não, muito obrigada!". E voltei a dormir.


O ideal seria ter ficado acordada e atualizar meu blog decentemente, mas não dei conta e acordei na hora do almoço. Comprei comida no Master's, “restaurante” perto de casa, e, depois de almoçar, atualizei meu blog com apenas dois posts: eu estava devagar demais. O dia passou voando e, quando vi, já era quase de noite e tinha uma festa de aniversário para ir – de um dos convidados da festa de ontem, Jeremy; detalhe: Pool Party (COM CERTEZA eu ia entrar na piscina! Para quem não sabe, fui irônica). Como não sabia como ir, assim que me arrumei fui para o apartamento da Ana para irmos junto com o Nick – que mora no mesmo “prédio” (na verdade, parece uma grande casa com várias suítes: os apartamentos).

Os "sem juízo" resolveram fazer um esquenta para o aniversário e fomos numa loja de conveniência comprar vodca, gelo, sprite e coca-cola. Eu e Ana aproveitamos para comprar algo para comer: eu, sorvete, e as duas, amendoim em garrafa plástica (nunca tinha visto!). Quando estávamos curtindo nossos amendoins, Nick e seu amigo resolveram parar para comprar comida, comida. Eu e Ana ficamos pensando que se a gente soubesse não teria comprado os amendoins, mas ao mesmo tempo seria melhor comer comida, então topamos dividir uma marmita de arroz, frango e molho com vegetais. Comemos e bebemos no apartamento da Ana, com direito a fotos, músicas do Michael Jackson e vídeo da Beyoncé – que eu descobri ser a melhor cantora de todos os tempos segundo a opinião de todos os presentes, menos a minha (porque nunca tinha parado para pensar sobre isso). Isso até a Lorena, atrasada meia hora, chegar.

Fomos todos juntos para a festa e no caminho terminamos de beber o que faltava. Avi nos encontrou em determinado ponto, porque o Nick não fazia a mínima ideia de onde era. A casa era grande e a festa já estava bombando, afinal ela começara às onze e já era mais de uma. Como havíamos bebido bastante, nosso primeiro compromisso era ir ao banheiro: mulheres! Em seguida, fomos buscar mais bebida – nem sei como eu poderia beber mais. Na verdade, eu não poderia e a festa acabou mais cedo para mim: ainda bem que tinha o Hussein e o Assif (conhecidos e de carro) para darem carona para mim, porque a festa estava em pleno vapor e achar táxi onde estava àquela hora seria impossível. Cheguei em casa antes das três.
 
PS: Nada de Pedro hoje, já que está sem modem esse FDS... que final de semana estranho sem ele!

Sexta-feira, 26 de fevereiro – Se tá tudo ruim... melhor acabar em festa! (Brazilian Party)

O dia hoje foi de espera para novos desafios: ainda mais porque 20 anúncios não são obtidos da noite para o dia. Na esperança de planejarmos juntas como atuar de maneira eficiente em um mês, comecei a redigir um Plano de Vendas. Mas a manhã se foi e nada de nos chamarem para uma reunião. Para desestressar, eu, Lucette e Aga resolvemos almoçar em um lugar diferente: Kikoriko.


Apesar de mais caro, o restaurante é bem próximo de nosso trabalho e me proporcionou uma refeição com carne vermelha e muita salada – já que meu prato vinha salada e eu e Aga rachamos uma outra salada. Além da boa comida, admiramos uma pintura de parede bastante inusitada: Saddam Hussein, Tony Blair, Bin Laden e Bush almoçando felizes na mesma mesa – foi a Aga quem reparou... nós rimos! Resumindo: muita boa pausa para o dia de hoje...


Passada a hora do almoço, Philippa nos chamou para falara que deveríamos nos dedicar à distribuição da revista e, portanto, a reunião ficaria para depois. Eram mais de quatro e nada de revistas finalizadas. Enquanto toda essa falta de efetividade de serviço acontecia, Ana me ligou falando que o motorista do Rustom (chefe do Nick e anfitrião da Brazilian Party) a buscaria no trabalho às 17h30 e poderia me buscar em casa para, juntas, irmos mais cedo organizar tudo. Já que as revistas não ficavam prontas e eram 16h20. Falei com a Aga e topamos ir de trotro e táxi “coletivo” hoje, invés de esperarmos o motorista. Cheguei em casa a tempo de arrumar minhas coisas e partir. No caminho, ainda passamos no Koala (supermercado bastante conhecido daqui) à caça de farofa de mandioca temperada e... achamos - imagina a luta que foi procurar por isso em inglês (ainda bem que a Ana estava por perto)!

Chegando lá, fomos recepcionadas pelo empregado que carregou a compra e os doces e artefatos brasileiros para dentro da PEQUENA casa. O dono, Rustom, não estava lá ainda, mas após deixarmos nossas coisas no quarto de visitas, nos juntamos às TRÊS cozinheiras. Elas haviam preparado tudo conforme as instruções dadas pela Ana por e-mail: feijoada, bobó de camarão, arroz, carne vermelha, mandioca cozida e nêga maluca. Com a farofa em mãos, e nossas orientações a temperaram. Enquanto isso, preparamos os doces em duas travessas: doce de leite, pé de moleque, rapadura, doce de amendoim, paçoca, torrone, goiabada e balas. Em seguida, tínhamos à disposição os legumes, as verduras, os tomates, as mangas e os abacaxis lavados e descascados para a salada tropical: restou-nos cortar, fatiar e montar uma travessa bem colorida. Por último, elas nos deram lavados e descascados os limões para cortarmos para... a caipirinha!

