Era um tempo em que brincar era gostoso, divertido e saudável. Ninguém ficava aos 12 anos pensando em beijar na boca ou beber escondido, ficar o dia todo enfurnado na internet sem contato humano, vendo besteiróis no youtube e repetindo as bobagens no corredor da escola, em casa.
Correr, cair, machucar, passar um mertiolate ardido, chorar, assoprar e voltar a fazer a mesma "arte", tudo isso era rotina e era o suficiente para ser feliz. Não brigávamos? Brigávamos, mas era porque o irmão ganhou um cartucho do SuperNintendo: no final era só sentar em frente à TV e passar o dia (e a noite) tentando zerar o jogo, revezando quem jogava cada fase ou revezando as "vidas".
Não ficávamos todos os dias no video game. No dia seguinte, era dia de andar de bicicleta (apesar de até hoje não ter aprendido - vergonhoso), jogar bola na rua, brincar de casa e profissão (modalidade inventada entre primos), jogar queimada, soltar pipa (e até pião e ioiô!), brincar de amarelinha, estátua, pique esconde, pega pega, gato mia, cabra cega, duro ou mole, caça ao tesouro e, em momentos menos inocentes (como na festa de aniversário do amigo de escola), salada mista.E quando a opção era ficar em casa, convidávamos os amigos, os primos e vinham as opções. Ah, os jogos de tabuleiro... Imagem e ação (daquele de cartinhas fáceis - azuis - e difíceis - vermelhas), banco imobiliário, jogo da vida, detetive, ludo. Tinha também os jogos de memória, quebra cabeça, pega vareta, super trunfo, dominó, mico. Brincávamos também de mímica, fazer sombra na parede quando acabava a luz... Papel e caneta também eram suficentes para jogarmos: pontos, jogo da velha, stop... Ah, tem aquele jogo (de meninas) que colocávamos a idade que queríamos casar, quantos filhos, nomes de garotos que gostávamos, dentre outras ilusões do sexo feminino - eu colocava que queria me casar aos 24 (o, dó!).
Até na solidão a gente sabia ser feliz: quem não curtiu montar álbuns de figurinhas (eu, particularmente, tive o das Chiquititas), bater figurinhas/ tazo, soltar o pirocóptero, colecionar brinquedinhos do kinder ovo? Tinha também os adoráveis gibis, o Almanacão, aquelas revistas de colorir, de ligar os pontos, de achar os erros...
E na hora de comer? A gente também comia procarias! Eu, pelo menos, vivi muito de coisas "saudáveis": Xebec (meu irmão me zoa eternamente por eu gostar desse isopor), salgadinhos da turma da Mônica, o próprio Kinder Ovo, Frutilly que explode na boca, chiclete que arde, mini chicletes, chiclete de fita, pirulito com pozinho explosivo, lápis, moeda, bola de chocolate, dadinho. Hummm, mas tinha também aquele bolo caseiro (lembram do de coca-cola?) ou o mingau de chocolate nos dias de frio.
É, posso afirmar que éramos felizes e não sabíamos. Vai chegando a hora em que teremos nossos filhos e em meio a tanta tecnologia e modernismos (comportamentais) vai ser difícil sustentar as bases da nossa velha infância. Que inveja de meus pais!
- sobre a foto: dos modelitos não tenho saudade! rs

