Durante seis meses morarei e trabalharei em Gana, na África. Para mim, uma experiência que tem tudo para ser incrível, com todos os obstáculos naturais de um intercâmbio - ainda mais profissional. Ouvi muitas frases de motivação e apoio, mas a reação da grande maioria com a notícia foi terrivelmente esperada. Por tanto pré-conceito, resolvi esclarecer alguns pontos que posso esclarecer por ora, ainda aqui no Brasil.
Eu não nasci negra. Pelo contrário: sou bem branca, principalmente nos últimos anos (fechada na sala de aula, no trabalho ou em casa, “pegar uma corzinha” anda difícil). Na verdade, me considero amarela nas fichas de cadastro, por meu orgulho à descendência oriental. Falar de cor de pele chega a ser engraçado, exceto o fato que temos de nos identificar com nossa raça e valorizar toda uma história por trás dela, nada mais há a ser distinguido, ressaltado. Todos somos seres humanos em seus diferentes contextos, com diferentes experiências de vida e localidades. E ponto.
Eu não nasci rica. Nunca fui rica. Mas também não posso reclamar dos bens materiais que a vida (meus pais) me proporcionou e acaba sempre me proporcionando. Na realidade nem faço muita questão de aparelhos de última geração ou o mais veloz, o mais potente, o melhor. Basta ser funcional e útil. Também não faço questão de frequentar os lugares mais POPs ou integrar a coluna social. Para mim, a vida é boa com vivências agradáveis ao lado de pessoas agradáveis: vivências e pessoas que me façam a maior parte do tempo satisfeita e feliz. E ponto.
Eu não sou a mais culta e nem tenho a pretensão de ser. Talvez seja privilegiada em algumas áreas, muito pouco em outras. Talvez saiba falar mais em algumas situações, nem tanto em outras. Acho que conheço e sei na medida certa, sempre propensa a conhecer e saber mais e mais. Nesse incessante acesso à informação e com a possibilidade de tê-las privilegiadas em boa parte do tempo, é fato que posso me considerar culturalmente bem “abastecida”, mas nem por isso especial, superior. E ponto.
O meu país não é perfeito. Nos últimos anos, teve melhorias sociais e econômicas, mas nem tanto. Além disso, politicamente anda podre – desculpe-me os patriotas otimistas, grupo em que também me insiro, mas é fato. O Brasil ainda tem chão para chegar à perfeição. Muito chão (até mesmo porque nada ou ninguém é ou será perfeito). E os brasileiros? Nem preciso falar! O que se pode afirmar, a meu ver, é que o país é belo natural e culturalmente, com um povo marcadamente “feliz”. E ponto.
Para encerrar momentaneamente o assunto: Até o fim
Ceia mórbida
3 semanas atrás