terça-feira, 2 de março de 2010

Sábado, 20 de fevereiro – Atraso, mudança de planos e... AKOSOMBO!

O dia começou mais tarde do que eu havia programado, dando tempo apenas de me arrumar e arrumar minhas coisas para viagem. Estava prestes a comprar meu almoço, quando Aga chegou. Perguntei se ela queria: já havia trazido o seu. OK, desculpa! Comprei meu saudável almoço (mas dessa vez sem me perder no caminho, afinal o tal restaurante é na mesma rua de casa!!!) e comi. Assim que acabei, tentei mandar o e-mail que eu havia prometido com as perguntas pelo menos, mas Aga tinha pressa porque Avi estaria esperando a gente no Accra Mall, do outro lado da cidade. Fiquei triste porque além de atualizar o blog, não mandei e-mail, mas ligaria para o Pedro mais tarde.


O táxi até Accra Mall foi realmente um dos mais caros que já paguei aqui (¢6), mas nós racharíamos: menos mal. No caminho, além do calor insuportável, ficamos parados um tempo no trânsito, porque o presidente da Libéria estava em Gana – foi aí que me lembrei que vivo na capital de um país. Estávamos mais preocupadas ainda, porque eles haviam marcado às duas e estávamos dez minutos atrasadas. O pior foi que, quando chegamos, eles estavam atrasados: foram mais de 40 minutos vagando no shopping! Só não foi tão ruim porque eu nunca tinha ido lá e fiquei boa parte do tempo em uma livraria – já adoro livraria, imagina com os títulos em inglês e com várias obras nacionais (lembra, Renan, que eu quase me matei procurando um livro sobre Gana na Saraiva de JF?). Definitivamente preciso voltar lá com mais calma e mais dinheiro.

Após idas e vindas para fora do shopping (gostando muito mais de esperar dentro, porque o sol estava de matar), eles chegaram e, finalmente, viajaríamos. Tirando o fato que eram quase quatro horas da tarde e a gente tinha seis horas pela frente, a viagem foi animada: com direito a música indiana e música em espanhol, mas não sei de qual país – só sei que a tentativa era ser música brasileira (nem comento!). Como vocês poderiam esperar, após quase duas horas de viagem Avi teve a brilhante ideia de deixarmos a ideia da cachoeira de lado e ficarmos em Akosombo, cidade em que estávamos passando naquele momento e que possui uma bela paisagem natural.

Como tínhamos outro carro em nossa companhia, com mais três indianos (Parshil e duas garotas), tínhamos que perguntá-los. Por celular, eles queriam manter o plano inicial, mas, mais tarde, Avi parou o carro e esperou os demais para tentar convencê-los de que ficar em Akosombo era a melhor alternativa, já que o trecho de estrada durante à noite seria péssimo. Além disso, indo para Wli, não aproveitaríamos o sábado, somente o domingo, e ainda teríamos de sair bem mais cedo no domingo porque todos tinham de trabalhar na segunda. O pessoal do outro carro concordou em ficar, mas logo cedo no dia seguinte partiriam pra Wli – segundo Parshil, as garotas não teríam outra oportunidade, porque estavam aqui por pouco tempo; eu também estava doida para chegar ao destino inicial, mas 12h de viagem com apenas um pouco mais de horas de sono e passeio em menos de dois dias não me atraíam muito. Neste novo destino, não tínhamos reserva e nem noção de preços de hospedagem, então seguimos à caça.

Pesquisamos em três hotéis. O primeiro é lindo: estilo pousada, com trepadeiras em umas estruturas de madeira em frente à construção principal (onde fica a recepção), jardim, uma piscina azulzinha e, obviamente, vista para o lago – que mais tarde descobriria ser Volta, o segundo maior de Gana. Por ser tudo isso, me preocupei com o valor da estadia e, claro, da comida e da bebida. E veio: ¢50, o quarto duplo. Para quem planejava pagar ¢6 para dormir em Wli, ¢25 pesou – tudo bem que em Wli teríamos um quarto para três pessoas e um banheiro a cada dois quartos, mas ainda eu pagaria quatro vezes menos.

