quinta-feira, 8 de abril de 2010

Terça-feira, 9 de março – SUPER função! Será que eu aguento?

Alguém aqui havia pedido trabalho e ele apareceu. Pena que foi a partir de uma reunião que infelizmente não nos incluiu: Mr. Nasser se reuniu apenas com Philippa e Adwoa, que deveriam delegar tarefas do setor para mim e para a Aga respectivamente. As tarefas? Similares às de estágio de primeiros períodos da faculdade: “caçar” documentos de arquivo, tirar duas cópias de cada, perfurar, entregar uma cópia para a “chefe” e colocar a outra cópia em fichários correspondentes a cada cliente mencionado nos documentos.


Eu estava sinceramente perturbada com essa situação, mas acabei executando o que me pediram meio que por inércia, sem raciocinar, porque começaria a ficar brava antes da hora. Esperaria o dia seguinte para ver se a super tarefa seria rotina ou temporária. Para quem estava sem função, ser estagiária, como jocosamente conhecemos no Brasil, não era má ideia em um dia. Só espero mudar antes que eu pare para raciocinar.

À noite, nossa insatisfação [minha e da Aga] resultou em uma longa conversa. Compramos cerveja próximo à nossa casa, sentamos na sala [meu quarto] e desabafamos nossas frustrações. Parei para pensar que ela estava aqui três meses a mais vivendo talvez não a mesma coisa que vivemos hoje, mas semelhante. E o que seriam nove meses para ela, comecei a ver claramente que não seriam: seus planos, agora concretos, seriam “abandonar o barco” no início de maio. Quanto a mim: ou estava fadada a viver o mesmo tempo que ela aqui, portanto quase três meses depois de ela partir, ou adiantaria minha volta ao Brasil. Confesso que na minha situação vivida hoje – para mim, totalmente desestimulante – significava que não seria fracasso de minha parte remarcar meu “deadline” em Gana.

A conversa rendia, mas Pedro já estava a me esperar na internet e eu sentia que precisava desabafar um pouquinho com ele também – apesar de ter mandado um e-mail gigante para ele durante a tarde. Mais de meia hora depois do planejado, lá estava eu mais uma vez ON no MSN, “chorando as pitangas”. Criei uma esperançazinha de voltar antes, mas havia muito a pesquisar para isso e ainda gostaria de tentar mais uma vez que as coisas mudassem para melhor no trabalho. Já que ficar falando só de problemas pode acabar com um namoro - ainda mais virtual - esquecemos esse stress e a conversa rendeu para além das três da matina. Por incrível que pareça, eu fiquei preocupada porque ele tinha que acordar cedo para trabalhar e porque fiquei com vergonha da mãe dele perguntando se eu não durmo: melhor dormir!
 
PS: A imagem da "Vida de estagiário" retrata uma situação que eu AINDA não vivi, mas temo que está perto.

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