quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Quinta-feira, 21 de janeiro – Vai dar tudo certo

Assim que entramos no avião e todos já estavam sentados prontos para a decolagem, as luzes do avião se apagaram duas vezes e ficamos vinte minutos esperando sem ar condicionado e com as portas abertas para não sufocarmos. Eu poderia ter ficado nervosa, mas meu sono era tanto que “Pane? Nada!”. Apesar de ter dormido quase o tempo todo, cheguei a fazer amizade com uma senhora nigeriana, professora de inglês (e eu conversando com ela com meu inglês SUPER fluente). Minha lerdeza já era tamanha que na parada da Nigéria, prestes a decolar, achei que estávamos chegando em Accra – o que não significa que estava longe, pois chegamos em Accra em menos de uma hora.

É, agora o coração já batia um pouco mais acelerado e a ficha caiu de leve: estava em solo ganense, onde viveria durante seis meses. As coisas pareciam começar tortas. Eu senti um leve desespero quando me dei conta de que perdi um bloco com anotações sobre a cidade, inclusive os dois únicos endereços de referência. E adivinha uma das informações pedidas pela Polícia Federal para autorizar minha entrada no país? Um endereço e um telefone de referência. Detalhe: o único local onde os dois telefones de referência estavam anotados era na bagagem que eu ainda pegaria. No final das contas, após alguns minutos, deu tudo certo. Com as minhas bagagens e com a ajuda de um ganense, fui ao local de espera crente que seria recepcionada no mínimo com um papelzinho escrito “Aiesec”. Mas não havia ninguém lá e os telefones que eu possuía não eram da pessoa que iria me receber – lições para a gente aprender da próxima vez. Graças ao tal ganense eu consegui localizar meu anfitrião e ele estava a caminho: ufa!


Troquei meus dólares por cedis e rumamos ao comitê local da Aiesec, onde ficaria praticamente o dia todo até minha mudança para a casa definitiva (da empresa em que trabalharei). No trajeto até lá percebi o quanto o país é diferente e eu teria de me adaptar, a começar pelo estilo do táxi (meio capenga, digamos assim). Assim que cheguei no meu destino, já vi uns três intercambistas e mais outros tantos aiesecers ganenses, mas meu principal objetivo naquele momento era tomar um belo de um banho (quase dois dias de viagem sem banho ninguém merece). Eis a notícia: tomaria banho com balde porque não estava saindo água no chuveiro. Tudo bem: novas culturas, novas realidades... desafios!

Banho tomado, conheço os vários intercambistas que estão há pouco tempo em Ghana, assim como eu: chineses, taiwaneses, norteamericano e ouvi dizer que há um brasileiro – para variar não estava em casa porque foi em uma “balada”. Fome? Eu nem senti porque a sustança no avião era o suficiente para mais horas. Só sei que estava com sede e, ao pedir água, tivemos de sair para comprar. Foi aí que descobri a maneira mais comum de se encontrar água em Ghana: saquinhos quadrados de 500 ml – o custo de produção é baixo, sendo vendidos a ₵ 0.05 cada (o equivalente a R$ 0,062).

Junto a meus novos colegas descobri que: meu celular poderia funcionar aqui só com um novo chip; e eu o deixei [quase chorando] no Brasil; meu dispositivo do MP6 não está funcionando em nenhum computador e não tenho o CD de instalação aqui, porque no meu PC anterior ele estava funcionando normalmente; todos os meus aparelhos eletrônicos necessitam de adaptador. E neste dia de descobertas, conhecer meu local de trabalho, onde ficarei boa parte do meu tempo durante estes seis meses, tinha que estar entre as minhas atividades do dia. Para isso, após uma breve reunião com os DTs (um outro tipo de intercâmbio da Aiesec): táxi e trotro (uma espécie de micro-ônibus, mas sem muita conservação – assim como a maioria dos táxis).

