sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sábado, 30 de janeiro – Finalmente: internet em casa!

A ideia inicial era acordar às oito, me arrumar tranquilamente, comprar frutas (desde que cheguei, estou falando isso!), tirar dinheiro e adquirir o tão desejado modem para acessar a internet. Mas pelo dia anterior já da para ter uma ideia de que não foi o que aconteceu: cheguei tao cansada que nem coloquei meu celular para despertar – ele está programado somente para os dias da semana! Acordei às pressas, onze horas, rezando para a Zain estar aberta. Saindo de casa, recapitulei com a Aga o caminho até lá. Eu iria a pé, mas mudei de ideia quando ela falou que eu levaria 40 minutos (hein?! Tá doido!). Pela primeira vez negociei um táxi (por ¢1!) e adquiri um produto sozinha (meu primeiro foi o celular, mas a Aga estava comigo). O mais legal (leia isso ironicamente) é que era a primeira vez também que iria usar o Visa Travel Money e os dois ATMs em frente a Zain não aceitavam meu cartão para realizar o saque. Para não perder a viagem e, consequentemente, ficar mais dois dias sem internet em casa, resolvi entrar na loja mesmo assim e ver se, sei lá, eles aceitavam cartão ou se poderia voltar mais tarde (não sabia exatamente até que horas eles ficaria aberta a loja). Só para ter uma ideia, eu cheguei a tentar ligar para a Visa do Brasil através do celular do vendedor para ver o que estava acontecendo com meu cartão.


Nos pensamentos de possíveis soluções, meu celular tocou: era o Rômulo! No dia anterior ele haviam comentado de ir em uma festa reggae em uma praia perto de Accra. Por mim, tudo bem, afinal era sábado! O problema é que eles queriam ir mais cedo para aproveitar a praia e não só à noite para a festa. Mas no meio da tarde eu marquei de falar com o Pedro e teria internet em casa para isso. Aproveitei a oportunidade e perguntei sobre o cartão para alguém que fala português, mas nada feito: ele usa apenas o cartão normal. Disse para eu conferir com a Ana, mas o celular dela estava fora de área. Como sabia que não ia adiantar nada ficar esperando, fui conferir em outro caixa eletrônico razoavelmente perto se eu não conseguia tirar dinheiro.

No caminho, um vendedor ambulante ficou me seguindo, tanto na ida quanto na volta, com umas pulseiras nas cores da bandeira ganense, nas quais eu poderia ter meu nome bordado. Aprendam uma coisa: não tentem sem simpáticos aqui, porque eles acham que a gente vai comprar. Vocês acreditam que eu falei que compraria um outro dia (lembrei do Pedro – ele gosta dessas pulseiras!), ele já queria anotar meu nome no caderninho dele para ele já deixar pronto. O que ele não sabia é que era um outro dia dentre os mais de 150 desses menos de seis meses que ainda me restam – e a pulseira ia ficar lá me esperando. Bom, o que realmente me interessava, eu consegui finalmente fazer: sacar o dinheiro! O problema era fazer esse curto trajeto (do ATM até a Zain), cheio de ambulantes e um transito considerável, levando uma quantia alta em dinheiro. Deu tudo certo e eu comprei o modem. Para compensar meus gastos, na volta peguei dois táxis de graça: o primeiro me deixou antes do meio do caminho e não me cobrou nada porque um cliente ligou para ir buscar em casa (esse tipo de “atendimento” é mais caro) e o segundo taxista não me cobrou porque eu só tinha ¢5 e ele não tinha troco – até propus trocar o dinheiro em uma “barraca” na rua (estilo camelô), mas ele não quis.

