quarta-feira, 3 de março de 2010

Domingo, 21 de fevereiro – Tristeza vai embora: faz um dia lindo lá fora (Saudade VIII)

A ideia era acordar às nove para curtir a piscina que não havia curtido no dia anterior, mas olhei para o lado e resolvi continuar dormindo também. Acordei às dez, me troquei e fui tomar café – nem que fosse sozinha, já que todo mundo devia estar bodado. Para minha surpresa, quando cheguei no restaurante, Sahil estava sentado em uma mesa e perguntou se queria tomar café, porque ele já havia pedido. Pedi o cardápio, mas a moça se recusou porque já havia passado da hora. Mas como eu saberia o que pedir?!
Então Sahil me ajudou a descrever as duas possibilidades que eles tinham (café continental ou café inglês) e eu optei pelo inglês: omelete, pão, margarina, geleia, café puro ou com leite ou chá. Apesar da má vontade inicial, nosso café veio acompanhado de um adicional presente no café continental: salsichas – só não estranhei tanto porque estava quase na hora do almoço.


Apesar do aparente bom dia, Sahil percebeu que algo havia de errado e não era para menos: minha cara não estava dentre as melhores. Tentei não falar nada, mas eu estava com acúmulo de pequenas insatisfações e ele começou a me perguntar, porque não queria me ver mal. Pior que nem eu sabia direito. Comecei tentar explicar o que pontuei mentalmente [os possíveis motivos de meu mau humor junto com tristeza]: 1) dormir em três numa cama de casal enquanto havia uma cama de casal com apenas uma pessoa; 2) ser interrompida umas três vezes no dia anterior porque eu havia pronunciado uma palavra um pouco diferente; 3) sonhar com meus pais vindo me buscar no momento em que completo um mês de intercâmbio (e tenho mais cinco pela frente); 4) não conseguir falar com meu namorado, quando era tudo o que mais queria em meio a tudo isso. Chorei um bocado, mas foi aliviante. Além disso, Sahil compartilhou muitas histórias de estrangeiros que vivem ou viveram em Gana e sofreram no início pela maneira como falavam: rápido demais, baixo demais, com pronúncia difícil de entender.

No meio da nossa refeição [e logo após meu desabafo], Avi se juntou a nós e, apesar da hora, conseguiu pedir café – inclusive com o brinde [salsichas]. Foi com Avi à mesa, que descobri que o outro carro já havia partido rumo à Wli bem cedinho. Ryan chegou um pouco mais tarde, quando a moça parou de estender o horário do café da manhã para a gente. Já que a fome não escolhe hora, foi a Aga chegar para os dois “sem café” pedirem o almoço – e cerveja. Assim que acabaram de comer, foram beber perto da piscina e, em seguida, iríamos andar de barco. Como não havia nadado, pedi um tempinho na piscina antes: a água estava morna, mas diante do calor era refrescante.

O passeio de barco foi perfeito! Passamos por todos os hotéis que visitamos antes, muito verde, duas pequenas ilhas, uma vila e até a casa “de descanso” do presidente (lá no alto da montanha), com vista para a maior usina hidrelétrica de Ghana.
Na volta, antes da terra firme, passamos por debaixo da ponte que passamos de carro para chegar até Akosombo. Tudo isso, sem contar o vento fresco. É... foram muito bem pagos os 40 minutos (o passeio nos custou ¢35, ¢7 para cada um). Depois desse passeio, duas horas na piscina, rolinhos primavera, sorvete (de novo!) e uma efetiva ligação para o namorado, não tinha como meu dia não estar melhor. Mas, para variar, tudo o que é bom dura pouco: era dada a hora de partir.

Na volta, lembramos que não havíamos tirado foto todos juntos e paramos no meio da rodovia para registrar esse momento. No meio do caminho também admiramos a paisagem, o que nos levou a parar mais uma vez para tirar foto de uma cruz prata gigante na ponta da montanha. Assim que chegamos em Tema para deixar Sahil (Tema fica bem próximo de Acra e é a nova cidade-trabalho dele), todos estavam com fome e queriam um restaurante bom: depois de entrar em um chinês e nos deparar com preços bem salgados, fomos para um indiano com indicação de um amigo do Sahil por celular.

