Apesar de mais caro, o restaurante é bem próximo de nosso trabalho e me proporcionou uma refeição com carne vermelha e muita salada – já que meu prato vinha salada e eu e Aga rachamos uma outra salada. Além da boa comida, admiramos uma pintura de parede bastante inusitada: Saddam Hussein, Tony Blair, Bin Laden e Bush almoçando felizes na mesma mesa – foi a Aga quem reparou... nós rimos! Resumindo: muita boa pausa para o dia de hoje...
Passada a hora do almoço, Philippa nos chamou para falara que deveríamos nos dedicar à distribuição da revista e, portanto, a reunião ficaria para depois. Eram mais de quatro e nada de revistas finalizadas. Enquanto toda essa falta de efetividade de serviço acontecia, Ana me ligou falando que o motorista do Rustom (chefe do Nick e anfitrião da Brazilian Party) a buscaria no trabalho às 17h30 e poderia me buscar em casa para, juntas, irmos mais cedo organizar tudo. Já que as revistas não ficavam prontas e eram 16h20. Falei com a Aga e topamos ir de trotro e táxi “coletivo” hoje, invés de esperarmos o motorista. Cheguei em casa a tempo de arrumar minhas coisas e partir. No caminho, ainda passamos no Koala (supermercado bastante conhecido daqui) à caça de farofa de mandioca temperada e... achamos - imagina a luta que foi procurar por isso em inglês (ainda bem que a Ana estava por perto)!
Chegando lá, fomos recepcionadas pelo empregado que carregou a compra e os doces e artefatos brasileiros para dentro da PEQUENA casa. O dono, Rustom, não estava lá ainda, mas após deixarmos nossas coisas no quarto de visitas, nos juntamos às TRÊS cozinheiras. Elas haviam preparado tudo conforme as instruções dadas pela Ana por e-mail: feijoada, bobó de camarão, arroz, carne vermelha, mandioca cozida e nêga maluca. Com a farofa em mãos, e nossas orientações a temperaram. Enquanto isso, preparamos os doces em duas travessas: doce de leite, pé de moleque, rapadura, doce de amendoim, paçoca, torrone, goiabada e balas. Em seguida, tínhamos à disposição os legumes, as verduras, os tomates, as mangas e os abacaxis lavados e descascados para a salada tropical: restou-nos cortar, fatiar e montar uma travessa bem colorida. Por último, elas nos deram lavados e descascados os limões para cortarmos para... a caipirinha!
Tudo preparado, já eram sete e meia e a festa começaria em uma hora: eu e Ana precisávamos tomar banho e nos arrumar. Apesar da expectativa de usarmos fantasias de carnaval, usamos shorts/saia e blusinha como normalmente pulamos carnaval. Na sala (quase um salão) onde aconteceria a festa, tínhamos à disposição para complementar o visual: poás e arquinhos com antenas laminados em prata, verde, azul e amarelo, sem contar tinta para a pele verde e amarela. A decoração ficou por conta da canga da bandeira do Brasil da Ana, bandeirinhas brasileiras, cornetas verde e amarela e confetes: todos esses artefatos e doces brasileiros foram trazidos pela Ana, que esteve no último final de semana no Brasil para sua festa de formatura.
Tentamos fazer tocar só música brasileira, mas com a presença de tantos libaneses, ficou difícil manter o clima. Não estava muito animada até a hora de começarmos a comer: que saudade! Foi muito bom apreciar nossa comidinha, mesmo que não tenha sido feita pela minha vó, minha mãe ou minha irmãzinha... Ah, a bebida da noite, pelo menos para mim e para a Ana, foi caipirinha obviamente – e olha que tinha muitas opções! Quando estávamos quase indo embora, porque estávamos bem cansadas, Rustom pediu para trocarem a música e escutamos e dançamos axé a noite inteira – inclusive “segura o tchan!”, sucesso super recente, como vocês bem sabem. Se tínhamos companhia na dança? Sim, uma das convidadas e, mais tarde, Lorena – dando apoio às coleguinhas latinoamericanas.Tiramos muitas fotos para registrar nossa alegria em estar no clima da terrinha e aproveitamos muito o som energizante, mas estávamos cansadas demais para aguentar madrugar na festa: era dada a hora de partir. Cheguei a me preocupar de não achar táxi na região por volta da meia-noite, mas antes de ir à caça, Rustom nos ofereceu seu motorista e só restou indicar o caminho. Chegando em casa, só pensava em dormir, porque prometi tentar ajudar na distribuição da revista amanhã de manhã, lá na North Industrial Area... será?!





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