O dia era de expectativa, afinal a distribuição estava concluída e agora sim minha querida “chefe” poderia se reunir com a gente para traçar um plano de ação para as vendas de anúncios. Aga não se sentia bem, pois seu rim estava doendo, mas como Philippa havia prometido a reunião pela manhã, aguentou as pontas antes de recorrer a um médico. Porém o relógio marcava 11h e nada de Philippa nos chamar, então resolvemos perguntá-la. Adivinha? A reunião seria adiada porque ela acabara de se reunir com o chefe e tinha muitas pendências para resolver. Explicado que Aga precisava ir ao médico, ela pediu que nossa reunião fosse no dia seguinte, já que Aga precisaria estar presente.
Aga arrumou suas coisas e partiu para a clínica. Eu e Lucette ficamos na internet até a hora do almoço, quando fomos ao Lips (restaurante de sempre). Lá pude respirar, mas Lucette estava igualmente descontente com nossas situação incerta que completava uma semana e diante da circunstância em que me encontrava, foi inevitável o choro – tímido, mas o suficiente para desabafar sem palavras. O clima em nossa mesa estava tão pesado, que Tânia e Saulus, que estavam na mesa ao lado, perguntaram se estávamos bem. Explicada resumidamente nossa situação, ouvimos dele “mas vai adiantar ficar reclamando? Faça alguma coisa!” e, apesar de saber que ele tinha razão, fiquei com mais raiva ainda, porque sabia que éramos impotentes.
Na volta para o escritório, resolvi escrever para o blog, que anda devagar com toda essa loucura – talvez seja por falta de motivação. Apesar de tudo, rendi um post, por sinal bem grande e cheio de fotos. Como vi que não teríamos nada para fazer e realmente precisava de recarregar meu modem, quando me restavam 20 minutos para o fim do expediente, pedi à Philippa se eu poderia ir embora. Ela deixou, mas também se não tivesse deixado, eu ia ter um troço, já que eu estava trabalhando MUITO.
Depois de negociar um táxi que fosse até a Zain de Osu por um bom preço e rápido (num horário de muito tráfego), fiquei rezando para dar tempo: mais um dia sem internet não daria certo – eu poderia ter ido para outra loja Zain no meio do caminho, mas queria conversar com o mesmo atendente de quando eu comprei o modem para negociar uma net melhor, por um preço não tão alto. O mais interessante é que não adiantava eu querer uma internet mais rápida, o máximo que eu poderia obter pagando mais era mais capacidade de download e upload. Acabei comprando crédito para 1GB mesmo por ¢30, invés de 4GB por ¢60.
Chegando em casa, descobri que o problema da Aga é muito mais sério do que imaginava a ponto de ela precisar ir ao banheiro a cada meia hora, sentindo dor e tendo sangramento a cada vez - eu não gosto nem de pensar como deve ser sentir isso em plena Gana, onde o atendimento médico deixa muito a desejar. Resultado da consulta dela: 5 dias de antibiótico, além de muita água. Como seu problema de rim é bem mais grave do que da vez anterior e já é a quarta vez que toma antibiótico em cinco meses, ela cogita seu retorno à Polônia. Apesar de eu saber que é o mais racional a ser feito (diante do fato que nossa estadia aqui é temporária e não tão rica de recursos financeiros e humanos), senti um aperto no coração imaginando que ficaria aqui sozinha antes do esperado.
Aga obviamente foi dormir cedo e eu fui ansiosa entrar na net. Depois de minutos falando sobre trabalho (inevitável), resolvi dar atenção ao que realmente me faz feliz numa terça-feira à noite em meio a essas preocupações: falar com meu namorado no MSN (infelizmente e o máximo que posso ter no meu contexto). E mesmo da lan e por pouco tempo, aliviei um pouquinho minha angústia. Dá vontade de chorar? Dá. Sinto saudade? Sinto. Mas ainda tenho muito chão pela frente e não quero deixar a peteca cair - post da Laila cabe bem aqui.
Ceia mórbida
3 semanas atrás
0 comentários:
Postar um comentário