Como estávamos com dois indianos, os pedidos ficaram por conta deles, o que resultou em: Jaqueline sem saber o que iria comer, quais eram os nomes e quanto iria pagar. Ainda bem que já havia me prevenido do possível rombo no meu bolso e perguntado para a Aga se poderia pagá-la assim que chegássemos em casa. Portanto, minha maior preocupação era o grau de “apimentamento” da comida, visto que tinha ouvido dizer que comida indiana é pior que ganense nesse quesito. Assim, antes da conclusão do pedido, fiz questão de frisar minha preocupação para o garçom, que informou que não fariam muito apimentado.

Agora, de noite, me sentia bem pedindo uma cerveja, até mesmo porque queria aliviar meu medo de morrer “apimentada”, além de amenizar a pimenta em si, caso o garçom não fosse fiel ao meu apelo. Quando os pratos começaram a chegar, me senti num banquete: três tipos de “pães” (com alho, com queijo e tradicional), três tipos de molhos (frango com molho avermelhado, frango com molho amarelado e um tipo de queijo com molho esverdeado – vegetariano) e três tipos de molho de pimenta (verde claro, vermelho e avermelhado com pedaços meio verdes).
Como vocês puderam perceber minha riqueza de descrição, Avi e Sahil me privaram do sofrimento antecipado e não me descreveram os ingredientes, restando a mim colocar um pouco de cada (inclusive cada sub-tipo) para escolher colocar mais depois dos meus preferidos. No final, sobrevivi gostando, porque moderei na quantidade das pimentas – praticamente um “pingo” de cada. Para completar, experimentamos uma sobremesa típica indiana, uma espécie de bolinha de açúcar (parecida com uma esponja consistente) em calda de caramelo – estava morna, mas acho que pode ser gelada também... deve ficar bom! Até que pela especificidade e variedade dos pratos a brincadeira ficou em um preço razoável por pessoa: ¢17 (na verdade, pagamos ¢20 e deixamos “gorjeta” pelo atendimento – achei meio alta, mas como quem pagou foi a Aga, nem pude reclamar meu troco!).

De volta à Acra, banho tomado e coisas arrumadas, só dá a Jaqueline doida para entrar na net: não eram nem nove e meia e, sem horário de verão, no Brasil não eram nem seis e meia, portanto muito tempo para conversar e matar a saudade do Pedro – tudo bem que foram menos de dois, mas estou mal acostumada. Além de contar todas as novidades daqui e de lá, finalmente mandei o primeiro dos 148 e-mails “pergunta e resposta” que trocaremos durante meu intercâmbio. Sim, aprendi a contar meus dias aqui junto com o Álvaro e descontei os dias que não mandarei/lerei e-mail porque estarei viajando de volta para minha terrinha.

3 comentários:

cafeblase disse...

Mais um amontoado de comentários:
- Xingo mesmo, quem manda matar os outros de susto?
- Que história doida de casamento é essa, dona Jaque?
- A viagem, pelo menos, deve ter valido à pena!
- Sacanagem da Aga cogitar deixar vc dormir com um cara, po!
- Adorei os pernilongos "jantando" vocês... aHUAhaUAH
- Querer saber sobre o Brasil às 4h é PUTARIA, neh! kkkkkkk
- Minha contagem de dias está desatualizada... drôgas!
bjooooo

e fica bem, dona Jaque!

Tia Mônica disse...

O doce que vc comeu chama-se gulab jamun, acho que é assim que se escreve é feito com nata e coalhada ou nata e yogurt, faz-se as bolinhas e depois frita... isso mesmo, é fritura!!!! Depois de frito e escorrido em papel absorvente para retirar pelo menos um pouco do óleo mergulha-se em uma calda de água com açúcar. As vezes coloca-se canela e cravo na calada, mas não é o usual. Gelado é mais gostoso que morno... pelo menos para o meu paladar... Lá no Brasil se faz com creme de leite e leite em pó ou yogurte, fica bom também. Se quiser quando eu voltar ao Brasil lhe mando a receita. Beijos!

cloude disse...

Que viagem mais louca jaque! Adorei as fotos!!! #saudades!