A tarde toda foi de atualização do blog, como sempre procuro fazer aos sábados. Apesar de normalmente usar minhas manhãs para isso, foi fácil render porque Aga me abandonou em casa e não programei fazer nada: poderia ser tédio, mas tenho os posts precisavam estar no ar e eu adoro recapitular o que vivi. Como sabia que o Pedro sairia do trabalho mais cedo hoje por conta do carnaval, mandei e-mail para que ele me avisasse quando estivesse on, já que minha net é super rápida e atualizar blog junto com MSN funcionando não seria uma boa ideia.
Todo sábado atualizo blog assim: em frente ao ventilador!
Porém já eram sete horas da noite e ele não me mandou e-mail algum, resolvi entrar no MSN e lá estava o Pedro online desde às 16h25, portanto perdi 35 minutos conversando com ele. Pode parecer exagero, mas com essa época de carnaval tinha que aproveitá-lo antes de sair. O melhor é que todos os meus posts já estavam no ar e eu poderia dar mais atenção. A parte triste é que ele tinha noite de carnaval e eu não havia combinado nada e estava sozinha em casa. Tive que ligar para a Lorena, que iria jantar e depois encontraria comigo no Monsoon. Assim, a conversa rendeu até os dois precisarem se arrumar, afinal, apesar de duas horas de diferença, ele sairíamos no mesmo momento: ele, às 20h, e eu, às 22h. É, restou desejar juízo e rezar: sim, estava com ciúmes apesar de, na noite anterior, segundo o Pedro, ele ter recebido cantadas só de homens vestidos de mulher.
A noite hoje foi longa. Começamos no Monsoon, onde resolvi pedir algo para comer depois da super refeição do dia: egg noodle com carne do Tepanniaki (uma das opções de restaurante que o Monsoon possui). Enquanto aguardávamos, um moço nos abordou para perguntar se nós éramos latinas. Confirmamos e ele perguntou se falávamos espanhol, disse que falava apenas um pouco porque sou do Brasil. Ele se apresentou e falou que o amigo dele é da Colômbia e queria saber e, então, voltou para sua mesa. Mais tarde, o amigo colombiano, Cesar, apareceu em nossa mesa e começou a conversar com Lorena em espanhol, em pé mesmo. Depois de um tempo, mostrou onde estavam e falou que estávamos convidadas a nos sentar com eles. Não vimos problemas, afinal é sempre bom conhecer gente de países diferentes, além disso desde o início da nossa conversa lá eu dei um jeito de falar que tinha namorado para não acharem que duas amigas com dois amigos poderia significar algo mais.
Meu pedido chegou e bateu uma saudade porque me fez lembrar muito do sukiaki que meu pai faz, apesar de esse egg noodle ser bem menos saboroso (puxa saco, né?!). Ao mesmo tempo foi bom usar hashi em terras africanas. Enquanto eu apreciava minha refeição do dia, conversávamos, conversávamos, conversávamos. Descobri que Cesar morou alguns meses no Brasil e compartilhava a mesma opinião de indignação em relação ao trânsito daqui comparado ao nosso. Dizia ele: lá eles têm regras, andam em faixas diferentes de acordo com a velocidade e não saem ultrapassando quando bem entendem. Apesar de sabermos que não é sempre assim, comparado ao louco tráfego daqui, o Brasil é o paraíso. O que achei mais engraçado é que ele não lembrava de nada que ele havia aprendido da nossa língua, quando o norteamericano naturalizado nigeriano (esqueci o nome do outro... que feio!) resolveu pedir que ele falasse alguma coisa para mim em português.
Outro ponto alto da conversa foi nossa opinião única de que a grande maioria se refere à África como uma só definição e preconceito. Todos que estavam à mesa já ouviram que a África é um país, que estando em Gana poderíamos curtir a Copa porque é na “África” esse ano e que deve ser muito ruim morar aqui. Como os dois primeiros não merecem explicação, discutimos sobre o último item: ruim é muito vago e morar é envolve muitos fatores.
