Não é difícil detectar em nossas vidas que cada pessoa com quem convivemos à sua maneira traz mais cor à rotina, mais alegria à tristeza, mais drama à comédia, mais brilho ao opaco... mais vontade de viver intensamente. Essas pessoas tornaram-se em algum momento, que nem nós sabemos identificar, nossos amigos. Dizem que os amigos a gente conta no dedo e são os irmãos que podemos escolher, mas como nossa escolha é engraçada e sem lógica!
Existem os amigos que falam demais, os que falam o necessário e os que são ótimos ouvintes, muitas vezes os melhores conselheiros. Existem também aqueles que falam tudo na brincadeira e fica difícil detectar o momento sério, os que falam sério sempre e fica complicado saber se está brincando e os que saem da brincadeira para o assunto sério num piscar de olhos com credibilidade nas duas situações. Uns fazem piadas (algumas boas e boa parte muito ruins, mas que você morre de rir), outros sofrem com elas e outros demoram para captar o sentido (o que pode irritar ou fazer você repensar seu senso de humor). Existem ainda aqueles que choram por qualquer coisa, aqueles que se você vê chorando algo muito grave aconteceu, aqueles que choram de tanto rir, os que riem quando não pode, os que você reconhece a gargalhada à distância ou ainda aqueles que riem de maneira tímida e se divertem mais do que muita gente que faz estardalhaço. Existem também os que falam tão rápido que você pede para respirar fundo, aqueles que emendam assuntos até o momento em que um pergunta ao outro porque estão falando daquilo, aqueles que se perdem no meio de tantas novidades porque faz tanto tempo que não conversam, aqueles que trocam e-mails gigantescos dividindo os vários tópicos da vida e aqueles que mal falam com você na internet (muito menos por telefone), mas que pessoalmente dá uma vontade de parar o tempo para matar a saudade.
Com a convivência, entram em cena a amiga mãe (que pergunta se está levando blusa e guarda-chuva, se está com dinheiro e se preocupa com quem você anda se relacionando), o amigo pai (que leva você até a porta de casa e não quer saber de você andando sozinha em horários e lugares suspeitos), o amigo colorido (que a gente não sabe se está rolando um clima ou uma grande afinidade), o amigo irmão mais velho (que não quer saber de marmanjo dando em cima de você), o amigo irmão mais novo (que só dá trabalho e de quem você morre de ciúmes) e o amigo festeiro (que faz você ter companhia para o que der e vier e se divertir muito até o dia amanhecer mesmo que seja o maior programa de índio).
E é voltando no tempo que vemos quantos amigos já passaram por nós, cada um especial em determinado momento, mudando nossa vida e nos fazendo crescer. Mas, sinceramente, não há nada como as amizades que não têm ponto final (assim como o irmão não deixa de ser irmão de uma hora para a outra): faça chuva ou faça sol, perto ou longe, online ou offline, a afinidade, o carinho e o zelo estarão sempre ali, movendo montanhas para fazerem a amizade valer a pena - movo uma montanha hoje, online e distante, mas com o pensamento neles.

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