O dia começou quente e o que mais me incomodava era pensar na ausência de água. Resolvi tomar um banho no meio da manhã para amenizar. Dormi de novo, mas Moroe (nem sei se é assim que escreve e a Aga também não sabe, então fica assim), watcher man de dia, bateu à porta para avisar que sairia e já voltava. Disse que estava tudo bem e dormi de novo. Resolvi acordar umas duas horas depois, porque nem dormi tão tarde e, principalmente, o calor estava insuportável e precisava urgentemente lavar meu cabelo – acho que estava esperando a água voltar para isso, mas nem sinal. Tomei meu super banho, com uma super lavagem de cabelo (é nessas horas que odeio ter tanto cabelo!).
A fome bateu (desde ontem de madrugada, na verdade), mas como Aga ainda não estava de volta (feliz é ela que pode caçar um lugar com água corrente para ficar), liguei para saber onde ela comprou comida para a gente da outra vez. Como acordei um pouco tarde demais, porque havia combinado com o Pedro de conversarmos às duas e faltava apenas 10 minutos, entrei no MSN para anunciar meu atraso antes que ele desistisse de me esperar. Saí correndo até chegar no portão e reparar que estava trancada dentro da minha própria casa. Foi quando me toquei que Moroe havia me avisado que sairia, mas até onde eu sei ele já devia ter voltado e eu não deveria estar trancada... tudo bem que seria para minha segurança, mas foi bem estranho. Já que eu não tinha o celular dele, liguei para o celular do Alassen. Uns 15 minutos depois, eu poderia sair de casa, muito obrigada! Para completar meu “volto logo”, apesar das instruções da Aga, fiz tudo errado e não achava o tal restaurante. Em contrapartida, uma senhora a quem eu pedi informação foi muito bondosa e me guiou até a porta do lugar – ela deve ter pensado: estrangeiros...
Chegando em casa com minha refeição na mão e uma coca na outra, sentei direto em frente ao notebook que deixei ligado e almocei ali mesmo. Sorte que meu namorado só pediu para usar webcam quando eu já tinha acabado de comer – apesar de ele me afirmar que seria interessante ficar me vendo comer... acho que não! Nossa conversa sempre envolve o que fizemos na noite anterior e durante o dia e, portanto, foi inevitável saber tim tim por tim tim dos quatro lugares em que fui e do seu sábado de carnaval. Depois que ele me contou tudo sobre sua saída, o que incluía duas garotas vestidas de coelhinhas querendo virar tequila com ele e seus amigos... fiquei pensando se seria bom ou ruim eu estar por perto!
O dia passou voando e, apesar de ser domingo, não queria ficar sem sair, já que eu sabia que no Brasil todo mundo estaria pulando carnaval (além disso, é Valentine's Day* e eu não posso comemorar) – tudo bem que não poderia ficar muito porque teria de trabalhar no dia seguinte, mas a gente tenta amenizar a ausência de tudo isso. Assim, liguei para Lorena e combinamos de comer no Mamma Mia, restaurante e pizzaria italiano. Tentei chamar outras pessoas, mas cada uma já havia se programado para alguma coisa diferente ou não iria sair porque gastou muito no dia anterior. Já Bob, para variar, falou que o pessoal a beber na casa dele, então nós iríamos lá depois. Despedi do Pedro, me arrumei e parti para o lugar, que é no mesmo bairro em que moro.
Lá descobri que Lorena é amiga do dono e ele nos ofereceu duas taças de vinho por conta da casa, além de indicar pizza e pedir para caprichar. Escolhemos quatri formaggi e, quando chegou, me deparei com a primeira pizza de quatro queijos que vem com tomate e manjericão: uma delícia. Eu e Lorena conversamos muito, principalmente sobre nossa experiência profissional aqui e sobre relacionamentos. Claro que foi inevitável a surpresa dela quando descobriu que comecei a namorar dois dias antes de ficar seis meses fora, ainda mais porque ela terminou um rolo antes de vir para cá ficar nove meses (que se encerram em maio).
Quando estávamos prestes a ir embora, um amigo cubano de Lorena apareceu e descobrimos que todos os falantes de espanhol estariam reunidos no mesmo lugar só que no lado de fora, mas já havíamos combinado de ir no Bob. Sentamos um bocado com eles e conheci um argentino, um espanhol e uma grega (não, ela não fala espanhol – exceção), além de rever o outro Mike, italiano,e cumprimentar rapidamente mais espanholas.
Já estava tarde, então pegamos um táxi até uma loja de conveniência perto da casa do Bob para comprarmos bebida: dois sucos! Chegando lá, a pé, descobrimos que todo mundo já havia ido embora e, para completar, Aga me ligou falando que estava em casa mas não podia entrar porque estava sem chave. Ficamos um pouco, porque Bob insistiu e Aga voltou. Mas foi bem pouco mesmo, já que segunda-feira se aproximava e em Gana não é carnaval. A boa nova ficou para quando chegamos em casa: a água estava de volta!
*descobri que em Gana é comum você receber mensagem no celular mesmo que você seja solteira ou não seja do seu namorado. Eu, pelo menos, recebi duas. Detalhe que eu não sabia de quem era, porque não tenho os números gravados, mas descobri no final do dia, depois de mandar mensagem perguntando. Povo doido!
Ceia mórbida
3 semanas atrás

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