Assim que cheguei em casa, a primeira coisa que eu quis fazer antes de almoçar era instalar o modem no meu note e ver se estava tudo certo. Realizada minha vontade, eu e Aga saímos para comer algo diferente dos pratos ganenses e ela me propôs comermos em um restaurante libanês perto de casa: Yami’s. Ao entrarmos, fiquei preocupada com o valor: não havia uma alma viva e o próprio chef nos encaminhou até a mesa (onde havia taças e guardanapo de pano – isso em Ghana, pelo menos pelo que eu ando vendo, é muito!). Quando abri o cardápio, confirmei: o prato mais barato era quase ¢12 e era uma macarrão! Para quem está se acostumando a comer por ¢3, isso é muito! Enfim, acabei optando por uma comida árabe, que nem me recordo o nome, e uma porção de fritas (sabe aquela coisa “para garantir”? Mais ou menos isso). Aga pediu o macarrão e uma taça de vinho (corajosa,porque o vinho nem constava no cardápio). Foi ótimo comer lá, porque havia um ar condicionado nas minhas costas, além de uma musiquinha ambiente. Demorou um pouco para vir, mas tivemos uma entrada “extra” deliciosa (umas torradas ao alho com uma espécie de vinagrete, com tomate e pimentão bem picadinho). O prato de Aga era enorme, ela mandou muito bem! O meu? Poderia ter pedido apenas um dos dois e, além disso, ele trouxe quibes (achei estranho porque eu não havia pedido) – cheguei a perguntar se estava incluso e ele não escutou (ou fingiu). No final, acabei pagando pelos tais quibes e nós duas levamos comida para casa.

Eram três horas da tarde quando fechamos a conta – exatamente a hora em que havia marcado para falar com o Pedro pelo MSN. Cheguei atrasada e me esqueci que o MSN não esta entrando (aquela porcaria de mandar atualizar – se manda atualizar, não atualiza e, se não manda, não entra). Meia hora mais tarde, estava eu no Meebo, outra grande porcaria aqui em Ghana: falei menos de cinco minutes através dele e tive problemas de conexão. Como o Pedro estava trabalhando, ele tinha de sair porque seu horário de almoço chegava ao fim. Foi só e-mail de um lado e de outro e mais um dia sem nos falarmos direito. Cheguei a pensar “por que não fui na lan?”, afinal eu ainda tenho credito lá. Mas já era.

Enquanto eu vivia minha tentativa de conversa com o Pedro, o Rômulo decidiu que iria antes mesmo para a praia e me deixou duas possibilidades de ir à noite para lá: uma amiga dele me ligaria mais tarde para combinarmos de ir juntas ou eu ligaria para um dos portugueses de ontem, o Sérgio (esse era um dos nomes!), para eu ir com eles de carro. Katharina, a amiga indicada, não me ligou, então combinei de encontrar com os portugueses logo depois do jogo lá no Champs, afinal a “equipa” deles estava jogando.

Antes de ir, precisava comprar água urgentemente. Fui eu, na esquina seguinte, comprar 20 saquinhos de 500ml por ¢1. Calcularam o peso?! Eu não havia calculado e, quando a vendedora perguntou onde estava o táxi, eu simplesmente falei que eu levaria a pé até minha casa – que ficava na próxima esquina. Ela ficou espantada e ergueu o sacão com os 20 saquinhos indicando que colocaria sobre a minha cabeça para levar. É lógico que eu levaria na cabeça, não?! Só dá ela rindo e colocando o saco no chão, após eu explicar que não havia desenvolvido essa habilidade. Então ela resolveu oferecer a ajuda do filho para levar para mim e, enquanto eu esperava, ela e mais uma moca começaram a conversar comigo, perguntando meu nome e da onde eu sou. Assim que ela descobriu que me chamo Jaqueline, começou a me chamar para mostrar sua netinha que tem o meu nome: uma graça! Então, ela disse seu nome e o de sua filha (o problema é lembrar agora) e me convidou para conhecer sua casa quando eu quisesse, afinal somos praticamente vizinhas! O papo estava bom, mas os minutos voavam e o garoto já estava me esperando para levar minha compra.