Meu chefe me pareceu bastante receptivo, mas bem ocupado. Pelo menos deu tempo de ele agilizar minha mudança para “minha casa” e pedir que eu viesse logo no dia seguinte (sexta-feira). Pela minha longa jornada do dia, ainda pediu a Gifty que me deixasse dormir porque eu deveria estar cansada. Realmente: durante quase todo o trajeto de volta para o Comitê Local eu estava dormindo. Chegando em casa, apesar do cansaço, a primeira coisa que queria fazer era entrar na internet: a saudade já batia forte e desde a minha chegada não consegui falar com ninguém. Apesar de a minha vontade ser ficar direto navegando, uma nova cultura e diferentes experiências me esperavam, além de minha mudança até a casa da empresa.


Como as únicas “refeições” que fiz no dia foram um biscoito chinês e um doce taiwanês, além do que comi no avião, o convite para comermos fora veio em boa hora. Só que a comida talvez não fosse a ideal para uma brasileira, apesar de bastante saborosa e requisitada por aqui: banku. Para quem não sabe, ganeses comem com a mão direita (com a mão mesmo) e nada de pegar algo com a mão esquerda. Além disso, cada um possui uma pequena bacia com água para lavar as mãos na mesa mesmo antes de comer: o detergente é para todos. Passadas essas descobertas, no momento em que comecei a mastigar o banku, os ganeses já me alertaram “swallow, swallow!” e lá vai a Jaqueline engolindo uma massa (que até hoje não entendi o ingrediente principal) com um molho, digamos, “levemente” apimentado. Resolvi então pedir uma Coca para amenizar o calor da pimenta e quando estava na metade da garrafa, adivinha? Os ganeses me avisaram que a Coca só iria piorar pela acidez. Resumindo: é lógico que não aguentei comer todo o prato.

Assim que “terminei” de comer, era hora de ajeitar minhas malas e partir para minha casa africana. O endereço? Bom, não há endereços exatos em Accra (sem numeração), mas se você quiser mandar uma carta ou uma encomenda para mim ou para alguém que estiver por aqui, não se preocupe: há PO Box (Caixa Postal)! Fui acompanhada do VPP da Aiesec GUC (chique!) até lá e finalmente conheci Aga, minha mais nova companheira de moradia e trabalho vinda direto da Polônia! Fiquei feliz porque descobri que teria uma cama de casal (tudo bem que só trouxe lençóis para cama de solteiro), um banheiro e até uma cozinha só para mim: quem diria! A parte triste? NO internet! Mas com certeza não será por muito tempo, porque senão vou morrer de saudade dos meus amores brasileiros. Antes de dormir ainda pude provar uma deliciosa vitamina de abacaxi e banana feita por Aga (lembrei da mamãe...). Banho tomado (com chuveiro!), era hora de abraçar meu Pedro (o leão de pelúcia), e dormir preparada para acordar às 7h, pois 8h começa meu pré-primeiro dia de trabalho.

7 comentários:

Naissa Viana disse...

Adorei saber as novidades!
Muito comédia a parte do banho de balde e do brasileiro na balada...vai ser você daqui a pouco hehe
Se cuida aí!
Bjos e saudades!

G disse...

e o q foi essa história da comida? a coca só iria piorar! kkkkkkk me divirto! tô adorando as fotos!

Anônimo disse...

AAAAAh! Também adorei saber das novidades, já que não consigo conversar com vc pela internet hahahahaahhaah! Q saudade de vc amiga!
Mas parece q tá sendo mto bom pra vc! Aproveita bastante!

Lucas Jota disse...

Jaque q maneiro! vo acompanhar todos os posts do seu blog com ctz ^^

bjoo ;**
bluej

ps: poo tenho q logar no google pra comentar ://

Unknown disse...

Que legal ler suas aventuras Jaque... morri de rir da parte da Cleide. Muito sucesso ai pra vc, viu? Vc merece...
Ja estamos com saudades...
Beijao!

Laila Hallack disse...

Ameeeeeeeeei ler! Agora acompanho tudooo!
E os canhotos como eu, como fazem para comer?
Conta mais sempre!!
Saudades demaaaaaaaaaaaais!!

Unknown disse...

Caraaaaca Jaque....
gostei da parte da comida....entao eh com a mao direita mesmo!!? rsrsrs
que experiencia!!! :D
Aproveita!!!