Encerrada minha refeição acompanhada por suco de abacaxi (viu? Nem sempre bebo bebida alcoólica), partiríamos para o Champs, onde os portugueses, Sérgio e Bruno, estariam e poderíamos pegar nossos VIPs para o Tantra. Mas também fomos convidados ao Duplex, onde o pessoal mais conhecido já estava. Como o Duplex era em mais perto e ainda pensávamos em ir ao Tantra, optamos por encontrar com os portugueses mais tarde e fomos para o “tradicional” ponto de encontro. Os nossos novos amigos nos acompanharam.
Além dos nossos velhos amigos, conhecemos um polonês e um alemão (falei assim porque só lembro o nome do Bartek, polonês). O primeiro trabalha aqui e está de volta, depois de passar um tempo em casa. O segundo chegou agora e vai trabalhar como internship até o final de julho (olha! Um internship que vai embora na mesma época que eu!). Dançamos muito, mas o Bartek era o mais empolgado, imitando socos no ar – lembrei das nossas danças com bolas imaginárias ou aquelas em que “limpamos o vidro”, “enchemos o pneu da bicicleta”, “soltamos pipa”, “lutamos capoeira”... enfim! Ah, claro: bebi, até mesmo porque o novo-amigo-que-não-lembro-o-nome (copiando J. K. Rowling) fez questão de que virássemos com ele dois shots de uma bebida-transparente-forte-e-muito-doce (super descrição, como vocês podem notar).
Já eram quase duas horas da madrugada e não havíamos contatado os portugueses ainda e quando decidi ligar na parte de fora do bar: CHUVA! Muita chuva! Mesmo assim, nos despedimos do pessoal e partimos para o Tantra de táxi. Lá chegando, nem deu tempo de tentar esperar o Sérgio e o Bruno: saimos correndo no meio da chuva e entramos direto na boate. A música estava boa e bebi mais cerveja. Depois de meia hora, meu celular toca: era Sérgio falando que estava perdido e queria que eu explicasse. Claro... que eu não sabia e passei meu celular para o segurança de lá explicar.
Enquanto aguardávamos eles chegarem, conversei um tempão com Cesar, que lamentava o excesso de trabalho: ele trabalha com uma empresa de telecomunicações daqui, vive viajando pelo continente e fica toda hora conferindo ou escrevendo em seu blackberry, pois, segundo ele, os e-mails não param de chegar. Eu disse: “Mas até no sábado à noite?!”. É... acho que ando trabalhando pouco.
Os perdidos chegaram, mas ficamos pouco tempo juntos porque a energia acabou em seguida e não queríamos mais ficar lá: boate no escuro, ninguém merece! Bom, eu queria ir embora, mas Lorena estava no pique e queria caçar outro lugar para “curtir”. E, depois de dois bares (um fechado e outro vazio), encontramos a Aphrodisiac, uma boate vermelha, que tem umas camas no meio do caminho e umas luminárias muito exóticas (apesar de ter achado super diferente, era muito cheguei, sei lá!). O que mais me deixou mal, além do fato de eu estar mega cansada, é que havia várias ganenses, digamos, de programa. Eu, hein! Sorte que deu um pique de luz lá também e Lorena começou a se cansar: uma hora depois estávamos indo embora.
O mais engraçado dessa longa noite não é nem o número de lugares que fomos, nem a quantidade de táxi que precisamos para ir a esses lugares, mas a quantidade de dinheiro que eu e Lorena gastamos: NADA! Melhor de tudo é que nem deram em cima da gente: ou a gente é muito legal ou quiseram arranjar uma maneira diferente de gastar dinheiro! Vai entender...
Chegando em casa, me deparei com Alassen, watcher man da noite (espécie de vigia) da casa em que moramos, em pé, encolhido no canto da casa, tentando não tomar chuva – normalmente ele fica deitado no meio do quintal sobre uma coberta, vigiando. Foi quando me toquei que a cadeira que a Aga senta para fumar (no quintal) e nossos sapatos (que ficam fora da casa em frente à porta para não levar sujeira) poderiam estar molhados: pois é... SHIT! Sorry! Melhor dormir e pensar nisso depois.
PS: Sair sem máquina resulta em post sem fotos.

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