quarta-feira, 10 de março de 2010

Segunda-feira, 22 de fevereiro – Meu mundo caiu... (E agora?!)

Acordei preparada para um dia devagar no trabalho após um final de semana relativamente movimentado. E foi o que encontrei assim que cheguei no escritório da What's On: silêncio. Ao meu redor: nada de Romeo, Anyama ou Isaac, ou seja, meu departamento era... EU. Pior: nada de revista pronta para distribuição, pois começou a ser impressa no sábado (na sexta, só a capa). Levando-se em consideração que trabalho no Departamento de Designing e as horas extras deveriam ter sido muitas na sexta e no sábado, fiquei ali, sentada no meu computador sem maiores preocupações. Como ficar sem fazer nada não é meu forte e estava completamente decepcionada com a falta de prazos em uma revista mensal de circulação nacional, comecei a redigir dois documentos: a proposta da revista (razão de existir, conteúdo e estrutura) e um esquema de controle da execução de tarefas (um MS Project sem MS Project, se é que me entendem). Sim, eles não possuem isso.


Por volta das dez horas, Mr. Nasser, meu chefe, me chamou para conversar em seu escritório. Não me preocupei, porque ele havia chegado há pouco e ainda não havia avaliado minha atuação, portanto poderia ser o motivo da “reunião”. Perguntas básicas feitas, ele vai direto ao ponto: “O que está acontecendo entre Anyama e Romeo?”. Boa pergunta, porque não fazia a mínima ideia do que responder, mesmo depois de eu descobrir que ele se referia a um problema no meu departamento e eu nem havia reparado isso – mesmo com todos os problemas da revista. Reparando que eu estava “boiando”, começou a ler uma mensagem do seu celular para mim, que Anyama enviou no sábado de manhã lhe avisando que infelizmente ela não tinha condições de finalizar a revista porque era impossível fazê-lo com a falta de colaboração de Romeo e Isaac. Bom, partindo do pressuposto que o prazo de conclusão da edição era na quinta e que meu chefe estava em plena manhã do sábado e início de final de semana quando recebeu esse recado por MENSAGEM, eu não poderia esperar mais tranquilidade por lá e a nossa insatisfação de internships na sexta-feira já não era mais nossa, mas do chefe.

Resolvi responder sua pergunta, explicando que não havia reparado especificamente um problema, mas que era necessário todos nós nos organizarmos para a revista não atrasar desta maneira e, também, para não sobrecarregarmos as etapas finais porque houve demora na etapa inicial e principal: redação. Como ele percebeu que o problema era muito maior do que ele imaginava, chamou Aga, que também propôs de fazermos um cronograma para evitar um atraso como esse. Foi quando ele decidiu chamar todos os funcionários que trabalham na revista para comparecerem a seu escritório e, consequentemente, descobriu que parte deles não estavam presentes na companhia. MEDO! Resumindo o recado dado era que ninguém receberia se a revista não estivesse pronta para distribuição até quarta-feira e que a partir daquele momento seu escritório passava a ser na sala da Anyama, onde ele poderia observar em que cada um estava trabalhando. Encerrada a reunião (bronca), eu, Lucette e Aga começamos a remover todas as coisas da sala da Anyama para a sala dos designers (onde eu trabalho) – exceto os móveis e o computador, obviamente. Era dada a hora do almoço e eu e Aga decidimos almoçar no restaurante para sair do clima tenso.

Uma hora depois do almoço, os jornalistas foram chamados a comparecer ao escritório de nosso chefe. Em menos de cinco minutos eles estavam de volta e recebemos a notícia da boca de nosso chefe: todos, exceto eu, Aga e Lucette, estavam demitidos e a revista pararia de ser publicada. Eu e Aga estávamos na mesma sala e, sem reação, permanecemos digitando nossos documentos no computador. Percebendo que não havíamos entendido o recado total, Mr. Nasser pediu que eu e Aga desligássemos nossos computadores e o esperássemos no escritório da Grafitec, porque nosso local de trabalho não funcionaria mais: FECHADO! Meio zonza, desliguei meu PC sem ter tido tempo de mandar por e-mail o material que estava preparando, nem o rascunho dos posts do blog que estavam atrasados. Já era!

Sabe aqueles dias dos quais você vai se lembrar para sempre? Este com certeza está incluso na lista. Ficamos eu e Aga horrorizadas, sentadas na recepção administrativa da gráfica, bolsas no colo, aguardando Mr. Nasser nos chamar para conversar. Ele nos chamou no final do nosso horário e discursou sobre o prejuízo que uma revista de alta qualidade como essa e distribuída gratuitamente estava causando a ele e... para quê?! - eu me perguntei porque ele resolveu se dar conta disso agora e não se planejou para que não chegasse nesse ponto. Lamentações à parte, ele nos informou que ficaríamos temporariamente sem What's On até que ele montasse uma nova equipe e que possivelmente voltaríamos com a edição de abril. Só para situar um pouco o porquê de uma nova equipe: ele perguntou aos jornalistas sobre as matérias da edição de março e nenhuma estava pronta!

Que a gente não tinha a revista a gente sabia, mas o que faríamos nesse meio tempo se nossa descrição de cargo é voltada para a revista?! Hoje ele não respondeu. E como também não teríamos onde “trabalharmos” no dia seguinte, Aga se ofereceu para visitar possíveis lojas e empresas em busca de novos anunciantes para a revista. Meu chefe gostou da ideia e pediu para eu acompanhá-la. Só balancei a cabeça e aceitei, afinal o que eu poderia negar ou confirmar a essa altura do campeonato?! Pegamos 18 revistas com Philippa e rumamos ao carro para irmos embora. Na frente da companhia, estava Lucette. Desolada, mas junto com a gente, formando as três que restaram do que chamei de uma boa revista para se trabalhar.

Chegando em casa, Aga só queria saber de fumar e eu... nem sabia o que fazer. Sem energia, o dia parecia mais escuro do que já estava e a agonia de digerir tudo isso em plena segunda-feira à noite me fez ligar para Gifty: como membro da Aiesec CUC responsável pelos intercâmbios, ela poderia me dar uma luz. Mas ela estava um pouco ocupada e eu um pouco afobada, falei e ela não entendeu nada... percebi que só fez piorar eu ter ligado. Ela disse que iria à companhia amanhã para conversarmos, expliquei que estaríamos na rua. Restou a promessa de que falaria comigo por telefone depois. Restou a mim, desabafar no MSN da vida... pelo menos a luz voltou.

PS: Agradeço a atenção especial de Petros, Álvaro, Daisy, Grace e Pedro neste dia. Foi tenso, mas vai passar... afinal a vida continua!

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