domingo, 13 de setembro de 2009

Velha infância

Deparei-me com um vídeo que fez uma coletânea de imagens marcantes da infância nos anos 90 (Mate a saudade você também!). Nossa, me deu vontade de chorar. Chorar não só porque eu cresci, mas porque os tempos mudaram.
Era um tempo em que brincar era gostoso, divertido e saudável. Ninguém ficava aos 12 anos pensando em beijar na boca ou beber escondido, ficar o dia todo enfurnado na internet sem contato humano, vendo besteiróis no youtube e repetindo as bobagens no corredor da escola, em casa.
Correr, cair, machucar, passar um mertiolate ardido, chorar, assoprar e voltar a fazer a mesma "arte", tudo isso era rotina e era o suficiente para ser feliz. Não brigávamos? Brigávamos, mas era porque o irmão ganhou um cartucho do SuperNintendo: no final era só sentar em frente à TV e passar o dia (e a noite) tentando zerar o jogo, revezando quem jogava cada fase ou revezando as "vidas".
Não ficávamos todos os dias no video game. No dia seguinte, era dia de andar de bicicleta (apesar de até hoje não ter aprendido - vergonhoso), jogar bola na rua, brincar de casa e profissão (modalidade inventada entre primos), jogar queimada, soltar pipa (e até pião e ioiô!), brincar de amarelinha, estátua, pique esconde, pega pega, gato mia, cabra cega, duro ou mole, caça ao tesouro e, em momentos menos inocentes (como na festa de aniversário do amigo de escola), salada mista.
E quando a opção era ficar em casa, convidávamos os amigos, os primos e vinham as opções. Ah, os jogos de tabuleiro... Imagem e ação (daquele de cartinhas fáceis - azuis - e difíceis - vermelhas), banco imobiliário, jogo da vida, detetive, ludo. Tinha também os jogos de memória, quebra cabeça, pega vareta, super trunfo, dominó, mico. Brincávamos também de mímica, fazer sombra na parede quando acabava a luz... Papel e caneta também eram suficentes para jogarmos: pontos, jogo da velha, stop... Ah, tem aquele jogo (de meninas) que colocávamos a idade que queríamos casar, quantos filhos, nomes de garotos que gostávamos, dentre outras ilusões do sexo feminino - eu colocava que queria me casar aos 24 (o, dó!).
Até na solidão a gente sabia ser feliz: quem não curtiu montar álbuns de figurinhas (eu, particularmente, tive o das Chiquititas), bater figurinhas/ tazo, soltar o pirocóptero, colecionar brinquedinhos do kinder ovo? Tinha também os adoráveis gibis, o Almanacão, aquelas revistas de colorir, de ligar os pontos, de achar os erros...
E na hora de comer? A gente também comia procarias! Eu, pelo menos, vivi muito de coisas "saudáveis": Xebec (meu irmão me zoa eternamente por eu gostar desse isopor), salgadinhos da turma da Mônica, o próprio Kinder Ovo, Frutilly que explode na boca, chiclete que arde, mini chicletes, chiclete de fita, pirulito com pozinho explosivo, lápis, moeda, bola de chocolate, dadinho. Hummm, mas tinha também aquele bolo caseiro (lembram do de coca-cola?) ou o mingau de chocolate nos dias de frio.
É, posso afirmar que éramos felizes e não sabíamos. Vai chegando a hora em que teremos nossos filhos e em meio a tanta tecnologia e modernismos (comportamentais) vai ser difícil sustentar as bases da nossa velha infância. Que inveja de meus pais!

- sobre a foto: dos modelitos não tenho saudade! rs

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sobre minha família

Quando tinha por volta dos meus dez anos, vivia brigando com meus irmãos. Ela me tratava como um bebê e ele vivia me fazendo chorar com suas piadinhas de mal gosto - meu pai ainda motivava esse instinto super fraternal. Ele, inclusive, é um pai peculiar. Como é possível gostar e ter raiva ao mesmo tempo? Era assim que a gente vivia às turras. À minha mãe, restava então "proteger" a filha caçula.
Sempre tive uma implicância com minha mãe - não sei exatamente desde quando ela surgiu. Além de coisas de mãe (queria saber com quem eu estava saindo, para onde eu ia, que horas voltava, como estava...), eu nunca tive muita paciência para determinadas perguntas óbvias que me fazia. Mas a adolescência é a adolescência. Em relação às preocupações de mãe, meu pai, sempre confiante em seus filhos, dizia a ela "não se preocupe" e a mim "saia enquanto eu escuto a noite toda". Quanto às minhas intolerâncias... com o tempo passei a me controlar e entender que somos de épocas diferentes e com estilos de vida diferentes.
Quando meus irmãos, com quem eu tanto brigava, passaram a morar fora (primeiro ela, depois ele), as coisas mudaram. Aquelas velhas desavenças se tornaram bobagens. Os momentos juntos, saudade. Minha irmã se tornou uma grande amiga, com quem dividi e divido (quando é possível) meus segredos e anseios. Por seu sucesso no curso e, agora, profissão, também passei a admirá-la e tê-la como referência. Meu irmão? Sempre foi um gênio, com seu jeito de ser único, digamos: peculiar. Daqueles que tenho orgulho de falar sobre suas conquistas, seu trabalho. É. Passei a ficar extremamente angustiada em vê-lo no máximo duas vezes ao ano.
Os anos se passaram: trabalhei contra a vontade de meu pai, prestei vestibular em outros estados contra a vontade de minha mãe... até que foi dada a hora de a última filha sair de casa. No início, morei com meus tios, perto de minha cidade. Depois era para valer, em uma cidade que nunca havia conhecido com pessoas que nunca havia visto na vida. Apesar de tudo, eu havia passado em uma federal (como meus irmãos), no curso que eu queria e em uma cidade mineira (para a alegria de minha mãe). Tirei de letra a distância, curti minha liberdade de ir e vir e sofri um bocado (confesso) para resolver problemas antes delegados aos pais.
No meio da faculdade comecei a perceber que almoçar com amigos, não ter de avisar para onde vai e ficar horas na internet são coisas ótimas, mas que, todo dia, cansa. Passei a me planejar para voltar "ao lar" com mais vontade: curtir aquele almoço caseiro, assistir um filme alugado deitada no colchão na sala, ir a uma pizzaria... tudo com meus pais. De vez em quando com minha irmã, quando não está frenética em suas pesquisas e estudos. Por vezes com meu irmão, quando não está produzindo vídeos e vídeos.
Este seria um daqueles feriadões quando quase toda a família se reúne.. e estou aqui, sem eles. Estou aqui, em frente ao computador, curtindo uma saudade.