Tudo preparado, já eram sete e meia e a festa começaria em uma hora: eu e Ana precisávamos tomar banho e nos arrumar. Apesar da expectativa de usarmos fantasias de carnaval, usamos shorts/saia e blusinha como normalmente pulamos carnaval. Na sala (quase um salão) onde aconteceria a festa, tínhamos à disposição para complementar o visual: poás e arquinhos com antenas laminados em prata, verde, azul e amarelo, sem contar tinta para a pele verde e amarela. A decoração ficou por conta da canga da bandeira do Brasil da Ana, bandeirinhas brasileiras, cornetas verde e amarela e confetes: todos esses artefatos e doces brasileiros foram trazidos pela Ana, que esteve no último final de semana no Brasil para sua festa de formatura.
Tentamos fazer tocar só música brasileira, mas com a presença de tantos libaneses, ficou difícil manter o clima. Não estava muito animada até a hora de começarmos a comer: que saudade! Foi muito bom apreciar nossa comidinha, mesmo que não tenha sido feita pela minha vó, minha mãe ou minha irmãzinha... Ah, a bebida da noite, pelo menos para mim e para a Ana, foi caipirinha obviamente – e olha que tinha muitas opções! Quando estávamos quase indo embora, porque estávamos bem cansadas, Rustom pediu para trocarem a música e escutamos e dançamos axé a noite inteira – inclusive “segura o tchan!”, sucesso super recente, como vocês bem sabem. Se tínhamos companhia na dança? Sim, uma das convidadas e, mais tarde, Lorena – dando apoio às coleguinhas latinoamericanas.

Tiramos muitas fotos para registrar nossa alegria em estar no clima da terrinha e aproveitamos muito o som energizante, mas estávamos cansadas demais para aguentar madrugar na festa: era dada a hora de partir. Cheguei a me preocupar de não achar táxi na região por volta da meia-noite, mas antes de ir à caça, Rustom nos ofereceu seu motorista e só restou indicar o caminho. Chegando em casa, só pensava em dormir, porque prometi tentar ajudar na distribuição da revista amanhã de manhã, lá na North Industrial Area... será?!

Quinta-feira, 25 de fevereiro – Tempo perdido

Com uma nova função à vista, apesar de eu não estar muito animada, o dia começou mais com cara de trabalho. O problema é que ficamos aguardando a tal reunião com a diretora de Marketing pela manhã e na verdade só aconteceu às 11h. O que foi definido? Que a gente tinha que conhecer toda a gráfica offset e os tipos de trabalhos realizados lá. O resto da manhã foi, portanto, amolando Nasser e Ramil para nos mostrar todas as máquinas, funções e materiais utilizados. Durante a tarde ficamos redigindo tudo o que vimos, até que no final da tarde nosso chefe se reuniu com a gente e disse que queria a gente trabalhando para o Marketing específico da revista: se não conseguíssemos 20 anúncios não haveria mais What's On. Ainda baqueadas com o vai e vem de decisões, voltamos para casa.

Momento meditação...

O stress era tanto, que resolvemos partir para o Ryan's Irish Pub: pertinho e dava tempo de falar com o Pedro depois. Lá encontramos com falantes de espanhol, Giovani (de Cuba) e Fernando (da Argentina), e tentei falar, mas nem deu muito certo: o verdadeiro spanglish – isso que o Fernando falou que, se eu não lembrasse de alguma palavra em espanhol era para falar em português... e lá estava eu falando inglês de novo! Bom, a Aga queria ir, ainda mais porque já havia passado das nove, deadline para comprar tudo pela metade do preço. Pena que quando cheguei em casa e liguei para ver se ele entraria na net, descobri que o problema de ontem era do modem e a gente não se falaria. Restou-me dormir com meu outro Pedro... de pelúcia!

Quarta-feira, 24 de fevereiro – Qual é a minha função?

O dia hoje foi de recomeço: acordamos, nos arrumamos e chegamos no escritório sem saber exatamente onde e com que trabalharíamos. Na verdade, o onde era na sala de um agora “ex-diretor”, com uma mesa, um computador e três pessoas para trabalhar: eu, Aga e Lucette. Sentamos lá com nossos notebooks – ainda bem que cada uma tem o seu – e ficamos a espera do que seria da gente. Enquanto isso, a Aga ficou montando um relatório das nossas visitas do dia anterior, a Lucette estava passando seu tempo com um jogo baixado da internet e eu escrevia para o blog, que estava bem atrasado – para variar.


O horário do almoço veio como uma luva, afinal ficar no trabalho sem trabalhar definitivamente não era uma situação confortável, ainda mais quando sabíamos que a companhia estava passando por uma reviravolta. Voltamos do almoço e nossa situação foi de ócio até o final da tarde, quando nosso chefe passou em frente à nossa sala e a Aga perguntou se ele falaria com a gente e ele responde: “Eu já falei com a Philippa, ela não falou com vocês ainda?”. Adoro essas pessoas que ficam nos enrolando um dia todo, enquanto poderíamos estar efetivamente trabalhando. Vendo que restava meia hora para o expediente acabar, a madame finalmente nos chamou à sua sala e pediu para fechar a porta – pela sua simpatia, só conseguia pensar: MEDO!

