Vocês sabem o que é calor? Esta manhã eu descobri o ápice dele. Como eu queria me enfiar debaixo do chuveiro gelado – aliás, aqui só existe chuveiro gelado, até mesmo porque seria uma idiotice querer água quente. Na verdade, não foi de manhã, foi assim que eu acordei e eu acordei uma hora da tarde! Aga não estava em casa – foi a praia com Ryan, Peter e companhia. E foi na sua ausência que me deparei com a máquina de lavar parada no meio do processo e cheia de água. Tentei fazer funcionar e nada, me restando esperar Aga para perguntar se havia algum macete ou se havia quebrado mesmo – detalhe que no dia anterior ela já tinha transformado minha blusinha branca que eu combino com quase tudo em uma blusinha rosa!
Na preguiça e sorte que começava meu dia, fiquei na dúvida se bebia meu shake, se saia almoçar ou se fazia uma sopa. Na dúvida, bebi água e liguei o computador: quem sabe eu não conseguia falar com o Pedro? Bom, não conseguia mandar mensagem pela internet (por celular eu nem me arrisco mais porque nem eu e nem ele conseguimos, apesar de aparecerem como enviadas) e não tive resposta do e-mail. Resolvi colocar a mão na massa: baixar a atualização do MSN e fazer o download do Skype. Que eu resolvi fazer isso é fato, se eu consegui são outros 500: passei a tarde toda tentando baixar e dando erro nas duas instalações.
Devido a essa felicidade do dia, acabei “assistindo” a grande final da Copa das Nações Africanas entre Ghana e Egito em casa, apesar de antes ter recebido o convite dos portugueses para ver no Champs e no intervalo, do Hussein, para ver na rua mesmo (há um telão em uma das ruas principais daqui, que fica lotada). No meio das palavras bonitas que pronunciei, resolvi ficar acompanhando meu e-mail e descobri que tinha mais uma festa de aniversário! Isso era sinal de que meu domingo não podia morrer assim dentro de casa. Até cheguei a pensar em dar um pulo na rua ver o final do jogo, mas assim que o Egito fez gol nos últimos 5 minutos, percebi que não era uma boa ideia.
Aga iria para o aniversário direto e eu teria de achar o caminho sozinha e desta vez era longe. Liguei para Lúcia, a aniversariante, e ela me passou as instruções. Imaginem uma pessoa boiando? EU! Peguei o táxi na fé e na coragem. A sorte é que tinha ar condicionado e o motorista era simpaticíssimo, parando em um lugar para eu comprar bebida nua boa (por incrível que pareça, eu comprei coca!). No caminho, conversamos sobre o twi (a língua local) e quando eu perguntei se haveria um dicionário ou algo do gênero ele falou que eu teria de fazer aulas e que existe uma escola aqui. Apesar de achar super interessante, acho que não tenho dinheiro e nem muito tempo para me dedicar: antes preciso aprimorar meu inglês, mas pelo menos frases básicas eu posso aprender e ficar mais “enturmada”. Chegamos em alguns minutos, mas tivemos dificuldade para achar a casa, porque há dois lugares próximos e de mesmo nome que ela me indicou como local de referência – faz parte!
Os comes da festa estavam bem atraentes (ainda mais lembrando minha super alimentação do dia): macarrão com verduras, frango assado, petisco indiano, chips sabor frango e panquecas com recheio de chocolate ou abacaxi (coisa bem ruim!) - desculpa eu descrever a comida, mas é porque vocês imaginam como fiquei feliz com esse jantar, né?!
Conversei bastante e uma das minhas melhores conversas foi com Romain, um francês que também está trabalhando através da Aiesec. Foi bacana porque ele trabalha com Marketing e eles estão sem designer gráfico na empresa, portanto ele gostaria de aprender mais e eu passei várias dicas para ele – me senti super experiente no assunto... será que sou?!
Após alguns shows de bebedeira (como andar de velotrol e subir em cima de um carro de plástico e derrubar no chão) por conta de quem eu nem cheguei a conhecer, parte dos convidados foi embora e parte (incluindo eu) foi para a casa de Ryan. Confesso que já estava meio mortinha, mas não queria ir para casa sozinha. O pessoal começou a ir embora, restando apenas eu, Ryan, Ciprian e Aga (que realmente só era “resto”, já que dormiu o tempo todo). A conversa rendeu, discutimos desde a infelicidade em eu ter adquirido um modem da Zain, sendo que o da MTN a abrangência é muito maior, até o antiamericanismo e como a justiça, a sociedade e a economia podem ser falhos. Foi uma noite para treinar meu raciocínio e o meu inglês: demais!
O relógio marcava mais de duas horas e eu pedi para ir embora. A ideia inicial era voltarmos eu, Aga e Ciprian juntos, mas Aga não moveu um dedo. Fiquei com um pouco de raiva, porque poderia ter ido de carona mais cedo e no bairro em que eu estava a aquela hora seria dificílimo achar um táxi, mas tudo bem. Após uns vinte minutos vagando em ruas desertas, um táxi surgiu e finalmente pude ir para casa. Sono!
PS: Sem fotos!!! Desculpem :/
[ sonhos ]
Há 5 anos
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