Lógico que, depois dessa aventura, tive que tomar banho correndo e ligar avisando que atrasaria uns 15 minutos. Mais uma negociação de táxi e, apesar do atraso, cheguei antes de o jogo terminar. Entrei dessa vez sem pagar, só para esperar acabar e, enquanto eles assistiam o duelo português, comecei a ver o Real Madrid jogando: Kaká!!! O gol de lá já havia saído e o time deles ganhavam, já o gol do Real Madrid saiu enquanto eu via: ai, que saudade de ver jogo [e gol] do meu time!

Acabei não falando ontem, mas o Champs fica dentro do Paloma Hotel, que por sinal é bem bacana – se eu estivesse aqui a negócios seria um bom lugar, ainda mais com o Champs ali! E não é que o Sérgio e o outro português, o Bruno, estavam lá?! E ainda tem carro! Logo fico sabendo que eles não são intercambistas, mas tem um emprego em uma construtora portuguesa que os “enviou”. Sérgio está aqui há uma semana, mas vive na África há três anos. Morou em Senegal, onde viu e sentiu na pele uma barata gigante voadora (credo!!!), e Cabo Verde, onde teve um filho e vai de tempos em tempos visitá-lo. Bruno está aqui há três meses e antes morou em Angola, que segundo ele, apesar de ser melhor por falar português, possui uma população bem hostil e não se pode andar nas ruas tranquilamente como podemos [razoavelmente] aqui.

O caminho até Kokrobite foi uma aventura: nos perdemos para sair de Accra (“para conhecer melhor a cidade”), ouvi várias musicas portuguesas que não eram favo e passamos por dentro da verdadeira África e seus caminhos tortuosos (tentei tirar foto, mas estava bem escuro). Chegamos lá sãos e salvos e finalmente entramos na “Reggae Party”, nome que o Bruno, de motorista, repetiu umas quatro vezes no caminho para pedir informação de como ir.

Lá estavam o Rômulo, o Mathew e o casal holandês (vou ter que continuar falando assim, porque meu amigo brasileiro não sabia falar o complicado nome deles para mim). A Ana?! Capotada no quarto da pousada onde a festa estava rolando – brasileiros! Diante das circunstâncias, evitei beber muito, apenas um cerveja normal, uma cerveja preta e um shot de tequila (sem sal e sem limão!!!). Queria mesmo era comer frutas e, quando Bruno viu que havia frutas para vender lá, veio correndo me avisar. Só tem um detalhe: um abacaxi em pedaços custava ¢10! Não, muito obrigada!

A música estava muito boa, mas percebi que o ambiente era quase uma São Tomé das Letras ou uma Ibitipoca da vida para quem curte “diversões alternativas”.
Como não ia morrer por causa disso, tirei muitas fotos, dancei, ri e conheci mais pessoas: Nick, da Nova Zelândia, Hussein, ganês de origem libanesa, e mais três amigos: um libanês e duas ganesas (estou com vergonha de não lembrar os nomes porque eu conversei com eles um tempão!). Mais tarde, Hussein e seus amigos me salvariam. Como não queria dormir lá (além de achar muito abuso da minha parte, como uma pessoa comprometida, só estava com a roupa do corpo e não passaria a noite e horas do dias seguinte assim) e todo mundo que eu conhecia ia ou queria dormir lá, assim que eles anunciaram que iriam partir: eu fui!


O caminho de volta foi um bom momento para dormir e no auge do meu sono, acordo com o carro estacionando em uma boate de Accra: Tantra. “Como assim?”, pensei. Sim, eles me levaram para uma boate no momento em que eu achava que iria para casa dormir. Pelo menos eu entrei de graça! Entrei e, por incrível que pareça, dancei muito: o lugar e as músicas realmente eram bons! Cheguei em casa sem saber que horas eram, só pensando em dormir.
 
PS: finalmente uma foto de um táxi, meia boca, mas é uma foto!!!

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