Ela perguntou em que estávamos dispostas a trabalhar sem ser na revista: uma de cada vez. Eu fui a última e, apesar do receio em falar o que “não deveria”, deixei bem claro que meu intuito era trabalhar com a revista, mesmo que fosse no Departamento de Marketing, que é a minha descrição de cargo oficial. Sem a revista, eu gostaria de trabalhar com Comunicação dentro do Departamento de Marketing ou com o Departamento de Designing da Grafitec, duas possibilidades de atuação que ainda estariam dentro do meu desenvolvimento profissional em minha área. Mesmo manifestando essa minha vontade, nossa função foi delegada para o mês em que ficaríamos sem revista: estávamos alocadas no Departamento de Marketing da gráfica como um todo e teríamos uma reunião na manhã seguinte para recebermos orientações, já que o expediente se encerrava. Apesar da maneira simpática com que fomos tratadas na reunião, estávamos mais aliviadas, porque sabíamos pelo menos por alto o que faríamos sem What's On. Por falar em revista, recebemos a notícia de que ela ficaria pronta apenas na sexta-feira.

Hoje o dia foi devagar no trabalho, mas de vento em popa no meu blog, colocando mais cinco posts no ar – foi tanto milagre que teve gente que gritou aleluia assim que anunciei a atualização (né, Grace?!). Ah, claro, com direito à companhia do meu lindo na net – companhia que durou até ele ficar off, do nada! É triste, mas: paciência! Ele já enfrentou meus ONs e OFFs da vida. Pelo menos eu, Aline e Grace tivemos um divertido papo juntas – saudade das Ps Forever! -, e como sempre Álvaro e Petros me fazendo companhia. Tudo muito bom, mas era hora de dormir.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Terça-feira, 23 de fevereiro – Expediente atípico, pôquer e... vacilo

Sem saber exatamente como seria nosso esquema de trabalho nas ruas, coloquei meu relógio para despertar no mesmo horário de sempre: 7h. Acordei e fui direto perguntar para Aga qual seria nosso plano. Se queríamos contatar hotéis e restaurantes, o ideal seria começarmos às 10h. Então resolvi dormir um pouco mais. Dado 9h, acordei e comecei a me arrumar para meu “dia de vendas” e, pela primeira vez (pasmem!), passei roupa aqui.
Roupa trocada, bolsa com as edições da What's On de janeiro e cartões de visitas da Diretora de Marketing (porque nosso poder é tanto que nem cartão de visitas próprio, nós temos), começamos nossas visitas por Osu – região em que moramos. Awet Hotel, Yami's Restaurant, Lara Mart e mais dez lugares abriram suas portas para nos receber falando sobre as vantagens de ser um de nossos anunciantes. O mais irônico era notar que uma polonesa e uma brasileira falavam de uma revista marcadamente ganense.

Metade dos lugares visitados, paramos em um lugar para beber uma vitamina em plena hora do almoço. Pensei que seria algo bem saudável, mas quando chegou descobrimos que havia sorvete no meio: então tá! De lá, resolvemos voltar em casa para pegar mais revistas, já que não saímos com todas por causa do peso. Mais tantas outras visitas e estávamos de volta em casa às 15h: que beleza! O resultado? Alguns talvez, dois claramente “não”, uns três praticamente “não” e mais um tanto “repassaremos ao gerente”. Para duas inexperientes, eu achei bem positivo e, de quebra, só fomos recebidas por pessoas simpáticas – algo raro no mundo dos negócios, não?!

Minha grana estava praticamente nula e é chegada a hora de retirar o dinheiro que mamãe mandou, já que meu salário deste mês não foi completo. A minha sorte é que descobri onde o Mastercard funciona e é bem perto de casa, portanto apesar do calor insuportável fui e voltei num pulo direto para o ventilador de casa – o ideal seria um ar condicionado, mas ele ainda não está funcionando infelizmente e, diante das circunstâncias nem quero arriscar pedir para a empresa o pagamento no conserto.
Doida para tomar AQUELE banho, por causa do calor, me deparei com um chuveiro sem água... que ótimo! Como já estou ficando acostumada a rir dos empecilhos básicos da vida cotidiana aqui: peguei meu potinho de metal improvisado, mergulhei no grande balde preto cheio de água (objeto permanente no meu banheiro) e tomei meu banho.

Como o nosso expediente de hoje acabou mais cedo, resolvi dar uma cochiladinha antes do pôquer, que o pessoal combinou de jogar todas as terças. Aga e eu acordamos, nos aprontamos e fomos ao Venus Bar de táxi – detalhe que a gente tinha ido lá à tarde à pé, mas estávamos com muita preguiça de andar mais. Lá chegando, conheci Edwin, o dono das fichas de pôquer, e mais uma moça – para variar não lembro o nome -, ambos ganenses! Para não deixar passar o encontro em branco... um mico: estávamos quase todos sentados à mesa onde eles jogariam pôquer e só vi alguém colocando uma cerveja na mesa, aí aproveitei para fazer o meu pedido. A pessoa saiu e só vi a Aga e o Nick rindo sem parar. Perguntei o que havia acontecido e o Nick me disse: ele não é o garçom... é o Edwin! Isso que dá não olhar com quem você fala! Vergonha de mim! Pedi mil desculpas, mas ainda ouvi uns comentários dos dois me zoando mais tarde.

Apesar de não ter jogado, aprendi basicamente as regras lendo um papel que vem no kit do Edwin e acompanhando os demais jogarem – até mesmo porque vocês devem imaginar como é aprender em inglês um jogo que você jogou uma vez na vida há 500 anos. O que não me agrada muito nesse programa é saber que apostamos dinheiro: por mais que sejam ¢5 por pessoa em cada rodada, ainda assim é aposta de dinheiro. Eu gosto mesmo é do bom e velho truco (né, Wagner, Marília e Claudinha?) ou buraco (né, Petros, Flévis, Álvaro e Karen?) ou ainda um Presidente, um Mau Mau... Como o jogo não estava nos meus planos, resolvi pedir batata frita – pior foi esperar mais de meia hora por ela.