O segundo hotel foi mais engraçado do que lindo, já que assim que estacionamos o carro, nos deparamos com uma placa de alerta sobre nadar no lago: “se ficar bêbado, não nade!” - nossa, muito obrigada por me alertar! O lugar era bacana também, mas depois do primeiro não fiquei muito animada: era mais rústico, com bastante vegetação e flores (eu me empolguei tirando fotos para mamãe, afinal conhecia todas as flores graças à nossa ex-floricultura – só não lembrava os nomes!). Era um pouco mais em conta, ¢40, o quarto duplo, mas não havia quartos suficientes: estávamos em oito e eles tinham apenas três quartos vagos.

O terceiro e último hotel parecia maior, mais “cara de hotel”, mas assustou um bocado diante do fato que queríamos tranquilidade e estava hip hop bem alto na piscina, que por sinal estava lotada de ganenses - nos outros dois, vimos apenas estrangeiros. Neste, pelo menos, eu reparei que havia lanchas, jet-skis e até pedalinho, além de um restaurante maior e duas piscinas (uma para crianças). Quando conferi o preço de tabela, quase caí de costas: ¢70, o quarto individual. Preferi curtir os pássaros na gaiola do lado de fora. Até que os homens da viagem voltaram anunciando o preço negociado: ¢40, o quarto duplo – como assim?! Explico: Parshil trabalha no Melcom, uma super rede ganense de lojas que vendem de tudo (pelo menos, tudo o que eu pergunto onde eu posso comprar, é sempre esse o lugar que eu ouço), e os funcionários da loja sempre vão lá em grande grupo e têm um preço especial. Talvez o nosso grupo não fosse tão grande, mas quem faz a fama deita na cama (entendeu, entendeu?!).

Hotel decidido, outro problema: os quartos duplos, na verdade, eram de casal. Apesar de estarmos em quatro homens e quatro mulheres (uma divisão perfeita, sem segundas intenções), havia um casal que incluía minha possível companheira de quarto: Ryan e Aga. Pensei que talvez ela fosse bondosa comigo e compreendesse que eu não poderia dividir um quarto com um homem, até mesmo porque eu tenho namorado, mas ao mesmo tempo estaria “atrapalhando”. Confirmada a vontade de eles ficarem juntos, olhei ao meu redor e perguntei para o único dos demais que eu realmente conheço e converso, Sahil, se ele poderia dividir quarto comigo. Foi a cena mais engraçada! Ele olhou para o Avi e o Ryan, começou a rir e disse me zoando: “Ela me pergunta se poder dormir comigo... vocês acham que eu vou querer dormir com uma mulher do meu lado?” E todo mundo começou a rir.

Brincadeiras à parte, fiquei quieta por um tempo, aguardando as chaves do quarto. Apesar de saber que ele jamais faria nada, estava pensando o que meu namorado ia pensar. Pelo menos, se fosse o contrário, eu ia pensar mil coisas. Ao mesmo tempo, eu não ia pagar o dobro para ficar sozinha – não estava preparada para isso. Foi quando Sahil e Aga me disseram que ele dorme sem se mover do lugar e que, de tempos em tempos, eu teria de acordar para verificar se ele estava respirando porque ele também não acorda por nada. Foi quando eu deixei a preocupação de lado e comecei a rir.

Os quartos eram um ao lado do outro como esperado. Tínhamos ar condicionado, frigobar, uma garrafa para esquentar água, um guarda roupa bem simples com duas portas e, logicamente, o banheiro. Apesar de sentir que faltava dar uma arejada, gostei do que conseguimos por ¢20 cada. Assim que terminamos de conferir essa descrição, Aga e Ryan apareceram e me falaram para eu dormir no outro quarto com ela e ele dormiria com Sahil. Apesar de estar grata pela ação, comecei a me sentir mal por eles e falei que não haveria problema em ficar como estava, mas eles insistiram e eu, no fundo, achei melhor mesmo.

Partimos então para o restaurante antes mesmo de tomar banho: a fome de Aga e a vontade geral de beber algo gelado eram bem maiores. Eu optei por pedir sorvete (que saudade!!!) e uma garrafa grande de água gelada. Apesar da demora, valeu a pena: o sorvete de creme com casca de chocolate a ¢1,50 estava bom (detalhe para o nome: HUMMM!). Como as coisas estavam demorando e descobrimos que a cozinha fechava às nove, decidimos jantar de vez – mas antes Aga foi buscar um repelente, porque os pernilongos também começariam a nos jantar.

