quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Quarta-feira, 20 de janeiro – Um novo mundo


Após minhas peripécias durante o meu primeiro voo, cheguei às 7h em Joanesburgo. Como me recomendaram não sair do aeroporto pelos perigos que eu poderia encontrar, sabia que enfrentaria uma longa jornada no maior aeroporto africano – até fiquei na dúvida se eu saia rápido do avião ou esperava todo mundo sair na tentativa de ficar menos minutos esperando meu próximo voo (às 23h50).


Passadas as burocracias para permanecer dentro do aeroporto, me senti em um novo país que tanto ouvi falar e que daqui a alguns meses estará sediando a Copa. É, foi inevitável: fotos e mais fotos (acho que os sulafricanos devem ter pensado “só pode ser japonesa”). Quanta coisa bonita, colorida, exótica e atrativa. Se eu tivesse dinheiro e um jatinho particular sairia comprando tudo: minha futura casa seria uma verdadeira África. O que mais me deixou feliz nesta minha espera é que encontrei uma brasileira para me fazer companhia (pelo menos até o horário do voo dela para Hong Kong, às 16h30). Coincidência maior foi saber que ela também estava fazendo intercâmbio pela Aiesec – porém por um período bem menor que o meu (quase cinco meses de diferença). E juntas descobrimos o quanto converter moedas pode ser um “pé no saco” e bem caro (US$20 de taxa para converter dólar em rands?!).


A nossa amizade relâmpago foi tanta que falamos de vários assuntos, dividimos crédito de telefone para ligar ao Brasil, experimentamos “lanches” diferentes e por fim ficou a promessa de mandarmos notícias de como tudo está sendo – além de trocarmos as fotos tiradas. Mas, como eu disse, nem tudo foram flores. Assim que ela partiu os minutos passaram devagar e os funcionários do aeroporto já deviam estar pensando que eu pretendia morar lá: perdi a conta de quantas vezes fui a banheiro nem que fosse para olhar no espelho. E, após vários cochilos nas cadeiras de espera, embarquei rumo à Ghana e, um pouco antes do embarque, descobri que haveria uma parada em Lagos, capital da Nigéria (até com voo eu tenho parada).

PS: Pasmem: esse Nelson Mandela é todo feito com miçangas. Esqueci de perguntar o preço - vou conferir na volta (como seu fosse comprar, né?

Terça-feira, 19 de janeiro - Até logo!

O dia foi normal, apesar de eu saber que é o mais diferente de minha vida. Pelo menos até então. Acordei às 7h, após ter dormido muito pouco: minha bagagem ficou pronta apenas às 5h. Cortei meu cabelo também, afinal serão seis meses fora do Brasil. Comprei os últimos itens que restava da minha lista e, antes de partir de minha cidade natal, ainda ganhei dois importantes presentes (quase itens de sobrevivência!). Para me despedir da boa comida brasileira, meus pais me levaram à churrascaria.
Minha ida ao aeroporto de Cumbica foi bem tranquila. Todos os processos burocráticos de uma viagem internacional também. Despedi-me de meus pais sem uma lágrima - ando preocupada com isso.

Posso dizer que minha primeira viagem de avião foi no mínimo engraçada. Primeiro, porque se tratava de um voo internacional, portanto: “Adeus, português!”. Depois porque, acostumada com minhas viagens de ônibus, fiquei com meu MP6 na mão como único entretenimento, até que eu descobri que havia TV e música para cada passageiro. E foram mais algumas gafezinhas iniciais que fui superando no decorrer do voo. O importante é que amei viajar de avião porque não passei calor (ar condicionado) e nem frio (cobertor), além de poder dormir tranquilamente com travesseiro, tapa-olho e meia (quem diria!). Ah, isso sem contar que a comida estava deliciosa – mesmo eu não tendo escolhido o que realmente eu queria porque tanto no jantar quanto no café da manhã eu não entendi exatamente o que eram as duas opções em inglês (ainda bem que as duas eram aceitáveis).

PS: na foto, estamos eu e o Pedro!
PS 2: cara de sono.

AKWAABA*

Vocês sabem como eu falo, imaginem todos os meus sentimentos e minhas percepções se restringirem ao meu vasto vocabular inglês? Impossível. Para não esquecer cada detalhe do meu semestre em Accra (Ghana) e compartilhar em português essa experiência com quem queira saber – nem que seja somente para eu mesma reler depois – resolvi resgatar o intuito original dos blogs. Sejam bem-vindos ao meu diário [detalhado] de bordo.


* “Bem vindo” em twi, um dos dialetos ganeses

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ela e ele

Ela sempre foi muito romântica e por isso já sofreu muito na vida. Sofreu porque amou e não falou. Sofreu porque amou, falou e não foi correspondida. Sofreu porque amou, foi correspondida, mas com "prazo curto de validade". Sofreu porque passou tempos sem amar. E de tanto sofrer, resolveu sofrer menos: priorizou a razão e, consequentemente, o "solteira sim, sozinha nunca" lhe soava bem. E achava que isso a bastava. Mas um dia aquele papo de amor à primeira vista pareceu mais real do que nunca. O impacto só no olhar foi tão grande que o contato foi inevitável e aquela (menos de) uma hora foi inesquecível. O "feedback positivo" típico do sonho adolescente aconteceu: não só em um ou em dois dias seguidos, mas em três, quatro... E, apesar de não se verem ao vivo, não se tocarem e não se beijarem, ela e ele alimentaram aquele sentimento.


Eles se identificavam a cada palavra, eles se admiravam a cada imagem, eles se completavam. Seria mentira dizer que tudo estava em seu lugar, porque ela não estava lá e ele não estava aqui: distância e compromissos inadiáveis os impediam de se encontrar novamente. Para piorar: ela partiria para um lugar ainda mais distante em um mês e lá ficaria por um bom tempo. Mesmo assim, após dois meses do dia em que se conheceram, ela foi ao seu encontro e ele ao encontro dela. E tudo fazia ainda mais sentido naquele relacionamento que parecia não ter sentido algum. A distância mais uma vez apareceu, porém a saudade a cada minuto parecia ainda maior do que antes. E em uma semana eles se veriam e se beijariam mais uma vez.


Era um dia especial para ela e tornou-se especial para ele. E eles viveram cada pequeno momento de maneira única, porque o tempo não pararia, por mais que quisessem. O dia seguinte, da despedida, foi inexplicável, bom e ruim ao mesmo tempo. Ela não sabia o que falar e ele preferiu o silêncio, ficaram no carinho, no beijo e no olhar. As lágrimas da despedida dela não foram vistas por ele e por ninguém. No dia seguinte, já distantes, ele resolveu falar tudo o que sentia e ela não tinha o que discordar. Assim, por mais que a promessa dele de estarem juntos (mesmo longe) parecesse loucura, ela resolveu apostar. Talvez este seja um sinal de que o sofrimento pode vir e de que a saudade será inevitável, mas pela intensidade do relacionamento que construíram em pouco tempo, tem tudo para ser inabalável.
 
PS: Devido à minha viagem, este post deveria estar no ar há uma semana.
PS 2: Prometo atualizar com mais frequência, afinal as experiências em um novo país/continente são muitas!