O meu plano era chegar às 23h em casa para falar com o Pedro, mas o Nick ofereceu carona para mim e para a Aga e eles decidiram passar no Bella Roma, um bar e danceteria, tomar um drink antes de irmos definitivamente embora. Como estava de carona, restou-me acompanhá-los. O bom é que ainda estava com fome e o pessoal, amigos do Nick, estava comendo pizza, mas não estavam dando conta: filei um pedaço – bom!!! O melhor foi que esse pessoal estava sabendo da Brazilian Party no dia seguinte e Laura, da Letônia, começou a me perguntar como era minha fantasia de carnaval... afinal, todas as brasileiras logicamente saem de biquini e plumas pela rua na ocasião. Viva o estereótipo!

A conversa estava boa, mas eles se foram e resolvemos partir, até mesmo porque eu já tinha de estar em casa na internet. Meu lindo estava on e conversamos até eu não aguentar de sono e dormir... de novo! É... acho que estou ficando velha e fraca para me manter acordada: só restou mandar um e-mail pedindo mil desculpas – que raiva de mim!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Segunda-feira, 22 de fevereiro – Meu mundo caiu... (E agora?!)

Acordei preparada para um dia devagar no trabalho após um final de semana relativamente movimentado. E foi o que encontrei assim que cheguei no escritório da What's On: silêncio. Ao meu redor: nada de Romeo, Anyama ou Isaac, ou seja, meu departamento era... EU. Pior: nada de revista pronta para distribuição, pois começou a ser impressa no sábado (na sexta, só a capa). Levando-se em consideração que trabalho no Departamento de Designing e as horas extras deveriam ter sido muitas na sexta e no sábado, fiquei ali, sentada no meu computador sem maiores preocupações. Como ficar sem fazer nada não é meu forte e estava completamente decepcionada com a falta de prazos em uma revista mensal de circulação nacional, comecei a redigir dois documentos: a proposta da revista (razão de existir, conteúdo e estrutura) e um esquema de controle da execução de tarefas (um MS Project sem MS Project, se é que me entendem). Sim, eles não possuem isso.


Por volta das dez horas, Mr. Nasser, meu chefe, me chamou para conversar em seu escritório. Não me preocupei, porque ele havia chegado há pouco e ainda não havia avaliado minha atuação, portanto poderia ser o motivo da “reunião”. Perguntas básicas feitas, ele vai direto ao ponto: “O que está acontecendo entre Anyama e Romeo?”. Boa pergunta, porque não fazia a mínima ideia do que responder, mesmo depois de eu descobrir que ele se referia a um problema no meu departamento e eu nem havia reparado isso – mesmo com todos os problemas da revista. Reparando que eu estava “boiando”, começou a ler uma mensagem do seu celular para mim, que Anyama enviou no sábado de manhã lhe avisando que infelizmente ela não tinha condições de finalizar a revista porque era impossível fazê-lo com a falta de colaboração de Romeo e Isaac. Bom, partindo do pressuposto que o prazo de conclusão da edição era na quinta e que meu chefe estava em plena manhã do sábado e início de final de semana quando recebeu esse recado por MENSAGEM, eu não poderia esperar mais tranquilidade por lá e a nossa insatisfação de internships na sexta-feira já não era mais nossa, mas do chefe.

Resolvi responder sua pergunta, explicando que não havia reparado especificamente um problema, mas que era necessário todos nós nos organizarmos para a revista não atrasar desta maneira e, também, para não sobrecarregarmos as etapas finais porque houve demora na etapa inicial e principal: redação. Como ele percebeu que o problema era muito maior do que ele imaginava, chamou Aga, que também propôs de fazermos um cronograma para evitar um atraso como esse. Foi quando ele decidiu chamar todos os funcionários que trabalham na revista para comparecerem a seu escritório e, consequentemente, descobriu que parte deles não estavam presentes na companhia. MEDO! Resumindo o recado dado era que ninguém receberia se a revista não estivesse pronta para distribuição até quarta-feira e que a partir daquele momento seu escritório passava a ser na sala da Anyama, onde ele poderia observar em que cada um estava trabalhando. Encerrada a reunião (bronca), eu, Lucette e Aga começamos a remover todas as coisas da sala da Anyama para a sala dos designers (onde eu trabalho) – exceto os móveis e o computador, obviamente. Era dada a hora do almoço e eu e Aga decidimos almoçar no restaurante para sair do clima tenso.

Uma hora depois do almoço, os jornalistas foram chamados a comparecer ao escritório de nosso chefe. Em menos de cinco minutos eles estavam de volta e recebemos a notícia da boca de nosso chefe: todos, exceto eu, Aga e Lucette, estavam demitidos e a revista pararia de ser publicada. Eu e Aga estávamos na mesma sala e, sem reação, permanecemos digitando nossos documentos no computador. Percebendo que não havíamos entendido o recado total, Mr. Nasser pediu que eu e Aga desligássemos nossos computadores e o esperássemos no escritório da Grafitec, porque nosso local de trabalho não funcionaria mais: FECHADO! Meio zonza, desliguei meu PC sem ter tido tempo de mandar por e-mail o material que estava preparando, nem o rascunho dos posts do blog que estavam atrasados. Já era!