Avi havia pedido rolinhos primavera e, como nunca havia comido [apesar de sempre ter ouvido falar], resolvi provar, gostei e queria pedir para mim... quem disse que tinha mais? Que raiva! Acabei pedindo espeto de frango com batata cozida (não queria saber de fritura além do rolinho primavera e não queria pagar mais de ¢10 para o jantar, sendo que havia, pelo menos, café da manhã e almoço no dia seguinte e os preços não eram muito em conta, além de cervejinha no dia de hoje – esse é o mal de se planejar para um tipo de viagem e ter outro). Parecia uma boa pedida diante do fato que comemos tudo frito por aqui, mas faltou tempero salgado no frango e a batata, além de sem tempero, estava meio doce sem ser batata doce: não foi legal, mas comi tudo porque estava com fome. [Enquanto isso, Avi pediu dois pratos completos de comida, não deu conta de comer um direito, porque era muito. Nossa... me senti uma pobre desejando prato alheio, mas ao mesmo tempo sempre achei um absurdo jogar aquele tanto de comida fora.]

Barriga “cheia”, resolvi começar a beber cerveja, que era a única certeza de ser boa, e a música que incomodava à tarde começou a fazer falta à noite, mas o som estava com problema. Depois de tentarem consertar, Avi resolveu colocar o som do carro para tocar e nós dançaríamos no estacionamento mesmo – o garçom até levou uma mesa para perto da gente. No meio das músicas, logicamente, surgiram músicas indianas, afinal apenas eu, Ryan e Aga não éramos da Índia. Aproveitei para aprender alguns passos. Como era um hotel, algum tempo depois um dos garçons nos disse “como quem não quer nada” que havia um clube perto dali onde poderíamos dançar. Na mesma hora, o pessoal lembrou que poderíamos nadar. Eu, honestamente gostei da segunda ideia: primeiro porque estava calor e fazia séculos que não nadava à noite; segundo porque eu não precisava de mais uma despesa, ainda mais sem saber o nível de preço do tal clube.

A galera foi sentar em uns bancos perto do lago, começou a conversar e eu comecei a me entediar porque queria nadar e eles não decidiram nada. Foi quando bateu uma solidão, voltei para próximo do carro onde estávamos e resolvi mandar mensagem para o Pedro, mas ela voltou. Resolvi ligar, afinal não havia entrado em contato com ele hoje: caixa postal. Triste, voltei para junto do pessoal. Uns dez minutos depois, o vento ficou forte e parecia que ia chover, resolvi me despedir e sair correndo para o quarto dormir, porque não estava em clima de tomar chuva. Tomei banho e me juntei ao Pedro [de pelúcia] – sim, eu levei! Antes de dormir, uma foto com ele e uma última tentativa de ligar: caixa postal. Restou-me dormir.

Por volta das duas da manhã, Aga aparece no quarto me chamando para nadar, mas eu estava sonolenta demais para aceitar o convite. Ela pegou o seu biquíni, saiu e eu dormi. Lá pelas quatro, ela e Ryan aparecem, me acordam e sentam na cama me perguntando sobre o Brasil e eu ainda acordei e perguntei o que eles queriam saber do Brasil. “Sei lá, qualquer coisa!”, disse Ryan. Fiquei um pouco em silêncio, pensando o que de útil poderia sair da minha boca àquela altura do campeonato, até que a Aga me perguntou onde estava o Pedro e eu mostrei meu leão de pelúcia com o qual eu dormia. Os três começaram a rir e, de repente, o Ryan começa a cantar a música do Rei Leão. Depois de eles me zoarem mais um tanto, ele resolveu me perguntar qual era a música mais conhecida do meu país. Pensei em “Brasil, meu Brasil brasileiro...” ou em Garota de Ipanema... até que ele começou a murmurar “Brasil... Brasil” em um ritmo que não identifiquei, mas que, segundo eles, eu tinha obrigação de saber. Tentei identificar mais algumas vezes, mas resolvi não me estressar porque nem eu estava raciocinando direito, nem eles estavam cantando direito. Após um tempo de silêncio, voltei a dormir – na verdade, tentei, porque o Ryan resolveu nos fazer companhia, portanto eu estava sem espaço nem para mexer direito, e a Aga acordou umas três vezes para aumentar ou diminuir a temperatura do ar condicionado.

PS: Ando escrevendo demais algumas vezes, me perdoem!
PS 2: Perdoem também a cara de sono de vez em quando...

1 comentários:

renancaixeiro disse...

ei Jaque!

O blog tá ótimo, to sempre acompanhando!
Depois traga um desses livros pra gente, ehhehehe. Lembro da sua saga, hahaha