Sabe aqueles dias dos quais você vai se lembrar para sempre? Este com certeza está incluso na lista. Ficamos eu e Aga horrorizadas, sentadas na recepção administrativa da gráfica, bolsas no colo, aguardando Mr. Nasser nos chamar para conversar. Ele nos chamou no final do nosso horário e discursou sobre o prejuízo que uma revista de alta qualidade como essa e distribuída gratuitamente estava causando a ele e... para quê?! - eu me perguntei porque ele resolveu se dar conta disso agora e não se planejou para que não chegasse nesse ponto. Lamentações à parte, ele nos informou que ficaríamos temporariamente sem What's On até que ele montasse uma nova equipe e que possivelmente voltaríamos com a edição de abril. Só para situar um pouco o porquê de uma nova equipe: ele perguntou aos jornalistas sobre as matérias da edição de março e nenhuma estava pronta!

Que a gente não tinha a revista a gente sabia, mas o que faríamos nesse meio tempo se nossa descrição de cargo é voltada para a revista?! Hoje ele não respondeu. E como também não teríamos onde “trabalharmos” no dia seguinte, Aga se ofereceu para visitar possíveis lojas e empresas em busca de novos anunciantes para a revista. Meu chefe gostou da ideia e pediu para eu acompanhá-la. Só balancei a cabeça e aceitei, afinal o que eu poderia negar ou confirmar a essa altura do campeonato?! Pegamos 18 revistas com Philippa e rumamos ao carro para irmos embora. Na frente da companhia, estava Lucette. Desolada, mas junto com a gente, formando as três que restaram do que chamei de uma boa revista para se trabalhar.

Chegando em casa, Aga só queria saber de fumar e eu... nem sabia o que fazer. Sem energia, o dia parecia mais escuro do que já estava e a agonia de digerir tudo isso em plena segunda-feira à noite me fez ligar para Gifty: como membro da Aiesec CUC responsável pelos intercâmbios, ela poderia me dar uma luz. Mas ela estava um pouco ocupada e eu um pouco afobada, falei e ela não entendeu nada... percebi que só fez piorar eu ter ligado. Ela disse que iria à companhia amanhã para conversarmos, expliquei que estaríamos na rua. Restou a promessa de que falaria comigo por telefone depois. Restou a mim, desabafar no MSN da vida... pelo menos a luz voltou.

PS: Agradeço a atenção especial de Petros, Álvaro, Daisy, Grace e Pedro neste dia. Foi tenso, mas vai passar... afinal a vida continua!

quarta-feira, 3 de março de 2010

Domingo, 21 de fevereiro – Tristeza vai embora: faz um dia lindo lá fora (Saudade VIII)

A ideia era acordar às nove para curtir a piscina que não havia curtido no dia anterior, mas olhei para o lado e resolvi continuar dormindo também. Acordei às dez, me troquei e fui tomar café – nem que fosse sozinha, já que todo mundo devia estar bodado. Para minha surpresa, quando cheguei no restaurante, Sahil estava sentado em uma mesa e perguntou se queria tomar café, porque ele já havia pedido. Pedi o cardápio, mas a moça se recusou porque já havia passado da hora. Mas como eu saberia o que pedir?!
Então Sahil me ajudou a descrever as duas possibilidades que eles tinham (café continental ou café inglês) e eu optei pelo inglês: omelete, pão, margarina, geleia, café puro ou com leite ou chá. Apesar da má vontade inicial, nosso café veio acompanhado de um adicional presente no café continental: salsichas – só não estranhei tanto porque estava quase na hora do almoço.


Apesar do aparente bom dia, Sahil percebeu que algo havia de errado e não era para menos: minha cara não estava dentre as melhores. Tentei não falar nada, mas eu estava com acúmulo de pequenas insatisfações e ele começou a me perguntar, porque não queria me ver mal. Pior que nem eu sabia direito. Comecei tentar explicar o que pontuei mentalmente [os possíveis motivos de meu mau humor junto com tristeza]: 1) dormir em três numa cama de casal enquanto havia uma cama de casal com apenas uma pessoa; 2) ser interrompida umas três vezes no dia anterior porque eu havia pronunciado uma palavra um pouco diferente; 3) sonhar com meus pais vindo me buscar no momento em que completo um mês de intercâmbio (e tenho mais cinco pela frente); 4) não conseguir falar com meu namorado, quando era tudo o que mais queria em meio a tudo isso. Chorei um bocado, mas foi aliviante. Além disso, Sahil compartilhou muitas histórias de estrangeiros que vivem ou viveram em Gana e sofreram no início pela maneira como falavam: rápido demais, baixo demais, com pronúncia difícil de entender.

No meio da nossa refeição [e logo após meu desabafo], Avi se juntou a nós e, apesar da hora, conseguiu pedir café – inclusive com o brinde [salsichas]. Foi com Avi à mesa, que descobri que o outro carro já havia partido rumo à Wli bem cedinho. Ryan chegou um pouco mais tarde, quando a moça parou de estender o horário do café da manhã para a gente. Já que a fome não escolhe hora, foi a Aga chegar para os dois “sem café” pedirem o almoço – e cerveja. Assim que acabaram de comer, foram beber perto da piscina e, em seguida, iríamos andar de barco. Como não havia nadado, pedi um tempinho na piscina antes: a água estava morna, mas diante do calor era refrescante.

O passeio de barco foi perfeito! Passamos por todos os hotéis que visitamos antes, muito verde, duas pequenas ilhas, uma vila e até a casa “de descanso” do presidente (lá no alto da montanha), com vista para a maior usina hidrelétrica de Ghana.
Na volta, antes da terra firme, passamos por debaixo da ponte que passamos de carro para chegar até Akosombo. Tudo isso, sem contar o vento fresco. É... foram muito bem pagos os 40 minutos (o passeio nos custou ¢35, ¢7 para cada um). Depois desse passeio, duas horas na piscina, rolinhos primavera, sorvete (de novo!) e uma efetiva ligação para o namorado, não tinha como meu dia não estar melhor. Mas, para variar, tudo o que é bom dura pouco: era dada a hora de partir.

Na volta, lembramos que não havíamos tirado foto todos juntos e paramos no meio da rodovia para registrar esse momento. No meio do caminho também admiramos a paisagem, o que nos levou a parar mais uma vez para tirar foto de uma cruz prata gigante na ponta da montanha. Assim que chegamos em Tema para deixar Sahil (Tema fica bem próximo de Acra e é a nova cidade-trabalho dele), todos estavam com fome e queriam um restaurante bom: depois de entrar em um chinês e nos deparar com preços bem salgados, fomos para um indiano com indicação de um amigo do Sahil por celular.

Como estávamos com dois indianos, os pedidos ficaram por conta deles, o que resultou em: Jaqueline sem saber o que iria comer, quais eram os nomes e quanto iria pagar. Ainda bem que já havia me prevenido do possível rombo no meu bolso e perguntado para a Aga se poderia pagá-la assim que chegássemos em casa. Portanto, minha maior preocupação era o grau de “apimentamento” da comida, visto que tinha ouvido dizer que comida indiana é pior que ganense nesse quesito. Assim, antes da conclusão do pedido, fiz questão de frisar minha preocupação para o garçom, que informou que não fariam muito apimentado.

Agora, de noite, me sentia bem pedindo uma cerveja, até mesmo porque queria aliviar meu medo de morrer “apimentada”, além de amenizar a pimenta em si, caso o garçom não fosse fiel ao meu apelo. Quando os pratos começaram a chegar, me senti num banquete: três tipos de “pães” (com alho, com queijo e tradicional), três tipos de molhos (frango com molho avermelhado, frango com molho amarelado e um tipo de queijo com molho esverdeado – vegetariano) e três tipos de molho de pimenta (verde claro, vermelho e avermelhado com pedaços meio verdes).
Como vocês puderam perceber minha riqueza de descrição, Avi e Sahil me privaram do sofrimento antecipado e não me descreveram os ingredientes, restando a mim colocar um pouco de cada (inclusive cada sub-tipo) para escolher colocar mais depois dos meus preferidos. No final, sobrevivi gostando, porque moderei na quantidade das pimentas – praticamente um “pingo” de cada. Para completar, experimentamos uma sobremesa típica indiana, uma espécie de bolinha de açúcar (parecida com uma esponja consistente) em calda de caramelo – estava morna, mas acho que pode ser gelada também... deve ficar bom! Até que pela especificidade e variedade dos pratos a brincadeira ficou em um preço razoável por pessoa: ¢17 (na verdade, pagamos ¢20 e deixamos “gorjeta” pelo atendimento – achei meio alta, mas como quem pagou foi a Aga, nem pude reclamar meu troco!).

De volta à Acra, banho tomado e coisas arrumadas, só dá a Jaqueline doida para entrar na net: não eram nem nove e meia e, sem horário de verão, no Brasil não eram nem seis e meia, portanto muito tempo para conversar e matar a saudade do Pedro – tudo bem que foram menos de dois, mas estou mal acostumada. Além de contar todas as novidades daqui e de lá, finalmente mandei o primeiro dos 148 e-mails “pergunta e resposta” que trocaremos durante meu intercâmbio. Sim, aprendi a contar meus dias aqui junto com o Álvaro e descontei os dias que não mandarei/lerei e-mail porque estarei viajando de volta para minha terrinha.

terça-feira, 2 de março de 2010

Sábado, 20 de fevereiro – Atraso, mudança de planos e... AKOSOMBO!

O dia começou mais tarde do que eu havia programado, dando tempo apenas de me arrumar e arrumar minhas coisas para viagem. Estava prestes a comprar meu almoço, quando Aga chegou. Perguntei se ela queria: já havia trazido o seu. OK, desculpa! Comprei meu saudável almoço (mas dessa vez sem me perder no caminho, afinal o tal restaurante é na mesma rua de casa!!!) e comi. Assim que acabei, tentei mandar o e-mail que eu havia prometido com as perguntas pelo menos, mas Aga tinha pressa porque Avi estaria esperando a gente no Accra Mall, do outro lado da cidade. Fiquei triste porque além de atualizar o blog, não mandei e-mail, mas ligaria para o Pedro mais tarde.


O táxi até Accra Mall foi realmente um dos mais caros que já paguei aqui (¢6), mas nós racharíamos: menos mal. No caminho, além do calor insuportável, ficamos parados um tempo no trânsito, porque o presidente da Libéria estava em Gana – foi aí que me lembrei que vivo na capital de um país. Estávamos mais preocupadas ainda, porque eles haviam marcado às duas e estávamos dez minutos atrasadas. O pior foi que, quando chegamos, eles estavam atrasados: foram mais de 40 minutos vagando no shopping! Só não foi tão ruim porque eu nunca tinha ido lá e fiquei boa parte do tempo em uma livraria – já adoro livraria, imagina com os títulos em inglês e com várias obras nacionais (lembra, Renan, que eu quase me matei procurando um livro sobre Gana na Saraiva de JF?). Definitivamente preciso voltar lá com mais calma e mais dinheiro.

Após idas e vindas para fora do shopping (gostando muito mais de esperar dentro, porque o sol estava de matar), eles chegaram e, finalmente, viajaríamos. Tirando o fato que eram quase quatro horas da tarde e a gente tinha seis horas pela frente, a viagem foi animada: com direito a música indiana e música em espanhol, mas não sei de qual país – só sei que a tentativa era ser música brasileira (nem comento!). Como vocês poderiam esperar, após quase duas horas de viagem Avi teve a brilhante ideia de deixarmos a ideia da cachoeira de lado e ficarmos em Akosombo, cidade em que estávamos passando naquele momento e que possui uma bela paisagem natural.

Como tínhamos outro carro em nossa companhia, com mais três indianos (Parshil e duas garotas), tínhamos que perguntá-los. Por celular, eles queriam manter o plano inicial, mas, mais tarde, Avi parou o carro e esperou os demais para tentar convencê-los de que ficar em Akosombo era a melhor alternativa, já que o trecho de estrada durante à noite seria péssimo. Além disso, indo para Wli, não aproveitaríamos o sábado, somente o domingo, e ainda teríamos de sair bem mais cedo no domingo porque todos tinham de trabalhar na segunda. O pessoal do outro carro concordou em ficar, mas logo cedo no dia seguinte partiriam pra Wli – segundo Parshil, as garotas não teríam outra oportunidade, porque estavam aqui por pouco tempo; eu também estava doida para chegar ao destino inicial, mas 12h de viagem com apenas um pouco mais de horas de sono e passeio em menos de dois dias não me atraíam muito. Neste novo destino, não tínhamos reserva e nem noção de preços de hospedagem, então seguimos à caça.

Pesquisamos em três hotéis. O primeiro é lindo: estilo pousada, com trepadeiras em umas estruturas de madeira em frente à construção principal (onde fica a recepção), jardim, uma piscina azulzinha e, obviamente, vista para o lago – que mais tarde descobriria ser Volta, o segundo maior de Gana. Por ser tudo isso, me preocupei com o valor da estadia e, claro, da comida e da bebida. E veio: ¢50, o quarto duplo. Para quem planejava pagar ¢6 para dormir em Wli, ¢25 pesou – tudo bem que em Wli teríamos um quarto para três pessoas e um banheiro a cada dois quartos, mas ainda eu pagaria quatro vezes menos.

O segundo hotel foi mais engraçado do que lindo, já que assim que estacionamos o carro, nos deparamos com uma placa de alerta sobre nadar no lago: “se ficar bêbado, não nade!” - nossa, muito obrigada por me alertar! O lugar era bacana também, mas depois do primeiro não fiquei muito animada: era mais rústico, com bastante vegetação e flores (eu me empolguei tirando fotos para mamãe, afinal conhecia todas as flores graças à nossa ex-floricultura – só não lembrava os nomes!). Era um pouco mais em conta, ¢40, o quarto duplo, mas não havia quartos suficientes: estávamos em oito e eles tinham apenas três quartos vagos.

O terceiro e último hotel parecia maior, mais “cara de hotel”, mas assustou um bocado diante do fato que queríamos tranquilidade e estava hip hop bem alto na piscina, que por sinal estava lotada de ganenses - nos outros dois, vimos apenas estrangeiros. Neste, pelo menos, eu reparei que havia lanchas, jet-skis e até pedalinho, além de um restaurante maior e duas piscinas (uma para crianças). Quando conferi o preço de tabela, quase caí de costas: ¢70, o quarto individual. Preferi curtir os pássaros na gaiola do lado de fora. Até que os homens da viagem voltaram anunciando o preço negociado: ¢40, o quarto duplo – como assim?! Explico: Parshil trabalha no Melcom, uma super rede ganense de lojas que vendem de tudo (pelo menos, tudo o que eu pergunto onde eu posso comprar, é sempre esse o lugar que eu ouço), e os funcionários da loja sempre vão lá em grande grupo e têm um preço especial. Talvez o nosso grupo não fosse tão grande, mas quem faz a fama deita na cama (entendeu, entendeu?!).

Hotel decidido, outro problema: os quartos duplos, na verdade, eram de casal. Apesar de estarmos em quatro homens e quatro mulheres (uma divisão perfeita, sem segundas intenções), havia um casal que incluía minha possível companheira de quarto: Ryan e Aga. Pensei que talvez ela fosse bondosa comigo e compreendesse que eu não poderia dividir um quarto com um homem, até mesmo porque eu tenho namorado, mas ao mesmo tempo estaria “atrapalhando”. Confirmada a vontade de eles ficarem juntos, olhei ao meu redor e perguntei para o único dos demais que eu realmente conheço e converso, Sahil, se ele poderia dividir quarto comigo. Foi a cena mais engraçada! Ele olhou para o Avi e o Ryan, começou a rir e disse me zoando: “Ela me pergunta se poder dormir comigo... vocês acham que eu vou querer dormir com uma mulher do meu lado?” E todo mundo começou a rir.

Brincadeiras à parte, fiquei quieta por um tempo, aguardando as chaves do quarto. Apesar de saber que ele jamais faria nada, estava pensando o que meu namorado ia pensar. Pelo menos, se fosse o contrário, eu ia pensar mil coisas. Ao mesmo tempo, eu não ia pagar o dobro para ficar sozinha – não estava preparada para isso. Foi quando Sahil e Aga me disseram que ele dorme sem se mover do lugar e que, de tempos em tempos, eu teria de acordar para verificar se ele estava respirando porque ele também não acorda por nada. Foi quando eu deixei a preocupação de lado e comecei a rir.

Os quartos eram um ao lado do outro como esperado. Tínhamos ar condicionado, frigobar, uma garrafa para esquentar água, um guarda roupa bem simples com duas portas e, logicamente, o banheiro. Apesar de sentir que faltava dar uma arejada, gostei do que conseguimos por ¢20 cada. Assim que terminamos de conferir essa descrição, Aga e Ryan apareceram e me falaram para eu dormir no outro quarto com ela e ele dormiria com Sahil. Apesar de estar grata pela ação, comecei a me sentir mal por eles e falei que não haveria problema em ficar como estava, mas eles insistiram e eu, no fundo, achei melhor mesmo.

Partimos então para o restaurante antes mesmo de tomar banho: a fome de Aga e a vontade geral de beber algo gelado eram bem maiores. Eu optei por pedir sorvete (que saudade!!!) e uma garrafa grande de água gelada. Apesar da demora, valeu a pena: o sorvete de creme com casca de chocolate a ¢1,50 estava bom (detalhe para o nome: HUMMM!). Como as coisas estavam demorando e descobrimos que a cozinha fechava às nove, decidimos jantar de vez – mas antes Aga foi buscar um repelente, porque os pernilongos também começariam a nos jantar.

Avi havia pedido rolinhos primavera e, como nunca havia comido [apesar de sempre ter ouvido falar], resolvi provar, gostei e queria pedir para mim... quem disse que tinha mais? Que raiva! Acabei pedindo espeto de frango com batata cozida (não queria saber de fritura além do rolinho primavera e não queria pagar mais de ¢10 para o jantar, sendo que havia, pelo menos, café da manhã e almoço no dia seguinte e os preços não eram muito em conta, além de cervejinha no dia de hoje – esse é o mal de se planejar para um tipo de viagem e ter outro). Parecia uma boa pedida diante do fato que comemos tudo frito por aqui, mas faltou tempero salgado no frango e a batata, além de sem tempero, estava meio doce sem ser batata doce: não foi legal, mas comi tudo porque estava com fome. [Enquanto isso, Avi pediu dois pratos completos de comida, não deu conta de comer um direito, porque era muito. Nossa... me senti uma pobre desejando prato alheio, mas ao mesmo tempo sempre achei um absurdo jogar aquele tanto de comida fora.]

Barriga “cheia”, resolvi começar a beber cerveja, que era a única certeza de ser boa, e a música que incomodava à tarde começou a fazer falta à noite, mas o som estava com problema. Depois de tentarem consertar, Avi resolveu colocar o som do carro para tocar e nós dançaríamos no estacionamento mesmo – o garçom até levou uma mesa para perto da gente. No meio das músicas, logicamente, surgiram músicas indianas, afinal apenas eu, Ryan e Aga não éramos da Índia. Aproveitei para aprender alguns passos. Como era um hotel, algum tempo depois um dos garçons nos disse “como quem não quer nada” que havia um clube perto dali onde poderíamos dançar. Na mesma hora, o pessoal lembrou que poderíamos nadar. Eu, honestamente gostei da segunda ideia: primeiro porque estava calor e fazia séculos que não nadava à noite; segundo porque eu não precisava de mais uma despesa, ainda mais sem saber o nível de preço do tal clube.

A galera foi sentar em uns bancos perto do lago, começou a conversar e eu comecei a me entediar porque queria nadar e eles não decidiram nada. Foi quando bateu uma solidão, voltei para próximo do carro onde estávamos e resolvi mandar mensagem para o Pedro, mas ela voltou. Resolvi ligar, afinal não havia entrado em contato com ele hoje: caixa postal. Triste, voltei para junto do pessoal. Uns dez minutos depois, o vento ficou forte e parecia que ia chover, resolvi me despedir e sair correndo para o quarto dormir, porque não estava em clima de tomar chuva. Tomei banho e me juntei ao Pedro [de pelúcia] – sim, eu levei! Antes de dormir, uma foto com ele e uma última tentativa de ligar: caixa postal. Restou-me dormir.

Por volta das duas da manhã, Aga aparece no quarto me chamando para nadar, mas eu estava sonolenta demais para aceitar o convite. Ela pegou o seu biquíni, saiu e eu dormi. Lá pelas quatro, ela e Ryan aparecem, me acordam e sentam na cama me perguntando sobre o Brasil e eu ainda acordei e perguntei o que eles queriam saber do Brasil. “Sei lá, qualquer coisa!”, disse Ryan. Fiquei um pouco em silêncio, pensando o que de útil poderia sair da minha boca àquela altura do campeonato, até que a Aga me perguntou onde estava o Pedro e eu mostrei meu leão de pelúcia com o qual eu dormia. Os três começaram a rir e, de repente, o Ryan começa a cantar a música do Rei Leão. Depois de eles me zoarem mais um tanto, ele resolveu me perguntar qual era a música mais conhecida do meu país. Pensei em “Brasil, meu Brasil brasileiro...” ou em Garota de Ipanema... até que ele começou a murmurar “Brasil... Brasil” em um ritmo que não identifiquei, mas que, segundo eles, eu tinha obrigação de saber. Tentei identificar mais algumas vezes, mas resolvi não me estressar porque nem eu estava raciocinando direito, nem eles estavam cantando direito. Após um tempo de silêncio, voltei a dormir – na verdade, tentei, porque o Ryan resolveu nos fazer companhia, portanto eu estava sem espaço nem para mexer direito, e a Aga acordou umas três vezes para aumentar ou diminuir a temperatura do ar condicionado.

PS: Ando escrevendo demais algumas vezes, me perdoem!
PS 2: Perdoem também a cara de sono de vez em quando...